16/05/2018

Aliança PDT e PSB obrigará os outros partidos de correr atrás

 

A avaliação dos partidos de centro é que coligações sejam anunciadas somente em julho. Até lá, as legendas vão testar o apoio popular na tentativa de cacifar as campanhas para, mais à frente, vender o capital político arrecadado em caso de união. Embora reconheçam que a esquerda eventualmente venha a se fortalecer, líderes do MDB, DEM e PSDB entendem que o momento é de conversas, namoros e ensaios. E até o que for fechado agora pode mudar, uma vez que o prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto. Ou seja, quem prometer ou fechar um compromisso sério agora, ainda terá três meses para mudar de ideia.

COLOCAR PRESSÃO

Especialistas ouvidos pelo Correio consideram que uma união entre PSB e PDT colocaria pressão sobre MDB, PSDB e DEM, além de outros partidos de centro. O cientista político Paulo Calmon, diretor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), considera que o cenário de pulverização total não se manterá por muito tempo.

 

“Ainda é muito difícil prever o cenário, mas o jogo começa a mudar aos poucos. A imprevisibilidade atual não se manterá por muito tempo. A expectativa de ampliação de recursos é um fator que deve unir os partidos de esquerda e empurrar os outros (do centro) a criarem disposição para fazer composições”, sustenta Calmon.

Ele acredita que, nos próximos 30 dias, PSB e PDT vão colocar na ponta do lápis o inevitável ganho de recursos e minutos de propaganda na tevê que uma união entre ambos gerará. Também pesa a favor na balança as sinalizações de apoio de caciques do PCdoB, como o governador do Maranhão, Flávio Dino.

HÁ INCERTEZAS

O analista político Cristiano Noronha, sócio da Arko Advice, concorda que uma coligação da esquerda pressione o centro a se movimentar. Mas acredita que há incertezas no espectro político a serem solucionados. “O PSB ainda está dividido entre fazer aliança com o Ciro ou não fazer nada. O PCdoB pode embarcar em uma pré-candidatura do PT”, adverte.

As apostas dos especialistas vão no sentido de que, quando um lado destravar, seja à esquerda ou à direita, os demais se sentirão pressionados a fazerem o mesmo. No caso de alianças à esquerda se fecharem primeiro, o mais pressionado seria Alckmin, por ser o pré-candidato do espectro político melhor colocado nas pesquisas de intenção de votos, e por ter apoio de partidos da base governista, como PPS, PTB e PSD, avalia Noronha. “Vendo o PDT atrair aliados, não sobrariam muitas opções ao PSDB além de intensificar as conversas com outras legendas”, avalia.

DIÁLOGO

O PSDB, entretanto, precisa se movimentar logo, se quiser manter algum diálogo com os demais partidos. No domingo, por exemplo, em uma entrevista publicada no O Estado de São Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi incisivo ao dizer que o casamento entre o seu partido e o PSDB está perto do fim. Maia afirmou ainda que se manterá candidato, porque, até agora, nenhum dos nomes de centro obteve condições de aglutinar apoios.

 As declarações de Maia não ecoam entre os cientistas políticos. Para Noronha, por exemplo, seria estratégico os tucanos negociarem com o DEM, pela força no Nordeste, com o PP, que está em conversas com Ciro, e com o PR, que mantém diálogo com a equipe de Bolsonaro. “Será importante para evitar que os adversários criem alianças competitivas”, alerta. Conquistado esse apoio, o diálogo com o MDB não seria tão crucial, analisa o especialista. “Ao mesmo tempo em que poderia dar minutos de televisão, é um partido que traz desgastes regionais e a impopularidade de Temer”, justifica.

Sob o comando de Maia, quatro partidos devem se unir e retirar as candidaturas

A dois meses do início das convenções partidárias, um bloco de quatro partidos surgiu em Brasília, sob o comando do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e começa a dar sinais concretos de que poderá caminhar unido até outubro em prol de um candidato que tenha chances reais de vitória. Esse grupo reúne DEM, PRB, PP e Solidariedade. Três dessas legendas já lançaram pré-candidatos, que, com isso, ficam mais perto de desistir de suas campanhas.

