15/05/2018

Sem SUS e sem plano: economize sem mensalidade alta ou fila grande

 

No ano passado, o segurança Jairo Alves, de 39 anos, teve queimaduras de terceiro grau nas costas e no braço esquerdo depois que uma vizinha jogou ácido muriático nele, ao tentar separar uma briga. Jairo não tinha plano de saúde e passou 19 dias internado no Hospital Geral do Estado (HGE). “Senti algo quente escorrer pelas minhas costas e achei que fosse xixi. Só percebi que era sério depois que a corrente que eu estava usando começou a derreter. Precisei fazer enxerto nos locais atingidos pelo ácido”.

Após a alta, os médicos recomendaram sessões de fisioterapia para estimular que a pele volte a ter aderência. Sem assistência médica e sem recursos para financiar o tratamento, o segurança buscou a Clínica Escola de Fisioterapia da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FTC). “Estou há 10 meses fazendo o tratamento. O melhor é que é todo gratuito. Se eu fosse realizar fora teria que pagar, no mínimo, R$ 100 por sessão e não gastaria menos de R$ 1,2 mil por mês”, afirma.

O preço foi determinante para muita gente como Jairo, desistisse da cobertura médica. O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) estima que o preço médio da mensalidade dos planos de saúde atualmente, chegue a R$ 310,06. Os odontológicos, algo em torno de R$ 11,84. “Com a queda da atividade econômica, há queda na massa de rendimentos e, claro, esse segmento de contratação também sofre os efeitos da crise econômica. Enquanto não houver um movimento sólido de retomada dos empregos formais nos setores de comércio e serviço dos grandes centros urbanos, ainda será muito cedo para falar em uma recuperação efetiva dos beneficiários de saúde suplementar”, analisa superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro.

Dor no bolso

Em um ano, o custo com um plano médico pode somar R$ 3.720,72. Por isso, o CORREIO fez um comparativo de quanto dá para economizar, caso o consumidor busque alternativas, entre elas, as clínicas escolas, policlínicas populares e planos de descontos. A economia, em alguns casos, chega a 70%. É possível encontrar atendimento gratuito e também particular com consultas a partir de R$ 40, como na clínica da Escola Bahiana de Medicina, por exemplo.

Na estimativa também foram utilizados os dados mais recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre a frequência mensal de consultas e exames de beneficiários. Quem  mais utiliza o plano de saúde são pessoas com idade acima dos 59 anos. Em média, são 8,41 consultas por ano e 24 exames complementares. A conta assusta: levando em consideração estas oito consultas a R$ 40, as despesas no ano somariam R$ 320 - valor 11 vezes menor do que o gasto anual com as parcelas do plano de saúde.

Mesmo que o seguro saúde permita que você escolha o médico e garanta atendimento em emergência e internações, a educadora financeira Meire Cardeal, aconselha outras opções que favorecem, pelo menos, a saúde do bolso. “O consumidor pode aderir a planos para consultas e exames que algumas clínicas disponibilizam, onde se paga uma pequena taxa em troca de desconto em serviços. Outra alternativa é participar  de eventos de saúde onde se faz check-up para detectar doenças crônicas (que prefeitura, estado e algumas ONGs promovem)”.

A educadora financeira destaca também a importância aproveitar a economia para fazer uma reserva financeira para eventuais problemas de saúde. “Enxugar as despesas permite uma sobra que pode compor a reserva financeira, aplicada, para atender aos gastos de saúde para quem optar em não contratar um plano”, completa. 

  • SAÚDE COM PREÇO MAIS EM CONTA

Clínicas Escola

1. Caliper Clínica e Escola de Imagem: É possível realizar diversos exames de ultrassonografia entre R$ 80 e R$ 200. (71) 3014-6040.

2. Faculdade IPEMED de Ciências Médicas: O atendimento ambulatorial é gratuito com a entrega de um 1 kg de alimento. Entre as especialidades estão gastroenterologia, endocrinologia, dermatologia e psiquiatria.

3. Instituto Prime de Ensino Personalizado: Oferece atendimento nas áreas de tratamentos de implante, prótese, ortodontia, endodontia e periodontia. Os valores variam de R$ 50 (uma extração, por exemplo) a R$ 650 (dente de porcelana).

4. Clínica FTC: A policlínica oferece atendimento gratuito em diversas especialidades. Nas consultas particulares  custam entre R$ 50 e R$ 150, a depender da área de atendimento médico. As marcações para consultas e exames, inclusive os gratuitos, devem ser agendadas nos (71) 3276-1223, 3276-0467 ou 3276-3377.

5. ADAB: Ambulatório Docente-Assistentcial da Bahiana Escola de Medicina  Oferece serviços do centro médico e da clínicas de odontologia, psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional. As consultas variam de R$ 40 a R$ 130.

