13/05/2018

A Bahia é o principal mercado de forró no brasil’, diz forrozeiro

 

A extensão da Bahia, que possui 417 municípios, torna os tradicionais festejos de São João uma potência cultural e econômica do estado, à frente, inclusive, do carnaval, de acordo com a avaliação do forrozeiro Adelmário Coelho.

“A Bahia é o principal mercado do Brasil. Eu lhe asseguro, é fato. E todos os amigos forrozeiros que vêm para cá acham isso porque a demanda maior. Tem o carnaval, que é uma festa planetária, mas quando você pensa, pensa em Salvador. No São João você tem 417 municípios e seus derivados. Todo mundo festejando. A cadeia produtiva é grandiosa, mexe com muita coisa”, disse, em entrevista à Rádio Metrópole.

Assim como Flávia Albano, soprano também presente ao Jornal da Cidade Segunda Edição, o forrozeiro defendeu que a educação desempenha um papel relevante para alavancar a importância das músicas, dos artistas e, principalmente, da tradição que o forró desempenha.

Contrário a leis que determinam a obrigatoriedade do forró nas datas comemorativas ao santo, Adelmário foi pacífico: “ É uma questão de educação, a consciência de entender que a festividade junina tem no seu cardápio, musicalmente, o forró. Isso eu conheci dessa forma. Quem nos antecedeu também. O que você vê é um cenário muito destrutivo dessa cultura”, apontou.

O artista baiano acrescentou que “distorções dentro das festividades juninas”, que têm outros ritmos incorporados, colaboram com o enfraquecimento do forró. “Você pegar uma data especialmente junina e não ter um forró é um crime. E isso acontece com certa regularidade”, apontou.

Mas nem tudo está perdido. Apesar das ameaças, cidades com festas tradicionais como Cruz das Almas, Amargosa, Senhor do Bonfim, que têm praças lotadas durante o mês de junho, fortalecem a tradição do “arrastapé”. “Quanto foi reverberado em outras cidades? É um exemplo que devemos seguir, prestigiando o forró na sua casa. Não sou radical a ponto de dizer que outros gêneros musicais não comportem, mas o que eu vejo hoje na juventude me dá motivação para continuar. Eles dizem: ‘Eu quero ir para um forró dançar forró. Se eu quiser dançar outro gênero musical eu vou para outro local’”, finalizou.

Origem do Forró

Não é um simples acaso que o forró tem a cara do Brasil. Se trata de um ritmo típico da região Nordeste do nosso país, que tem suas origens nas festas juninas, também típicas daquela parte. Festa junina e forró que se espalharam pelo resto do país.

Estudiosos de ritmos musicais e até mesmo da cultura brasileira, dizem que não é simples definir qual o “estilo musical do forró”. Normalmente, é feita uma associação do nome forró a outros ritmos que são: xaxado, quadrilha e baião, também teria influência da população holandesa e da parte de Portugal, do xote.

O forró originalmente é tocado por um trio que é composto: do zabumbeiro, um músico de triângulo e de um sanfoneiro, que pode tocar acordeão, mas no forró tradicional o seu instrumento é a sanfona de oito baixos.

O forró também é chamado de outros nomes no Brasil: fobó, arrasta-pé e bate chinelo.

Buscando as Origens do Forró

Para entender melhor as origens do forró, nada melhor do que compará-lo com outros ritmos. Os estudiosos encontraram semelhanças com o arrasta pé dos índios chamado de toré, também tem um pouco dos ritmos holandeses e portugueses chamados binários e também o chula, sempre de origem europeia. Poderia ser uma variante das polcas tradicionais da Europa, que para os nordestinos foram transformadas em forró, xote, quadrilha ou arrasta-pé.

Já o modo como se dança forró tem a influência da dança de salão que chegou da Europa no Brasil, fato evidenciado nos livros que contam a colonização do território brasileiro e também das invasões dos europeus ao nosso país naquela época.

As Variações do Forró

O forró pé de serra é aquele chamado de tradicional e dele nascem variações, a mais moderna é o chamado forró eletrônico que surgiu na década de 90. A diferença é que além dos instrumentos musicais do forró tradicional, as bandas incorporaram outros, que são a guitarra elétrica, o contrabaixo e a bateria.