Na segunda-feira, o presidente Michel Temer seguiu o mesmo movimento. Para ele, o lançamento de múltiplas candidaturas de centro terminaria por levar todo o bloco à derrota. Em entrevista ao blog do jornalista Gerson Camarotti no G1, Temer disse ter alertado o ex-presidente Fernando Henrique para o risco da fragmentação do centro. Para o presidente, se os partidos desse campo tiverem oito a nove candidatos nas eleições, “certamente” nenhum vencerá.

O Globo ouviu dez lideranças — entre presidentes e integrantes de executivas partidárias — das legendas envolvidas nas negociações. Em meio a um emaranhado de interesses pessoais, surge a conclusão de que o “centrão” estaria mais próximo hoje de fechar uma aliança em torno da pré-candidatura do tucano Geraldo Alckmin — a disputa entre os partidos estaria no direito de indicar o vice ao tucano.

O movimento de aproximação ganhou força na semana passada, depois de Maia reunir lideranças do DEM, PRB, PP e do Solidariedade para um jantar. Ao analisar as pesquisas eleitorais, o grupo, que tem atualmente três pré-candidaturas ao Planalto — Rodrigo Maia (DEM), Flávio Rocha (PRB), Aldo Rebelo (Solidariedade)—, fechou um acordo para que os partidos decidam juntos a apoiar o candidato mais bem posicionado no campo de centro. Alinhado a esse propósito, o PR deve decidir hoje se vai incorporar-se formalmente ao bloco.

TEMER DE FORA?

O período de convenções partidárias começa em 20 de julho. Até lá, o número de pré-candidaturas deve seguir a tendência de redução registrada nos últimos dias. Além da desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (PSB), Temer confirmou a aliados que não disputará a reeleição. A dúvida é se o ex-ministro Henrique Meirelles conseguirá pavimentar sua candidatura no PMDB.

Na semana passada, O Globo publicou um levantamento feito com 20 diretórios peemedebistas em que pelo menos 13 admitiram a possibilidade de apoio a Meirelles.

Dono da sétima bancada na Câmara, com 39 deputados, o PSD do ministro da Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, está quase fechado com Alckmin, embora o empresário Guilherme Afif ainda se apresente como um pré-candidato da legenda.

ALIANÇA

“Continuo defendendo um esforço dos partidos pela construção de uma aliança em torno de um mesmo nome. Hoje, meu sentimento (em relação às conversas) é que esse nome é Geraldo Alckmin” — disse Kassab ao Globo.

Na mesma linha, o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, após fazer discussões internas, declarou ontem sua opção pela candidatura tucana. “Nós estamos muito fechados com o Alckmin. Nós vamos com ele porque estamos passando por um período em que o mar está revolto. Alckmin é um marinheiro que tem experiência. Um homem de centro, limpo” — disse Jefferson.

MAIA DESISTIRÁ

A decisão do PTB deve ser seguida por outros partidos, como o próprio DEM. Ontem, integrantes da cúpula da sigla disseram ao GLOBO que a legenda deve aguardar até 15 de junho para que Maia retire sua pré-candidatura e libere a negociação com os tucanos. Um dos principais integrantes da cúpula do DEM defendeu a aliança com os tucanos.

“Consideramos a candidatura de Alckmin a mais viável no momento. Ele tem um ativo importante, que é São Paulo. Tem dois candidatos ao governo (João Doria, do PSDB, e Márcio França, do PSB). Não tem como fazer menos que entre 30% e 40% dos votos lá. Tem chance” — disse um parlamentar do DEM, sob a condição do anonimato.

FLÁVIO ROCHA

Apesar de a composição ser a proposta mais consolidada nas negociações em curso, publicamente, como o próprio de DEM de Rodrigo Maia fará, alguns partidos continuarão com o discurso de candidatura própria até meados de junho. Com 20 deputados na Câmara, o PRB, por exemplo, continuará sustentando o nome do empresário Flávio Rocha, que tem figurado como postulante a vice.

