11/05/2018

Safra baiana de grãos cresce pela primeira vez este ano

 

Pela primeira vez em 2018, a safra baiana de cereais, leguminosas e oleaginosas registrou um aumento em relação ao ano anterior. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e representam um crescimento de 0,1% em relação à safra de grãos do ano passado.

Enquanto em 2017 a produção foi de 8.078.077 toneladas, este ano passou para 8.090.127 toneladas. Só para dar uma ideia, em março, a previsão era de uma safra 0,8% menor em 2018. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado mensalmente pelo IBGE.

O grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas (grãos) engloba os seguintes produtos: arroz, milho, aveia, centeio, cevada, sorgo, trigo, triticale, amendoim, feijão, caroço de algodão, mamona, soja e girassol.

Só a Bahia deve ser responsável por 3,5% da produção nacional de grãos em 2018, estimada em 230,0 milhões de toneladas. O percentual é 4,4% inferior à obtida em 2017 (240,6 milhões de toneladas). O principal produtor de grãos do país é o estado do Mato Grosso, com uma participação de 25,4% em 2018, seguido pelo Paraná (16,9%) e pelo Rio Grande do Sul (14,1%).

Algodão e soja

Um dos destaques da safra baiana foi justamente a produção de algodão, que cresceu 2,8%, numa produção estimada em 1,1 milhão de toneladas. Isso significa dizer que o crescimento foi 22,1% a mais do que no ano passado. Com esse resultado, a safra baiana de algodão deve aumentar a participação na produção nacional de 21,7% em 2017 para 22,8% neste ano.

A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do país. A quarta estimativa da produção nacional de algodão alcançou 4,4 milhões de toneladas, 0,8% maior que a previsão de março, resultado do aumento (0,2%) da área plantada/ a ser colhida. Ao todo, deve ser plantada uma área de 1,1 milhão de hectares de algodão no Brasil.

A soja, por outro lado, deve ter uma produção menor do que no ano passado. A estimativa é que safra baiana de soja em 2018 (5,088 milhões de toneladas) seja 0,9% inferior à de 2017 (5,136 milhões de toneladas). Mesmo assim, o estado deve continuar como sexto principal produtor do grão no país, com participação de 4,6%.

Segundo maior produtor de cacau

O cacau também deve crescer este ano. A produção de abril está estimada em 103,2 mil toneladas de cacau na Bahia, aumento de 19,4% em relação ao mês anterior e de 23,1% frente a 2017. O crescimento se deve a uma previsão de aumento de 33,1% no rendimento médio, entre março e abril (de 180 kg/ha para 240 kg/ha), embora a área a ser colhida tenha recuado 10,4%.

Esse crescimento favorece o aumento da produção nacional de cacau, que deve ser 8,3% maior do que 2017 e 7,6% superior ao estimado em março. Além disso, reduz a distância do principal estado produtor de cacau, o Pará, cuja participação na safra do produto deve ser de 49,5% (114,8 mil toneladas), diante dos 44,5% da Bahia.

O cacau foi beneficiado pelas boas expectativas diante do clima na região cacaueira em 2018.

Banana prejudicada

Já a banana terá uma queda de 17,4% em abril, reduzindo a participação do estado na produção nacional de 14,9% em 2017 para 13,0% em 2018. O resultado vem logo após um aumento de 3,2% da safra em março. Ainda assim, a Bahia deve permanecer como segundo maior produtor da fruta no país, com 912 mil toneladas.

Segundo o IBGE, os resultados vieram em função da estiagem prolongada, de forma que alguns projetos de irrigação deixaram de produzir por limitação no fornecimento de água. A estiagem vem comprometendo também o rendimento médio da banana na Bahia.

Ao todo, das 26 safras de produtos investigadas pelo LSPA na Bahia, 12 devem ter crescimento neste ano, em relação a 2017. As produções com previsão de maior crescimento, em termos absolutos, no estado são as de cana-de-açúcar (+1,449 milhão de toneladas), algodão (+184.264 toneladas) e milho 1ª safra (+97.260 toneladas).

