15/05/2018

Mucugê: Fligê divulga nomes confirmados para edição 2018

 

Como quem pede uma benção, versos do poema ‘Meia lágrima’ de Conceição Evaristo ecoaram pela sala do Museu Regional de Vitória da Conquista na última sexta-feira (11). Começava o lançamento da terceira edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê), para imprensa, instituições, parceiros e outros convidados. A antiga casa de Henriqueta Prates foi então tomada pela voz de Yanna Gusmão e o violão de Alex Lacerda, como quem escreve uma epígrafe. Os versos de ‘Maria do Socorro’ e ‘Triste, louca ou má’ deram o tom: a temática da feira neste ano coloca a mulher no seu devido lugar, o de protagonismo.

“Por meio de uma homenagem a um coletivo de mulheres e à escrita feminina que vamos tecer uma grande programação em encontro a tudo o que a gente quer expressar, que precisa mudar, que precisa ampliar no sentido de direitos da mulher”, destacou a professora Ester Figueiredo, curadora da Fligê. “A nossa programação atende a diferentes idades e em diferentes espaços de Mucugê”. A terceira edição da Fligê acontece de 16 a 19 de agosto, com o tema ‘Literatura e resistência: a vida nos rastros da palavra’, numa cidade de quase 10 mil habitantes, que desde 2016 se envolve com a palavra escrita ou não, em suas diversas formas.

“Esse tema vem para discutir a palavra e a palavra ela é feminina, é música, é poesia. A palavra resiste a tudo, porque palavra é, sobretudo, memória”, resumiu a coordenadora pedagógica, Lana Sheila. “A comunidade já está fazendo uma participação brilhante, vem aí um trabalho magnífico”, completou. Para o deputado federal Waldenor Pereira, “a expectativa é que nesta terceira feira ela se consolide como uma das mais importantes feiras culturais da Bahia. Já em face da sua consolidação e do seu reconhecimento, a organização tem recebido várias propostas de escritores com interesse em participar da programação, o que tem sido um desafio”.

O lançamento também contou com a presença do deputado estadual José Raimundo Fontes e do reitor eleito da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Luiz Otávio Magalhães. “A nossa participação tem levado uma edição, da Editora Alba, para lançamento e distribuição aos presentes”, lembrou o deputado José Raimundo sobre a parceria com a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), que continua em 2018. Realizada pelo Coletivo Lavra, a Fligê tem o apoio de emendas parlamentares dos deputados federais Waldenor Pereira (PT) e Jean Wyllys (PSOL) por meio do Ministério da Cultura, do Governo do Estado da Bahia e de parceiros locais do município de Mucugê.

Programação

Ao longo dos quatro dias de programação, habitantes e turistas da Chapada Diamantina têm a oportunidade de participar de conferências, rodas de conversa, lançamento de livros, oficinas, leituras performadas, contação de estórias e também de ter contato com outras linguagens artísticas como a música, o cinema, a fotografia e as artes plásticas. Alguns nomes confirmados foram anunciados durante o lançamento.

Fligê anuncia primeiras atrações para 2018

De 16 a 19 de agosto, a Chapada Diamantina volta a ser o centro literário e cultural da Bahia com a Feira Literária de Mucugê. Confira os nomes já confirmados para esta edição, anunciados na sexta (11), durante o lançamento da feira. Outros nomes serão anunciados em breve pela organização da Fligê.

Heloisa Buarque de Hollanda – Professora, escritora, ensaísta, crítica literária, editora e pesquisadora, Heloisa é graduada em Letras Clássicas, com mestrado e doutorado em Literatura Brasileira e pós-doutorado em Sociologia da Cultura, na Universidade de Columbia, em Nova York. Privilegia a relação entre cultura e desenvolvimento, dedicando-se às áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultural digital. Será a responsável pela conferência de abertura da Fligê.

Elisa Lucinda – Poetisa, jornalista, cantora e atriz. Reconhecida pela sua literatura poética, além de seus espetáculos, recitais e workshops apresentados no Brasil e exterior, Elisa tem 14 livros publicados, sendo considerada um dos maiores fenômenos da poesia brasileira.

Márcia Tiburi – Graduada em Filosofia e em Artes Plásticas, Márcia é artista plástica, professora e escritora. Seus principais temas são ética, estética, filosofia do conhecimento e feminismo. Sua publicação mais recente é o livro “Feminismo em comum”.

