05/06/2018

Energia solar gera 13 mil empregos no interior baiano

 

Desde que a Aneel realizou o primeiro leilão para produção de energia solar na Bahia, em 2016, o interesse de pequenos e médios empreendedores pelo setor não para de crescer. Em Salvador, pelo menos 10 empresas que vendem ou alugam placas fotovoltaicas foram criadas nesses três anos.

Maior estado da região mais ensolarada do Brasil, a Bahia ocupa o primeiro lugar em produção de energia solar, que já emprega, segundo o governo do estado, cerca de 13 mil pessoas no interior, vagas criadas após investimentos de R$ 2,2 bilhões. As autoridades contam com mais nove empreendimentos, em um total de R$ 1 bilhão em investimentos, que gerariam mais sete mil empregos no sertão.

“A Bahia é considerada o estado de maior potencial solar do país devido à sua grande extensão territorial e ao alto índice de radiação solar, superior a 6,5 kWh/m²”, afirma Alex Álisson, coordenador do Programa de Pós-graduação em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial.

Enquanto essa onda de placas fotovoltaicas espalhadas por Bom Jesus da Lapa, Tabocas do Brejo Velho e outros municípios traz esperança de atração de indústrias ao semiárido, em Salvador jovens empreendedores apostam cada vez mais na venda e aluguel de pequenas placas fotovoltaicas para residências, comércio e pequenas indústrias. Um movimento que começou logo que saíram os primeiros leilões de energia solar.

O engenheiro civil baiano Lucas Daltro trabalhava para uma multinacional no Maranhão quando aconteceu o primeiro leilão. A vontade de voltar para casa depois de sete anos fora e a oportunidade que se abria no mercado de energias renováveis o levaram a criar a Azulare Engenharia, que vende e aluga placas fotovoltaicas.

“Eu queria um negócio que unisse possibilidade de desenvolvimento financeiro com sustentabilidade”, explica Daltro, que vê no setor uma das atividades econômicas mais promissoras do país, com a vantagem de agredir pouco o meio ambiente.

Atlas Solar da Bahia

A aposta no setor é tamanha que no dia 17 de maio, durante a Campus Party Bahia, na Arena Fonte Nova, o governo lançou a Atlas Solar da Bahia, um guia sobre as possibilidades de investimento. Mas, assim como todo negócio, o investimento demanda cautela.

O gerente de tecnologia e inovação do Senai-Cimatec, Flávio Marinho, afirma que quem quer começar deve conhecer profundamente a cadeia produtiva relacionada à geração solar. “É preciso observar o que já vem sendo feito em outros países, que já fizeram este caminho e possuem cadeias robustas para explorar esta nova matriz energética”, declara.

Marinho também chama a atenção para a importância da inovação. “Observar o que pode ser feito de formas melhores e encontrar rupturas nos modelos tradicionais de produção e distribuição podem ser alternativas para se pensar em novos negócios”, diz.

Foi justamente o que fez João Albernaz Neto, um dos sócios da Gauss Energia. Depois de um período vivendo na Irlanda e na Alemanha, ele percebeu que a experiência no exterior foi inspiradora. “Todos nós (os quatro sócios) moramos na Europa e vimos coisas que queríamos implantar na Bahia”, diz Neto.

A Gauss já realizou mais de 30 projetos de instalação de placas fotovoltaicas em Salvador, Camaçari, Irecê, Nova Soure e outras cidades. O nome da empresa homenageia o cientista alemão Carl Friederich Gauss (1777-1855).

Depois de investir em um programa de sustentabilidade para os lançamentos da Construtora Civil e lançar projetos em conjunto com a Construtora Barcino Esteves, o empresário Rafael Valente uniu-se aos sócios para um novo empreendimento: a Civil Eco. “A empresa é voltada para o negócio da geração de energia solar e também projetos inovadores. Temos um foco nas startups”, diz Vinícius Mariano, um dos sócios.

O cenário parece animador. Em artigo publicado pelo site da revista Forbes no último mês de abril, o analista britânico Garauv Sharma aponta que pela primeira vez os custos de produção da energia renovável são menores do que os da energia de combustíveis fósseis (petróleo, nuclear). E o Brasil, segundo a mesma revista, é um dos países que mais devem se beneficiar da energia solar, tanto em geração de kWh quanto em criação de empregos no setor. Melhor para a Bahia, líder na produção.

Crescimento de consciência ambiental impulsiona novos negócios verdes

Embora o dia 5 de junho seja a data escolhida para celebrar o Dia do Meio Ambiente, as atenções podem ser voltadas para o tema durante todo o ano. Seguindo esse princípio, empreendedores buscam estar atentos à legislação ambiental e, em alguns casos, investem em negócios que têm a sustentabilidade como principal foco de trabalho.

“Nos últimos anos, a sociedade brasileira tem estado mais consciente em relação ao meio ambiente. Isso levou à abertura de negócios verdes, pois, através deles, há a possibilidade de criar uma boa imagem perante o consumidor”, aponta Eduardo Garrido, analista da Unidade de Gestão de Portfólio do Sebrae Bahia.