Com safra recorde de grãos, agricultores baianos recuperaram 214 quilômetros de estradas em 2018

Diante da safra recorde de grãos prevista para o oeste da Bahia, a logística de escoamento da produção é um dos principais entraves para os agricultores do oeste da Bahia. Para minimizar a falta de investimentos na conservação permanente das estradas vicinais, os produtores rurais, por meio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), vêm fazendo a sua parte. Eles recuperaram, entre janeiro e abril deste ano, um total de 214 km de estradas com melhorias e cascalhamento dos seguintes trechos: 106 km na Linha dos Pivôs, em São Desidério; 60 km da BA-430 que liga a sede e a zona rural de Baianópolis; 43 km entre a sede e a localidade de Rio de Pedras, em Barreiras; e 5 km da Rodovia da Soja, também em Barreiras. Desde o início do projeto, em 2013, já foram recuperadas em cinco anos mais de 1000 km de estradas, com um investimento aproximado de R$ 30 milhões.

Por meio de recursos do Prodeagro, Fundeagro e Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), os agricultores viabilizaram o programa Patrulha Mecanizada, coordenado pela Abapa, que hoje mantém uma estrutura fixa com trabalho permanente ao longo do ano com cerca de 31 colaboradores e equipamentos e veículos como motoniveladoras, escavadeiras, rolos compactadores, tratores, caminhões, para executar os trabalhos na conservação das estradas. “Por meio do programa, que também conta com o apoio das prefeituras, nosso objetivo é obter novas parcerias para começar a pavimentar trechos importantes, a exemplo dos 33 km da Rodovia da Soja, em São Desidério, recuperado o ano passado pelo Patrulha Mecanizada. O programa é uma referência em todo o Brasil e contribui, também, para melhorar o acesso de quem mora na zona rural e depende destas estradas para se deslocarem”, explica o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato.

Além do trabalho executado diretamente na conservação das estradas, os produtores continuam mobilizados para a garantia de recursos para a pavimentação de trechos de rodovias federais inacabadas. “Com a perspectiva de crescimento da safra agrícola para os próximos anos, o governos precisam acompanhar o desenvolvimento, e estamos cobrando para que possam ser concluídos, por exemplo, trechos da BR-135, ligando os municípios de São Desidério a Correntina e a viabilização do traçado da BR 020, entre Santa Rita de Cássia – Mansidão – Campo Alegre de Lourdes”, afirma Busato. A conclusão da Ferrovia Oeste Leste (Fiol) e do Porto Sul; a ampliação da capacidade do Porto de Aratu, em Salvador, a fim de facilitar a exportação de commodities agrícolas; e a construção de subestações de energia para atender o oeste, também são demandas de logística que vem sendo pleiteadas pelos agricultores baianos para o maior desenvolvimento socioeconômico da região agrícola.

Estimativa de safra da Conab mostra volta a nível histórico com produção de 232 milhões de toneladas

A previsão da segunda maior colheita de grãos do Brasil, com uma produção de 232,6 milhões de toneladas, está mantida neste 8º Levantamento da Safra de Grãos 2017/2018, divulgado nesta quinta-feira (10), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa de área é também destaque, com a entrada de números das culturas de inverno e outras, podendo se tornar a maior da série histórica, ou seja, 61,5 milhões de hectares.

Apesar do decréscimo de 2,1% em comparação à safra passada, que chegou a 237,7 milhões de toneladas, o número é bem elevado em relação à média de produção nacional, em condições atmosféricas normais. Na comparação com a pesquisa do mês de abril, a estimativa total da safra mostra um aumento de 1,3%, ou cerca de 3 milhões de toneladas.

Os maiores volumes são da soja, responsável pelo bom desempenho produtivo e cujo avanço da colheita vem confirmando a boa produtividade, e do milho total. A leguminosa registra 117 milhões e o cereal 89,2 milhões de toneladas. Já o milho segunda safra responde por 70% de sua colheita (62,9 milhões de t), cabendo ao milho primeira safra 26,3 milhões de t.

Na sequência de aumento da produção deste levantamento, vem o algodão em pluma, com um volume de 1,9 milhão de toneladas, algo em torno de 27% a mais que a safra anterior. O feijão segunda safra também registra bom desempenho, com um aumento de 10,2% e colheita de 1,32 milhão de toneladas.

Área

O término do plantio das culturas de segunda safra, a estimativa de área de plantio para o feijão e as culturas de inverno sinalizam um crescimento de área, a maior da série histórica, ou seja, 61,5 milhões de hectares, com um incremento de 1,1%. Na ordem crescente de ganho absoluto da área plantada, vem a soja com 1,2 milhão de hectares, o algodão (236,8 mil ha) e o feijão segunda safra (132,6 mil ha). Com os aumentos, a área total da soja ficou em 35,1 milhões de hectares e em seguida o feijão segunda safra (1,6 milhão ha) e o algodão (1,2 milhão ha).

 

Fonte: Correio/Ascom Abapa/Assimp Conab/Municipios Baianos

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