Outra variação do forró tradicional é o chamado forró universitário que surgiu em São Paulo, capital no final dos anos 90. É classificado por estudiosos de música como uma “revitalização” do que chamamos de forró tradicional. Neste caso, entram no grupo musical junto com os instrumentos tradicionais, o violão e o contrabaixo. A principal característica é fazer “dois para lá e dois para cá”.

O forró se espalhou pelo Brasil, mas em algumas regiões ele é mais forte, como em Juazeiro do Norte, em Campina Grande, em Mossoró e em Caruaru. Também é presente como forte cultura em: Natal, Recife, Teresina, Maceió, Fortaleza, João Pessoa e Aracaju. São muitas as festas para jovens que acontecem nessas cidades e que as principais apresentações ficam por conta das bandas de forró.

A História e a Origem do Nome Forró Para o Ritmo Brasileiro

A palavra forró, segundo Evanildo Bechara, um filólogo de Pernambuco, é uma variação do antigo galego-português – forbodó, que por sua vez tem origem da palavra francesa, faux-bourdon, que teria o significado de “desentoação”.

Esse termo teria origem na Galiza e no norte de Portugal onde as pessoas dançavam com o golpe de bumbo em bailes que se chamava de forbodo.

Outra “explicação” para palavra forrá está relacionada com o inglês “for all”, para todos. Se diz que no início do século XX, em Pernambuco estavam instalados alguns engenheiros britânicos, que estavam no Brasil para construir a Great Western, ferrovia e eles faziam festas “for all”. E os nordestinos começaram a pronunciar forró.

Mas, a história envolvendo os ingleses ainda tem outra versão, neste caso, deixam de ser ingleses e passam a ser americanos, que estariam em Natal durante a Segunda Guerra Mundial. E neste caso, o “for all” também virou forró na boca dos nordestinos. Mas, vale ressaltar que não existe nenhum registro histórico que comprove tais teorias.

As Primeiras Festas com o Ritmo Forró no Brasil

Os primeiro bailes de forró em Pernambuco eram chamados de forrobodó ou forrobodança. Foi só em 1950, que o ritmo passou a ser chamado de forró por todos e ficou popular graças a Luiz Gonzaga, em 1949. O cantor gravou o “Forró de Mané Vito”, que fez junto com Zé Dantas. O segundo sucesso se repetiu em 1958 com o “Forró no escuro”. Porém, apesar do sucesso promovido graças a Luiz Gonzaga foi a imigração dos nordestinos para outros estados brasileiros que espalhou o ritmo pelo Brasil, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, em São Paulo e Brasília.

Em 1970, as casas com apresentação de bandas de forró começaram a ganhar o Brasil e em 1980, o ritmo ganhou uma repaginada e novos grupos surgiram fazendo grande sucesso.

Como se Dança o Forró

O forró universitário é dançado de um modo diferente daquele tradicional ou nordestino, como algumas pessoas preferem chamar. Esse segundo, tem mais sensualidade e malícia nos movimentos. A perna levantada e as testas do casal que se encontram são as principais características. Já no forró universitário o casal pode fazer uma abertura lateral chamada de dobradiça, ir para frente e para trás (caminhada), fazer giros simples,  assim como o cavalheiro pode girar sozinho, ele também faz o chamado oito que são dama e cavalheiro de costas e um passa pelo outro e para completar, a comemoração, a perna do cavalheiro que fica entre as pernas da dama.

O Forró Moderno: Década de 1980

Para falar de forró moderno é preciso ir em meados da década de 80. O forró pé de serra ganha uma versão mais moderna com instrumentos eletrônicos, que não fazem parte de uma banda do ritmo originalmente.

Outra mudança que marca essa modernidade é em relação com as letras do forró, que deixa de falar da seca e passa a falar de assuntos que atraem os jovens, como o amor. Podemos citar como iniciantes dessa nova cara do forró, a banda Mastruz com Leite, Alegria do Forró, Cavalo de Pau e Catuaba com Amendoim.

