31/05/2018

Jovens negras são maioria em casos de mortes maternas no Brasil

 

Mais da metade (54,1%) das mortes maternas no Brasil ocorrem entre as mulheres negras de 15 a 29 anos. A população negra feminina também tem duas vezes mais chance de morrer por causas relacionadas à gravidez, ao parto e ao pós-parto do que as mulheres brancas.

Segundo a Agência Brasil, a informação foi destacada pela doutora em saúde pública, Fernanda Lopes, durante as discussões da 4ª Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial (Conapir), que acontece em Brasília.

Com base em estatísticas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), a especialista, que também integra o grupo de racismo e saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), apresentou algumas variáveis que mostram a desigualdade racial no âmbito da saúde pública.

"Estas mulheres morrem com uma frequência maior, prioritariamente por hipertensão, um problema que poderia ser identificado lá no pré-natal. Mas, estas mulheres são as que menos têm informações sobre sinais de parto, que com mais frequência têm o pré-natal considerado inadequado e são aquelas que mais peregrinam até conseguirem vaga na maternidade para dar à luz", destacou Fernanda.

Apesar de o Brasil ter reduzido consideravelmente os números de mortalidade materna nos últimos anos, ainda não conseguiu atingir a meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas de reduzir em 75% o índice de mortes até 2015. A cada 100 mil nascidos vivos, ainda morrem no país uma média de 60 mulheres em idade fértil.

A pesquisadora disse ainda que as mulheres negras recebem com menos frequência recursos para alívio para a dor durante o parto, como tomar água, andar, tomar banho, ganhar massagem ou mesmo ter a opção de ser anestesiada.

Além disso, de acordo com o levantamento apresentado por Fernanda, as mulheres negras têm menos chance de ter um acompanhante durante o parto e na maternidade e estão mais sujeitas a ouvir expressões discriminatórias.

Ela cita entre os dados coletados na pesquisa frases ouvidas pelas pacientes por agentes de saúde como "na hora de fazer não reclamou". “Isso é racismo institucional, é violência obstétrica e é violência de gênero. É um tipo de violência que só as mulheres vivem”, ressaltou Fernanda.

A pesquisadora explicou que o racismo institucional na saúde se expressa pela desigualdade no atendimento dos profissionais da saúde à mulher negra e na negação a ela de acesso a proteção e direitos. Este tipo de discriminação também tem impacto na organização e no funcionamento dos serviços de saúde.

No atendimento pós-parto, os índices também apontam para uma desvantagem das mulheres negras, principalmente as mais jovens, em relação às brancas. "Em uma avaliação da estratégia da família e da Rede Cegonha se observou que eram as mulheres mais jovens e negras que recebiam com menos frequência a visita da equipe de saúde da família durante o período de puerpério", completou.

Entre as propostas para enfrentar o problema, a pesquisadora sugere que o país melhore as pesquisas sobre percepções das pacientes sobre atitudes discriminatórias nos serviços de saúde.

Bahia registra quatro novas mortes por H1N1; número de casos confirmados chega a 164

A Bahia registrou, em duas semanas, quatro novas mortes por Influenza A H1N1. De acordo com boletim da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), divulgado nesta quarta-feira (31), foram 19 óbitos relacionados à doença até 26 de maio.

O documento mostra ainda que foram confirmados 164 casos de H1N1, em 43 municípios baianos.

As mortes ocorreram em Salvador (11), Apuarema (1), Camaçari (1), Irará (1), Lauro de Freitas (1), Retirolândia (1), Saúde (1), Serrinha (1) e Vitória da Conquista (1).

Segundo a Sesab, a faixa etária de maior ocorrência ficou entre os menores de cinco anos (57 casos e sete óbitos) e maiores de 60 anos (24 casos e cinco óbitos), sendo que 66,6% dos óbitos ocorreram no grupo dos menores de cinco anos. Nesta terça, o Ministério da Saúde anunciou a prorrogação da Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe até 15 de junho.

Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe é prorrogada até 15 de junho

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (29) a prorrogação da Campanha Nacional de Vacinação até 15 de junho em todo o país.

A medida foi adotada em decorrência de possíveis impactos da paralisação dos caminhoneiros no transporte público e nos atendimentos em serviços de saúde. O encerramento da campanha estava previsto para esta sexta-feira (1º).

"É muito importante que as pessoas consideradas do grupo-prioritário procurem os postos para se protegerem contra a gripe. A vacina é a medida mais eficaz para evitar a doença e garante proteção às pessoas com mais risco de desenvolverem a forma grave da doença", ressaltou a coordenadora-substituta do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, Ana Goretti.

De acordo com a pasta, 18,8 milhões de pessoas ainda não foram vacinadas em todo o país. A expectativa é imunizar 54,4 milhões de pessoas até o dia 15 de junho. Após o fim da campanha, caso haja disponibilidade de vacinas nos estados e municípios, a vacinação poderá ser ampliada para crianças de cinco a nove anos de idade e adultos de 50 a 59 anos. O ministério reforçou a importância da vacinação dos grupos prioritários, em especial, crianças, gestantes, idosos e pessoas com comorbidades, público com maior risco de complicações para a doença.