Jean Wyllys – Deputado federal (PSOL), professor, escritor e jornalista. É militante das causas de diversidade de gênero e de raça. Em 2015, foi apontado pela revista britânica The Economist, na “Lista Global da Diversidade”, entre 50 personalidades mundiais. Por dois anos, recebeu o título de melhor deputado federal pelo Prêmio do Congresso em Foco.

Chico César – Cantor e compositor com repercussão internacional, o paraibano Chico César é também escritor e jornalista. A maioria de suas canções são poesias de alto poder de encanto linguístico. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Mama África”, “À primeira vista” e “Pensar em você”. Sua apresentação em Mucugê será no dia 17 de agosto.

Ana Buarque de Hollanda – Cantora, compositora e atriz, foi vocalista em discos de Toquinho, Vinicius de Moraes, Fafá de Belém e Tom Jobim. Foi ministra da Cultura do governo Dilma Rousseff, quando criou um conjunto de metas para o Plano Nacional do Livro e Leitura.

Exposição com tema sobre a Serra do Sincorá acontece em julho na cidade de Lençóis

A exposição ‘Veredas do Sincorá’, que acontece entre os dias 13 a 28 de julho, no prédio do patrimônio (Iphan), na rua da Baderna, em Lençóis, na Chapada Diamantina, levará as belezas da Serra do Sincorá para os amantes das artes. Segundo o artista Dmitri de Igatu, a decisão do local para a exposição foi fácil, uma vez que a cidade de Lençóis é a “capital do turismo na Chapada”. O artista tem muita afinidade com o local retratado em pinturas de paisagens, com cachoeiras, vales, morros e toda exuberância da Chapada.

“Moro e caminho por ela há anos e pra mim é um dos lugares mais incríveis do mundo”, afirmou. Ele trabalhou com arte de rua na primeira ida ao Rio de Janeiro e pintou a Chapada nas maiores favelas da cidade, como o Complexo do Alemão e Rocinha. A técnica escolhida para essa exposição foi a pintura a óleo, uma técnica utilizada há séculos pelos maiores mestres da pintura.

Conforme contou ao Jornal da Chapada, Dmitri gostaria de percorrer outros municípios com a exposição, mas a falta de espaços culturais é uma dificuldade para ele. “Mas gostaria de atingir todas as cidades do Parque Nacional e cidades como Seabra e Itaberaba”, disse. Hoje ele tem como fonte de renda principal a atuação como guia na Chapada Diamantina, além de trilhas pelo Monte Roraima, Patagônia, Lençóis Maranhenses e outros locais da América do Sul.

Ele começou a pensar nessa exposição como uma volta à pintura. Há alguns anos sem pintar, e estava com telas, pincéis e cavaletes empoeirados, Dmitri precisou ficar mais em casa por conta da gestação da esposa e retornou à atividade. “Entre uma tela e outra pensei na exposição pra me dar um gás a mais e conseguir o espaço que queria na data que precisava”, pontuou.

A última exposição do artista foi coletiva e aconteceu no Salão de Arte da Bahia, também em Lençóis. “Participei em 2011 do Salão de Porto Seguro também, além de ganhar uma ajuda de custo do Governo, o salão ainda premia os principais trabalhos”, disse Dmitri. Ele teve ainda obras expostas no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, todas em 2008. Para conhecer mais da arte de Dmitri de Igatu basta acessar o blog www.dmitrideigatu.blogspot.com.

Nova etapa do Bioma Caatinga vai levar tecnologias para 600 criadores de caprinos e ovinos

Foi ao estilo mais sertanejo que a terceira etapa do Programa Bioma Caatinga foi lançada, na sexta-feira, 11, no auditório do Grande Hotel em Juazeiro, no norte da Bahia. Ao som da sanfona e do clássico de Luiz Gonzaga, “A morte do vaqueiro”, que o músico Silas França abriu a programação do evento.

O superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, participou da solenidade de assinatura do convênio, em parceria com o Banco do Brasil e Fundação Banco do Brasil. O projeto vai ser executado até 2019, e inclui ações de tecnologia para manejo, acesso a mercados, crédito financeiro e boas práticas de gestão na propriedade rural, serão disponibilizados R$ 1. 570.043, 96.