O principal veículo que “deu voz” ao novo ritmo do forró foi a rádio Som Zom Sat, que era de propriedade do produtor das maiores bandas de forró eletrônico que estavam entrando no mercado. A ideia, segundo o produtor e proprietário da rádio, era dar uma tom mais romântico para as canções e focar em temas do cotidiano das pessoas.

Algumas Festas de forró já confirmadas em 2018 na Bahia

Algumas festas juninas, tradicionais em cidades do interior da Bahia, e outros eventos de forró que dão uma prévia do São João já divulgaram a programação de 2018. Wesley Safadão, Marília Mendonça, Simone e Simaria, Aviões, Henrique e Juliano, Solange, Saulo e Leo Santana são algumas das atrações.

Veja abaixo a lista de festas privadas e gratuitas e algumas informações.

  • Confira:

Forró do Lago

Onde: Área Externa do Villa Music, em Santo Antônio de Jesus (BA)

Quando: 23 de junho (sábado), as 14h.

Atrações: Bell Marques, Rafa e Pipo Marques, Wesley Safadão, Marília Mendonça e Simone e Simaria.

Forró do Sfrega

Onde: Fazenda Villa do Sfrega, em Senhor do Bonfim.

Quando: 23 e 24 de junho (sábado e domingo)

Atrações: Aviões, Henrique e Juliano, Solange, Mano Walter, Thaeme e Thiago, Chiclete, Léo Santana e Saulo.

Forró da Amizade 2018

Onde: Armazém Villas, Lauro de Freitas

Quando: 26 de maio (sábado), às 22h.

Atrações: Flávio José, Fulô de Mandacaru, Seu Maxixe e Norberto Curvêllo.

Forró do Bongo

Quando: 30 de junho (sábado)

Onde: Estádio municipal de Catu, em Catu

Horário: 14h

Atrações: Léo Santana, Safadão, Aviões, Harmonia do Samba e outros a confirmar

Forró Coffe

Quando: 1º de julho (domingo)

Onde: Fazenda Nova Itália, no município de Itiruçu

Atrações: Wesley Safadão, Harmonia do Samba, Dorgival Dantas e Gabriel Diniz

Horário: 14h

JUAZEIRO: SECULTE LANÇA EDITAL DO CONCURSO DE QUADRILHASDE 2018

A Prefeitura de Juazeiro, através da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes, lança edital e abre inscrições do Concurso das Quadrilhas Juninas 2018, que faz parte da programação do São João Nas Comunidades. As inscrições, que são gratuitas, devem ser feitas na Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Praça da Bandeira, nº 20, Centro, Juazeiro/BA), de 14 a 31 de maio, das 8h às 12h e das 14h às 17h. O edital está disponível no site da Prefeitura.

De acordo com a organização do evento, o objetivo do concurso é fortalecer a tradição junina. “A gente incentiva a participação de grupos juninos tradicionais, promovendo o fortalecimento dessa cultura. A inscrição é aberta a pessoas físicas e pessoas jurídicas com ou sem fins lucrativos, necessariamente de natureza cultural”, afirma o Gerente de Cultura da SECULTE, Ramon Raniere.

Para participar, cada grupo deverá preencher formulário de inscrição que consta no edital. No ato de inscrição, devem indicar nominalmente o marcador e a rainha da quadrilha. A não participação dos indicados nas apresentações implicará na sumária perda de pontos ou até mesmo na desclassificação, ficando a cargo da comissão julgadora deliberar sobre tais temas. “Servidores municipais e membros da Comissão do corpo de jurados, bem como de seus respectivos cônjuges, companheiros ou parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, não podem participar das quadrilhas”, completa Ramon.

  • A premiação será feita da seguinte forma:

I – Melhor Quadrilha Junina Estilizada – R$ 6.000,00 (seis mil reais);

II – Segunda melhor Quadrilha Junina estilizada – R$ 4.000,00 (quatro mil reais);

III – Melhor Quadrilha Tradicional – R$ 4.000,00 (quatro mil reais);

V – Melhor Rainha - R$ 600,00 (seiscentos reais);

VI – Melhor Marcador - R$ 600,00 (seiscentos reais).

Investimento de mais de R$15 mil.

 

Fonte: Ação Popular/G1/Ascom Seculte/Municipios Baianos

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