Uma pesquisa de mercado realizada no ano passado pelo instituto de pesquisa online Opinion Box buscou entender a preocupação dos consumidores em geral com a sustentabilidade. O levantamento apontou que, dos 2.040 internautas entrevistados, 54% dão preferência a empresas ou marcas reconhecidas pelos cuidados ambientais. Na mesma amostra, 42% afirmaram se preocupar muito com as políticas sustentáveis de uma empresa ou marca.

O desejo de cultivar hortas aliado à preocupação com o meio ambiente motivou a administradora Josivânia Virgens a criar a Jardim Pocket, empresa que comercializa plantas em latinhas feitas com material reciclável. Criada este ano, a empresa vende os produtos em sete pontos físicos distribuídos entre as cidades de Salvador e o município de Lauro de Freitas, e também pela internet.

“Temos o objetivo de ajudar as pessoas a cultivarem hortas e jardins em pequenos espaços, mesmo aquelas que possuem pouca ou nenhuma experiência”, afirma ela, que, antes de morar em Salvador, mantinha pequenas plantações em Catu, cidade onde morava.

Josivânia acrescenta que o descarte adequado dos resíduos também é seguido pela Jardim Pocket. “Todo o lixo gerado na produção dos kits Jardim Pocket é separado e direcionado aos pontos de coleta seletiva de lixo”, completa.

Livre de agrotóxicos

Ao investir na criação de uma empresa voltada à produção de derivados orgânicos do coco verde, livres de agrotóxicos, o ecólogo Kléber Alves percebeu que a preocupação com a sustentabilidade lhe possibilitaria maiores chances de sucesso econômico. Sediada na cidade do Conde, litoral norte baiano, a Finococo atua no mercado desde 2001 e fabrica produtos como coco ralado, farinha e óleo.

“Ser ecólogo me deu maiores noções para investir. Caso eu não cumprisse exigências e recomendações ambientais, o fracasso, mesmo que demorasse, chegaria”, analisa. Atualmente, a empresa vende para outros estados do país e também para o exterior.

Em alguns casos, o ativismo pode ser um fator determinante para a abertura de um negócio verde. Vegana, a analista de marketing Lorena Passos criou em 2017, com a ajuda da mãe, a Baunilha Haus, linha de cosméticos que utiliza matéria-prima de origem vegetal. Os produtos são vendidos pela internet através de um site próprio, e em pontos físicos nas cidades de Salvador e Aracaju (Sergipe).

As embalagens dos cosméticos são retornáveis e, por isso, o cliente que devolvê-las recebe 15% de desconto na próxima compra. “Vimos como uma forma de incentivar os próprios clientes a terem consciência acerca da sustentabilidade”, pondera. Em fevereiro, deste ano, a novidade foi o lançamento de esmaltes biodegradáveis, com material de fácil decomposição.

Para quem ainda está iniciando no mercado e tem dúvidas sobre como montar negócios sustentáveis, o Sebrae oferece suporte especializado por meio do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), criado em 2010, com sede no estado do Mato Grosso e atendimento em todos estados do Brasil, inclusive na Bahia.

Mesmo nos negócios sustentáveis, é preciso ter cautela. “Se o empreendedor ou empresário não se atentar à legislação ambiental, ele pode sofrer punições que vão desde o embargo à interdição do negócio”, reforça o analista do Sebrae.

Fórum de Sustentabilidade acontece em Salvador no dia 7 de junho

Inovação ambiental e startups da construção civil estão entre os destaques da 9ª edição do Fórum de Sustentabilidade, evento realizado pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA). O evento acontece no dia 7 de junho, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, e já está com inscrições abertas através do site da associação.

A programação faz parte da Semana Nacional do Meio Ambiente, criada em referência ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho e conta com a parceria da Caixa Econômica e Bahia Gás. O investimento é de R$80,00 e R$40,00 (estudante). Dentre os participantes do Fórum está Eduardo Pedreira, professor da Fundação Getúlio Vargas e coautor do livro "Gestão de Negócios Sustentáveis", na oportunidade, ele irá falar sobre o desafio de inovar ambientalmente.

Chamadas de ConstruTechs, as startups da construção civil, que possuem uma linha de produção totalmente automatizada promovendo a economia de recursos e resíduos, integram a programação. A TecVerde, startup do Paraná considerada uma das melhores do Brasil, também já confirmou presença e promete surpreender a todos com os conceitos de tecnologia mais avançados do mundo para construções mais eficientes.  As startups baianas Construcode e Engpiso também participam do evento apresentando seus cases de sucesso.

* Serviço:

9ª EDIÇÃO DO FÓRUM DE SUSTENTABILIDADE DA ADEMI-BA

Quando: 7 de junho, das 14h às 17h30

Onde: Teatro Eva Herz da Livraria Cultura (Salvador Shopping)

Inscrições: ademi-ba.com.br

Investimento: R$80,00 (inteira) e R$40,00 (meia)

 

Fonte: A Tarde/Municipios Baianos

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