“Apresentei a proposta de união entre os partidos. Quem estiver melhor, lá na frente, vira cabeça de chapa. Não vamos levar em conta só intenção de voto, mas também a menor rejeição. Esse alinhamento no centro seria bom. Vamos continuar a conversar” — disse o pastor Marcos Pereira, que comanda o partido.

CIRO SE MEXE

Para além das negociações em torno da candidatura do PSDB, um grupo minoritário de partidos do centrão vem conversando com o candidato do PDT, Ciro Gomes. Para essa ala, o nome do pedetista teria mais condições de conquistar o eleitorado do Nordeste. Ciro vem conversando com líderes do PP e do PR. É esse contato que vem dificultando, por exemplo, uma definição no PR.

“É preciso esperar para que as pesquisas indiquem quais candidatos têm chances de vencer” — diz o líder do partido da Câmara, José Rocha.

As conversas se dão com base em um quadro de alta volatilidade, no qual potenciais candidatos ficarão pelo caminho. As próximas semanas serão cruciais para o amadurecimento das articulações.

A ficha da “reeleição” enfim caiu, levando Temer, Padilha e Moreira ao desespero. Por Carlos Newton

Os maiores defensores do foro privilegiado são Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Desde que chegaram ao poder, em 12 de maio de 2016, eles começaram a acalentar o sonho da reeleição, para manterem seus processos no Supremo Tribunal Federal e se beneficiarem com a lerdeza da tramitação e a velocidade da prescrição dos crimes, por já terem mais de 70 anos. Achavam que a recuperação da economia poderia alavancar a candidatura de Temer e vibraram quando saiu a pesquisa Ibope em 20 de dezembro, porque na avaliação do governo o índice “Bom/Ótimo” subiu de 3% para 6%, enquanto 16% consideraram “Regular” a gestão de Temer.

Os três mosqueteiros do Planalto (que eram quatro, contando com Geddel Vieira Lima) pensavam que esses 6% de “Bom/Ótimo” seriam automaticamente transferidos para as pesquisas eleitorais, colocando Temer em empate técnico com Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Alvaro Dias. Mas isso não ocorreu.

NÃO DECOLOU

O fato concreto é que cinco meses depois, a candidatura de Temer simplesmente não decolou. A mais recente pesquisa do Instituto Paraná, feita no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, mostra que Temer tem apenas 1,2% das intenções de voto, disputando a oitava colocação com Rodrigo Maia e Manuela D’Ávila.

A ficha então caiu no núcleo duro do Planalto, mas acontece que Temer não pode desistir da candidatura. Ele sonha em ter votos suficientes para fechar acordo com um dos candidatos no segundo turno, visando a garantir uma embaixada para si e cargos no ministério para Padilha e Moreira, para manter o trio no foro privilegiado.

Esta estratégia, porém, é apenas mais uma ilusão. A analogia fará com que a decisão do Supremo deixe de beneficiar também embaixador e ministro que tenham cometido crimes anteriores ao período do cargo/mandato.

SÓ A PRESCRIÇÃO

Os membros da “troika” palaciana estão no desespero. Sabem que a única saída é contar com a passagem do tempo, para que seus crimes prescrevam antes de serem executadas as condenações. Temer, Padilha e Moreira, com mais de 70 anos, têm direito à prescrição mais curta, pode até ser que escapem da merecida cadeia.

Outra boa maneira é ficar doente, igual aos moribundos José Genoino (que estava prestes a morrer no mensalão, lembram?), Paulo Maluf, Jorge Picciani e o coronel Lima, que há dez meses não tem forças para prestar depoimento, mas faz questão de estar sempre bronzeado. Como se sabem, Temer não goza de boa saúde; Padilha é igual a Maluf e Picciani, também usa fraldas geriátricas; e Moreira está cada vez mais magrinho, faz até dó.

 

Fonte: Correio Braziliense/O Globo/Tribuna da Internet/Municipios Baianos

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