13/05/2018

A situação País, em tópicos de fácil entendimento

 

No mundo há pessoas muito ricas (donos e acionistas principais das grandes corporações transnacionais industriais ou do agronegócio, banqueiros, empresários do setor imobiliário, gente que vive da renda de heranças e de aplicações financeiras, etc.). Elas representam 10% da população mundial, mas as mais ricas são mesmo apenas 1%.

O Estado (poder público) de todos os países precisa de dinheiro para manter a sua estrutura, oferecer serviços, fazer investimentos e obras, estimular a economia, etc. Para isso existem os impostos, taxas e contribuições, os bancos e empresas estatais, os empréstimos e vendas de títulos do Tesouro e outras fontes.

As pessoas muito ricas conseguem eleger seus representantes nos governos dos países e, assim, controlam o Estado. Elas decidiram que, ao invés de pagar impostos, seria mais vantajoso para elas emprestar dinheiro aos Estados a juros comprando títulos do Tesouro. Dessa forma, elas se livrariam do risco de taxações maiores e ainda fariam disso um negócio mais rentável do que produzir e gerar empregos. Mas para isso, era necessário tornar os Estados dependentes de seus recursos.

Assim, conseguiram implantar no mundo programas de governos que buscavam aumentar a arrecadação e manter o fluxo de recursos públicos por meio de empréstimos (venda de títulos do Tesouro resgatados com juros). As nações precisavam oferecer juros atrativos, implantar medidas rigorosas de gestão e aprovar leis que dessem segurança aos investidores (que agem como agiotas) de que os juros seriam sempre pagos.

Os países arrecadavam dinheiro, gastavam, faziam obras (boas ou más), ofereciam serviços (bem ou mal) e se sustentavam com o dinheiro que entrava durante um tempo.

Porém, como uma grande parte da entrada de recursos (receita) não vinha dos impostos, mas dos empréstimos (operações de crédito), os países acumularam uma dívida enorme e tinham que pagá-la constantemente, pois senão ninguém mais iria continuar emprestando dinheiro (comprando os títulos). Ou seja, se não houvesse um pagamento religioso, os agiotas não investiriam mais e, pior, poderiam fazer mal ao país tomador de empréstimo pelo controle que exercem sobre governos de países mais poderosos.

A dívida pública mundial chegou a 50 trilhões de dólares. O PIB mundial é de 80 trilhões. A dívida dos EUA chegou a 20 trilhões, aproximadamente o tamanho do seu PIB. E quando o Estado está endividado, na verdade quem deve é a população, pois é dela que vêm os recursos para o pagamento das dívidas dos Estados. (A evolução da dívida interna dos EUA pode ser acompanhada no que chamaríamos no Brasil de “dividômetro”, o “US Debt Clock”: http://usdebtclock.org)

Quando a arrecadação pública por impostos e outras fontes é suficiente para pagar os investidores (agiotas) e ainda dá para oferecer serviços públicos como saúde e educação com um mínimo de decência, gastar com combate à fome e à pobreza, para investir em habitação popular, etc. o país fica estável e a política também. Novos empréstimos servem também para pagar empréstimos anteriores que venceram.

Porém, quando a arrecadação pública cai por alguma crise ou problemas na economia, locais ou mundiais, os agiotas querem garantir o seu. Não existe negociação, não importa a situação do país e de seu povo. O sistema que alimenta esse fluxo de recursos é impessoal, não tem sentimentos ou consciência social e humanitária. Só opera visando o retorno com ganhos máximos.

Se o Governo que está gerindo o Estado não atender aos investidores em todas as suas exigências, ele é atacado por diversos meios até ser destituído. Em seu lugar deve entrar um que obedeça aos 10% mais ricos em tudo. A submissão total é condição para a chegada ao poder e a permanência nele.

Nesse quadro, a parcela mais rica da população mundial quer a permanência do modo de gestão da economia que deixa o Estado refém dos emprestadores. Isso implica ou a manutenção de juros altos ou medidas de estrangulamento do orçamento público (que eles chamam de “ajuste fiscal”) que deem aos agiotas a certeza de que seus empréstimos serão remunerados como contratado (com menos riscos, aceitam-se juros mais baixos).

É preciso garantir que o Estado tenha dinheiro suficiente para pagamento dos juros. Isso poderia ser feito aumentando os impostos dos mais ricos. Mas, como fazer isso se são os mais ricos que controlam os Governos eleitos ou os empurrados goela abaixo sem votos?

Resta a opção de economizar nos gastos, ou seja, reduzir a parte da receita que era destinada para manter e melhorar serviços como atendimento à saúde, construção de habitações populares, melhoria na educação, assistência social, combate à fome e à pobreza, atendimento aos excluídos, etc. O corte dos gastos nos serviços públicos que atendem aos mais pobres é o que eles chamam de “austeridade fiscal”.

Mas isso não basta.