Conter aquecimento global evitaria milhões de casos de dengue na América Latina, diz estudo

Limitar o aquecimento global a 2°C poderia evitar 2,8 milhões de casos de dengue por ano até o fim do século na América Latina, de acordo com um novo estudo internacional feito com participação brasileira.

Segundo a pesquisa, um limite de aquecimento de 1.5°C representaria uma redução 3,3 milhões de casos anuais até 2100 no continente, sendo 1,4 milhão só no Brasil.

O estudo, que teve seus resultados apresentados nesta segunda-feira (28), em artigo publicado na revista científica PNAS, também revela que limitar o aquecimento do planeta impediria que a dengue se intensificasse em áreas onde a incidência é atualmente baixa, ou que se espalhasse por áreas do continente onde ainda não há casos.

Para fazer as projeções, os pesquisadores estudaram registros clínicos e laboratoriais de casos de dengue confirmados na América Latina e elaboraram um novo modelo computacional capaz de quantificar as variações na transmissão de dengue na América Latina diante de diferentes cenários de aquecimento global.

Segundo os cientistas, a dengue infecta anualmente 390 milhões de pessoas no mundo, sendo 54 milhões na América Latina. As reduções no número de casos de dengue em cenários com aquecimento limitado a 2°C e 1.5°C - as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris - foram calculadas em comparação ao número de casos estimados para 2100 se as temperaturas médias subirem a 3,7°C, que é a elevação esperada caso as emissões de carbono continuem nas taxas atuais, sem nenhuma medida para deter o aquecimento global.

O Acordo de Paris, estabelecido em 2015, determina que os 195 países signatários se esforcem para conter o aquecimento global a menos de 2°C até o final do século, com tentativas de atingir uma meta mais ambiciosa de limitar o aquecimento a 1,5°C, em comparação aos níveis pré-industriais.

De acordo com o novo estudo, limitar o aquecimento a 2°C representaria uma redução de 800 mil casos por ano até 2050 e de 2,8 milhões de casos por ano até 2100. Limitar o aquecimento a 1,5°C produziria uma redução de 1,1 milhão de casos anuais até 2050 e de 3,3 milhões de casos por ano até 2100.

O Brasil, segundo os pesquisadores, seria um dos países mais beneficiados com a limitação da temperatura média global às metas mais ambiciosas do Acordo de Paris.

Com uma limitação do aquecimento a 1,5°C, o País evitaria 500 mil casos por ano até 2050 e .1,4 milhão de casos anuais até 2100.

De acordo com o primeiro autor do estudo, o pesquisador mexicano Felipe Colón-González, da Escola de Ciências Ambientais da Universidade East Anglia (Reino Unido), a pesquisa demonstra que limitar o aquecimento global a 2°C ou 1.5°C poderia trazer importantes benefícios à saúde humana.

"Existe uma preocupação crescente sobre os potenciais impactos das mudanças climáticas sobre a saúde humana. Embora já se reconhecesse que limitar o aquecimento a 1.5°C traria benefícios à saúde humana, a magnitude desses benefícios ainda não havia sido quantificada", disse Colón-González.

O cientista brasileiro Carlos Peres, também da Universidade East Anglia, coautor do estudo e orientador do pós-doutorado de Colón-González, chama a atenção para os impactos econômicos de um aumento continental dos casos de dengue.

"Muitas vezes se pensa que o custo para combater as mudanças climáticas é muito alto. Mas o estudo mostra que, se não houver uma limitação do aquecimento global, teremos uma intensificação dos casos de dengue nos lugares onde eles já ocorrem e, principalmente, haverá uma expansão geográfica da incidência da doença. Essa expansão terá um impacto substancial nos sistemas de saúde, com um custo muito maior que o do combate às mudanças climáticas", disse Peres ao jornal O Estado de S. Paulo.

Os impactos econômicos negativos gerais do aquecimento global - incluindo saúde pública, agricultura e custos ligados a eventos extremos - já haviam sido quantificados por outro estudo, publicado na revista Nature no dia 23 de março: manter o aquecimento no limite de 1.5°C até 2100, em vez de 2°C, representaria uma economia de US$ 20 trilhões.

Segundo os autores do novo estudo, a costa do Brasil, o sul do México, o Caribe, o norte do Equador, a Colômbia e a Venezuela seriam os locais mais afetados pelo aumento dos casos de dengue provocado pelas mudanças climáticas.

Como o mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti, vive em locais quentes e úmidos, o aquecimento global também aumentaria os limites geográficos da doença, incluindo locais onde a incidência é atualmente muito baixa, como o Paraguai e o norte da Argentina.

De acordo com outro dos autores do estudo, Iain Lake, também da Universidade East Anglia, entender e quantificar os impactos do aquecimento na saúde humana é crucial para que os sistemas de saúde pública se preparem e possam responder às epidemias.

"O aquecimento já chegou a 1°C acima dos níveis pré-industriais e, na atual trajetória, se os países cumprirem suas propostas de redução do CO2, chegaremos a 3°C. Portanto, fica evidente que há muito a ser feito para reduzir o CO2 rapidamente, se quisermos evitar esses impactos", disse Lake. Além de Peres, Colón-González, e Lake, também participaram do estudo Ian Harris, Timothy Osborn, Paul Hunter - todos da Universidade East Anglia - e Christine Steiner São Bernardo, da Universidade Federal do Mato Grosso.

 

Fonte: BN/Municipios Baianos

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