Clínicas populares

6. Clínica Facilita: Consultas custam a partir de  R$ 99,90 a depender da especialidade. A consulta mais cara sai por R$ 130, para os pacientes que precisam ser atendidos por um agiologista.  (71) 4042-0397

7. Sim Medicina: As consultas custam a partir de R$ 100  (angiologista, cirurgia geral, reumatalogista, ortopedista) até R$ 150 (pediatria, reumatologista, geriatra e psiquiatra). Aceita cartões de crédito e débito.

8. Isto sem contar com as diversas policlínicas populares espalhadas pelo interior da Bahia, que cobram preços variados, bem abaixo das clinicas tradicionais e bem mais abaixo dos valores cobrados pelos planos, cujos valores variam de acordo com a especialidade.

Descontos

Cliente Vida: O programa de descontos oferece um abatimento de até 70% na rede credenciada. São três tipos diferentes de plano.  Mais informações no telefone (71) 3324 3939.

Tô garantido: O seguro tem abrangência em Salvador e Lauro de Freitas com planos a partir de R$ 39,90. Os descontos podem chegar a até 60% na rede credenciada e também em remédios. www.togarantido.com.br

Prevencard: O benefício dá descontos de até 70% em consultas e exames com planos a partir de R$ uma única parcela de R$ 69,90 e validade por cinco meses. (71) 3203-0444. 

Planos de saúde ocupam topo do ranking de reclamações de consumidores

Os problemas com planos de saúde estão no topo da lista de  reclamações mais recente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Pelo sexto ano consecutivo, os Planos de Saúde ocuparam a primeira posição com 23,4% dos registros, seguido por Produtos (17,8%), Serviços Financeiros (16,7%) e Telecomunicações (15,8%).

Os dados são relativos ao ano de 2017, quando o Idec registrou, ao todo, 6.583 atendimentos. No caso dos planos de saúde, as três principais preocupações foram relativas à negativa de cobertura, reajuste e descredenciamento de clínicas e hospitais.

“Tradicionalmente, nos dois últimos rankings, a gente viu a negativa de cobertura no topo. No entanto, em 2017, as reclamações maiores foram relacionadas aos reajustes”, diz a pesquisadora em saúde do Idec, Ana Carolina Navarrete.

Ainda de acordo com ela, no último ano, os planos individuais tiveram um teto máximo de reajuste estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de 13,55%. Os coletivos, ao contrário, são reajustados de acordo com o que é estabelecido por cada operadora de saúde. “Nos coletivos não há qualquer determinação de teto máximo por parte da ANS. Mas temos estudos feitos pelo Idec nos quais encontramos reajustes que chegam a mais de 200%”.

O Idec reforça que com exceção de Produtos, todos os outros segmentos apontados no ranking são regulados por órgão federais. “No contexto da crise, o consumidor está mais preocupado em manter a assistência médica. A questão do reajuste está diretamente envolvida com a sua permanência ou não no plano”, completa.

IDOSOS SÃO OS QUE MAIS SOFREM

Com base no Estatuto do Idoso, desde 1º de janeiro de 2004, a variação no preço dos contratos com base na idade só é permitida até os 59 anos. Entretanto, aumentos abusivos na mensalidade dos planos de saúde não são raros, sobretudo, para os beneficiários idosos.

O alerta é feito pelo o advogado especialista em Direito da Saúde da Serejo Borges Advogados, Túlio Borges. “Os planos tendem a aumentar abruptamente quando está com 59 anos, porque depois dos 60 o consumidor está protegido. A lei dos idosos é muito protetiva, e os planos não querem ser enquadrados como se estivessem discriminando os idosos”, explica.

O advogado conta que uma das clientes teve um aumento de 70% na mensalidade do plano a dois meses de completar 59 anos, sendo que o previsto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) era entre 13% e 14%. “Nós sempre encontramos abusividade. O ideal é que a pessoa procure um advogado de sua confiança que atue nesse segmento,  para que o cliente não seja prejudicado”, acrescenta o especialista.

A frequência maior às clínicas e hospitais para tratamentos e exames acabam onerando o plano. A ANS determina ainda, por meio da Resolução Normativa  nº 63, que o valor fixado para a última faixa etária, a partir dos 59 anos, não pode ser seis vezes maior que o valor da primeira, de 0 a 18 anos. 

A aposentada Maria de Fátima Pinto, de 61 anos, lamenta  não ter condições financeiras de se manter em um plano de saúde. “Eu vou de madrugada para o posto, duas ou três da manhã, e saio seis  da tarde do outro dia. A gente chama por Deus e vai. Com a minha idade um plano vai custar bem mais que minha aposentadoria”, afirma, resignada.

 

Fonte: Correio/Municipios Baianos

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