Vender as empresas estatais e as riquezas naturais do país (como petróleo, minerais, aquíferos, etc.) também faz entrar dinheiro em caixa, que vai diretamente para a mão dos emprestadores (investidores, agiotas). Vendem bens e riquezas permanentes para pagar uma parte da dívida que continua a crescer.

Pode-se também atacar o sistema de previdência para que saiam menos recursos para os trabalhadores aposentados e se gere caixa para pagar os ricos que vivem de renda sem trabalhar.

Pode-se até ir mais longe e congelar os gastos do orçamento por meio de emenda constitucional, para evitar que outros governos deixem de reservar dinheiro para os agiotas ou que protestos populares possam exercer pressão sobre os governos presente e futuros. Se a proibição de aumentar os investimentos na população está na lei, não adianta protestar. Lembremos que a lei não proíbe o aumento de gastos para pagar juros da dívida…

E não para por aí. Eles precisam pensar mais adiante e garantir seus ganhos no futuro.

Por isso, é preciso evitar que o povo eleja um governo que pense, ainda que minimamente, em usar recursos dos impostos para outros fins que não seja o pagamento aos agiotas e benefícios às grandes corporações. Ou seja, deve-se evitar que o povo escolha qualquer representante que venha a usar o dinheiro público para tentar reduzir o déficit habitacional, investir um pouco mais na saúde pública, no acesso à educação, no combate à fome e à miséria, no atendimento às populações excluídas, na convivência com o semi-árido, etc. Pois para todas essas medidas, seria necessário mexer no precioso dinheirinho que alimenta a pequena parcela mais rica da população.

É por isso que eles mandam os jornalistas da grande mídia repetir sempre aos candidatos a governo que propõem aumento dos investimentos sociais a pergunta “de onde virá o dinheiro”? Estão preocupados que mexam em uma parte mínima de seus ganhos estratosféricos para permitir que uma idosa tenha atendimento decente em uma unidade de saúde.

Também não podem aceitar qualquer candidato que se recuse a vender nossos aquíferos, as reservas de petróleo ou as empresas estatais.

Não precisa ser de esquerda, socialista ou comunista: os mais ricos não querem nenhum candidato ao governo que, neste momento de crise mundial, use o dinheiro público em favor da população, pois pode não sobrar para eles. Até migalhas fazem falta.

Se um candidato ao governo se declarar comunista, satanista, capitalista, terraplanista, fascista, nazista, machista, feminista, racista, pan-africanista, sionista eles não estão nem aí, desde que se comprometa com as garantias da remuneração de seu capital investido e execute seus planos. O risco não é o discurso, mas o que o candidato, se eleito, possa vir a fazer, por mínimo que seja, que derrube alguns décimos percentuais em seus ganhos. A briga ideológica eles deixam com a classe média e os lascados nas redes sociais.

Mas e se, em um país com Constituição democrática, eles não quiserem um candidato, mas o povo quiser? Ora, dá-se um jeito… Há poucas coisas que a combinação de dinheiro e controle midiático das mentes não consiga. A vontade popular é a última coisa a ser considerada em um país, principalmente naqueles com os poderes republicanos corrompidos.

Assim, segue o esquema que aprofunda o abismo da desigualdade mundial. Os que trabalham e produzem, que constituem a maioria da população mundial, pagam impostos e geram receita para o Estado. Os governos submissos transferem essa receita para os grupos privados que investiram seu dinheiro na compra de títulos do Tesouro e vivem de renda sem produzir nada e entregam os países para rapina das grandes corporações industriais e agroindustriais, alimentando a riqueza exorbitante de 10% da população e engordando o 1% cuja fortuna é despudorada.

Mas, faltou dizer uma coisa. Os 10% não querem que nós saibamos dessa história. Por isso, usam a mídia (da qual eles também são proprietários) para criar mitos que substituem o entendimento racional da realidade por frases de efeito, explicações simplórias e disputas ideológicas. E eles a usam tão bem a ponto de fazer com que muitos que estão a milhares de anos-luz de distância de sua renda defendam a história deles como se fosse a sua própria.

Na história que eles criam, setores da classe média se sentem no comando. Vibram com a vitória deles, temem os seus temores, lamentam suas derrotas e metem-se em brigas que eles mesmos não se dispõem a travar. E pagam mais de quatro reais pela gasolina…

O relato acima é pessimista? Nem tanto. Se eles precisam esconder de nós essa história é porque sabem da capacidade de mudança que a população tem quando assume as rédeas de seu destino. Não investiriam tanto na formação das consciências se o povo não tivesse tanto poder de transformar a realidade.

Agência Xeque: os fakenews de Pérsio Arida com o câmbio, por Luis Nassif

Há que de diferenciar o intelectual do propagandista.

Mesmo tendo lado, o intelectual busca a verdade dos fatos; já o propagandista procura os fatos que se adequam à sua verdade.