Para Khoury, a junção dos esforços do Sebrae e dos parceiros para atender as demandas e anseios dos produtores rurais foi crucial para o sucesso do programa e sua renovação.  “A caprinovinocultura é uma importante base da economia local e nossa missão é apoiar os criadores de animais, os empreendedores do campo, através de qualificação, inovação no manejo, elevação da qualidade dos animais e acesso a novos mercados. Nossa meta é expandir as ações do Bioma Caatinga e fazer com que se torne modelo para todo o país”, destacou.

Implantado no Norte da Bahia em 2013, o programa reúne uma equipe de profissionais e especialistas, entre técnicos agrícolas, zootecnistas e veterinários, que atuam na sede e zona rural dos municípios. Por meio de orientação técnica, já foram alcançados resultados na inovação da comercialização, colocando os criadores de animais em contato direto com a rede de varejo. Também foi possível elevar o valor de venda do animal em 15%, diminuir o tempo médio à apartação (de seis meses para dois meses), reduzir a taxa de mortalidade de animais de 50% para até 5%, além da implantação de cortes especiais para consumo em supermercados.

No ciclo III do programa, 600 criadores de caprinos e ovinos e 30 micro e pequenas empresas ligadas ao setor de caprinovinocultura serão beneficiados. As ações serão realizadas em Juazeiro, Casa Nova, Remanso, Uauá e Curaçá, municípios que concentram o maior rebanho de caprinos e ovinos do país. A meta da nova etapa do programa é fortalecer a comercialização e o acesso a novos mercados, com o apoio de especialistas em mercado e comercialização, correspondente de crédito e comunicação.

O criador de caprinos e ovinos, Arnaldo Cunha, do Distrito de Patamuté, em Curaçá, estava na maior expectativa pelo lançamento da terceira etapa do programa. Ele vem sendo atendido desde a implantação do Bioma Caatinga e comemora as mudanças que conseguiu fazer na propriedade rural e no manejo das 300 cabeças do rebanho. “A tecnologia chegou para a gente do campo. Antes o produtor criava os animais sem nenhuma orientação e vendia a baixo custo. Com as orientações dos profissionais do Bioma, tudo mudou. Cuidamos da organização da propriedade, da qualidade e acompanhamento dos animais e já conseguimos valoriza-los. Nosso preço melhorou e temos mais controle de tudo, dentro da porteira até a hora de comercializar com o supermercado”.

Foram realizadas mudanças também em alguns supermercados das cidades. O empresário José Nunes, por exemplo, inovou na forma de vender as carnes de caprino ovinos em Juazeiro. Na empresa dele, são comercializadas 3 mil toneladas dessas carnes por mês e a venda passou a ser feita em cortes especiais.   “A gente elevou o padrão e qualidade da carne, em parceria com o programa Bioma Caatinga. Fizemos treinamentos de cortes no supermercado com os funcionários e agora o consumidor escolhe a peça que deseja consumir direto na prateleira”, disse, entusiasmado, o empresário.

O superintendente regional do Banco do Brasil, Moíses Cunha, também estava na cerimônia e não escondeu a satisfação em renovar a parceria com o Sebrae e continuar fomentado a cadeia produtiva de caprinos e ovinos na região. “Nosso objetivo é apoiar o produtor e oferecer condições para que ele cresça, aumente sua renda e amplie suas atividades, e isso vem sendo atingido com o Bioma Caatinga. Vamos continuar o trabalho conjunto, investindo na capacitação e levando inovação para o homem do campo”.

Também participaram do lançamento da nova etapa do Bioma Caatinga, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, O deputado estadual Zó, o gerente regional do Sebrae em Juazeiro, Carlos Cointeiro, o analista técnico do Sebrae em Juazeiro e coordenador do Bioma Caatinga, Carlos Robério Araújo, os representantes das prefeituras de Juazeiro, Uauá, Casa Nova, Remanso e Curaçá, além de presidentes dos Sindicatos Rurais dessas cidades e instituições como ACCOSSF, Coapseri, Univasf, Uneb, Senar, Embrapa, Codevasf, Idesa e o IPC – Instituto Preservação da Caatinga.

 

Fonte: Jornal da Chapada/Ação Popular/Municipios Baianos

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