Há tempos a discussão econômica nacional é dominada pelos propagandistas que, valendo-se do baixo nível de informação passado pela mídia, tratam as discussões.

É o caso de Pérsio Arida que, assim como a maioria absoluta dos economistas do Real, tornou-se um propagandista do mercado. E foi designado pelo mercado para ser o avalista da candidatura de Geraldo Alckmin. E foi assim que ele se comportou na palestra ministrada à Câmara de Comércio França-Brasil.

Suas críticas maiores foram em relação à proposta de Nelson Marconi – economista do candidato Ciro Gomes – de fixar um câmbio competitivo, entre R$ 3,80 a R$ 4,00, como forma de estimular a indústria nacional.

Disse ele: “Tenho visto vários candidatos defendendo ideias sobre o câmbio, como fixar o câmbio entre R$ 3,80 e R$ 4 para estimular a competitividade, isso não faz sentido".

Para entender o significado do câmbio no preço dos produtos, confira a tabela abaixo:

Um produto que tem 80% de insumos em reais e 20% em dólares, com margem de 20%. Com o dólar a R$ 3,20, o preço final é de US$ 615,00.

Se o dólar vai a R$ 4,00, a empresa terá duas alternativas. Se quiser manter a mesma rentabilidade, poderá reduzir o preço em 12,2%; se tiver condições de manter o mesmo preço em dólares, a rentabilidade saltará de 20% para 37%. Como não faz sentido?

1. O governo só consegue fixar o câmbio nominal, jamais o real.

A ideia da desvalorização cambial é aumentar o valor dos preços em dólares em relação aos preços em reais. O que Pérsio quis dizer é que, aumentando os preços dos produtos dolarizados, haverá inflação dos não-dolarizados voltando ao quadro anterior. É falso.

A desvalorização da moeda tem impacto direto sobre produtos exportados e importados (chamados de comercializáveis), que representam apenas um percentual de todos os preços. Depois, há uma onda de reajustes compensatórios dos não-comercializáveis, que nunca são em nível similar aos dos comercializáveis. Não sendo convalidados pela política monetária, os aumento tendem a perder fôlego e se diluir com o tempo. Haverá uma reacomodação dos preços em outro patamar. Em inúmeros momentos da história, desvalorizações cambiais resolveram questão de produtividade e de equilíbrio nas contas externas. 1982, 1999, 2008 estão aí para comprovar.

O primeiro efeito de uma medida como essa seria frear o investimento estrangeiro no país.

É falso. O que freia investimento estrangeiro é a apreciação cambial, que cria vulnerabilidades nas contas externas pela perda de dinamismo da produção interna em relação aos importados. Está aí a Argentina escancarando essa imprudência.

A desvalorização do real tornará mais barato todos os ativos nacionais, e mais competitivos os produtos produzidos. Só no reino de Pérsio um ativo mais barato é desestimulante para o investidor.

  • Confira:

Imagine um investimento de R$ 100 milhões que gere exportações de US$ 3,125 milhões.

Com o dólar a R$ 3,20, o investidor estrangeiro investirá US$ 31.250.000 e terá uma receita de exportações de US$ 3.125.000, ou 10% ao ano.

Se o dólar vai para R$ 4,00, o valor do investimento cai para US$ 25 milhões, ou 20% a menos. Se forem mantidos os mesmos US$ 3.125.000 de exportações, corresponderão a 12,5%, ou 25% a mais de faturamento. Com a desvalorização, no entanto, a tendência é de aumentar as exportações.

Pergunto: como afirmar que desvalorização do real freará o investimento externo, se tornará a produção interna mais barata e mais competitiva?

Haverá movimento especulativo contra a meta toda vez que ela estiver fora do mercado.

Outro sofisma. O mercado regula o câmbio através da oferta e demanda. Em um quadro de normalidade monetária, com as taxas internas de juros similares às taxas internacionais, o câmbio deverá refletir a competitividade da economia brasileira em relação à dos competidores internacionais. E a tendência seria a desvalorização do real. O que Pérsio chama de equilíbrio de mercado é um enorme fluxo financeiro que não vem para investimentos produtivos, mas para ganhar com as altas taxas de juros

Há dois caminhos simples para conter a especulação: ou taxas internas similares às internacionais, ou impostos sobre a entrada de capital de curto prazo. São instrumentos mais do que conhecidos das politicas econômicas.

O Brasil já fez diversas tentativas nesse sentido, com o câmbio fixo, minibandas e intervenções cambiais maciças por meio de swaps, como feito no governo de Dilma Rousseff (PT). O único efeito foi retardar [a desvalorização] e causar prejuízo nas finanças públicas.

Todas essas medidas visaram justamente manter o câmbio artificialmente baixo, e não o contrário.

 

Fonte: Por Maurício Abdall, no Le Monde/Jornal GGN/Municipios Baianos

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