05/06/2018

Bahia terá fábrica de insulina em parceria com empresa ucraniana

 

Em Dias D’Ávila, Região Metropolitana de Salvador (RMS), a Bahiafarma e a Indar Laboratórios deverão construir uma nova fábrica de insulina no País. O anúncio, feito esta semana em Kiev, Ucrânia, onde fica a sede da farmacêutica, representará um novo passo para a autonomia na produção do medicamento, usado atualmente por dois milhões de brasileiros e que vem importado de outros países com custo em dólar. O projeto envolverá um investimento de R$ 100 milhões e irá nacionalizar as variações R e NPH – as mais usadas pelos doentes.

A evolução do diabetes tipo 2 no País é preocupante, segundo o Ministério da Saúde: entre 2006 e 2016 o diagnóstico de novos doentes avançou 61,8% e constatou que 8,9% da população tem a doença. A parceria para o desenvolvimento produtivo (PDP) não é inédita no Brasil, mas prevê que a Indar inicie um novo processo de transferência de tecnologia, que começa com a importação do produto acabado.

O primeiro lote já foi distribuído ao Sistema Único de Saúde (SUS) e irá cobrir toda a Bahia e outros 16 estados do Nordeste e também Sul e Sudeste, suprindo de imediato metade da demanda. Segundo o acordo, o próximo passo será a produção local das embalagens e, por fim, a droga em si, usando tecnologia desenvolvida na Ucrânia.

“É um projeto com nível de complexidade alto, mas seguimos um cronograma que prevê um ano de planejamento e devemos começar a obra até o final do ano e concluir em três anos”, explicou Ronaldo Dias, presidente da Bahiafarma.

Diabetes e trombose

A reportagem de A Tarde foi até Kiev para conhecer as instalações da Indar, a convite da Bahiafarma. Em um edifício amplo ao redor da capital, onde funcionou um laboratório de controle soviético desde os anos 1970, a Indar iniciou as atividades em 1997 com participação da iniciativa privada, mas também com investimentos do governo.

A fabricação de insulina começou no ano seguinte, e, além do medicamento para controle do diabetes, a empresa mantém no portfólio uma linha de antitrombóticos, fitas para teste, entre outros produtos. Além de conhecer a linha de produção, tivemos acesso a todas as etapas, desde a filtragem do ar e da água ao setor dos laboratórios e envasamento, sempre sob o olhar cuidadoso de Lyudmila Solyanik, diretora de qualidade.

“Desde a inspeção das embalagens de vidro, que vêm de um fornecedor europeu, passando pela parte laboratorial do cultivo da insulina até o embalo, o processo leva meses, requer cuidados já verificados pelas autoridades para um produto seguro”, afirmou Lyudmila durante a visita guiada que durou quase duas horas.

No final do processo, os vidros ficam armazenados a uma temperatura constante de 4° C, onde são colocados em caixas térmicas e seguem de caminhão até Frankfurt, na Alemanha, onde são acondicionadas numa câmara fria em aviões de carga e de lá seguem até o Brasil.

Histórico polêmico

No bilionário mercado de insulina distribuída pelo SUS atuam gigantes como a Novo Nordisk, da Dinamarca, a Eli Lilly, dos Estados Unidos, e a francesa Sanofi.

Segundo a Bahiafarma, o processo de consulta do governo brasileiro até a aprovação foi totalmente cumprido pela empresa, informação que não é unânime no meio farmacêutico por vários percalços.

Em 2006, o governo ucraniano formalizou a primeira parceria entre a Indar, que é uma empresa mista, e a Farmanguinhos. Anos depois, o acordo foi desfeito e a responsabilidade sobre a transferência de tecnologia passou para a Bahiafarma.

A Anad (Associação Nacional de Atenção ao Diabetes), que tem entre seus associados os fabricantes já citados, divulgou no ano passado um documento onde justifica que os produtos da Indar são de “baixa qualidade”. Em 2008, a importação da insulina ucraniana foi suspensa pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas em 2011 a parceria foi retomada.

No ano seguinte, a Indar foi abalada por outra crise. A presidente Lyobov Vishnevskaya, passou a responder a processos por corrupção e desvio de US$ 1,5 bilhão em propinas, uma vez que sua empresa passou a ganhar inúmeras licitações na Ucrânia. Segundo a Anad, a Indar também utilizava matéria-prima chinesa, da cidade de Dongbao, que chegava à Ucrânia como “substância não esterilizada”, e, após abertura de um processo de investigação, a parceria com a Farmanguinhos foi extinta em 2015.

No meio do divórcio, a Indar havia contratado uma auditoria independente para apurar as irregularidades, que, segundo os diretores do laboratório, já foram sanadas. Em entrevista, Lyobov afirmou que a Indar nunca adquiriu matéria-prima da China e que não tem parceiros comerciais naquele país.

PRESIDENTE DA BAHIAFARMA DIZ QUE CUSTO DA SUBSTÂNCIA CAIRÁ

O processo de certificação da nova empresa que atuaria com a Indar iniciou-se no final de 2016. “A parceria começou no dia 25 de dezembro, quando estávamos em um hotel trabalhando nesse projeto para apresentarmos ao Ministério da Saúde nos primeiros dias de janeiro”, afirma Ronaldo Dias. Em 2016, o preço de um frasco de insulina era US$ 12 e hoje custa US$ 2,80 ao governo, cifra que deve ser menor quando a unidade estiver funcionando em Dias D’Ávila.

Em agosto de 2017, após firmar novo acordo com os ucranianos, o governo da Bahia viu uma nova ameaça quando em novembro uma inspeção da Anvisa em Kiev havia encontrado problemas nas instalações da Indar, que, segundo o laboratório, eram “inconformidades pequenas”. No início de 2018, após novos testes, a importação foi liberada.

A atual presidente eleita pelo conselho, Lyubov Vyshnevska, tem 45 anos, autodeclara-se “viciada” em trabalho e tem aperto de mão firme e uma certa timidez. Ao receber nossa reportagem no segundo andar do laboratório que dirige, ela já havia reunido na sala ao lado diretores, médicos de varias regiões da Ucrânia, além de usuários da insulina fabricada pela Indar.

A intenção era mostrar como o sistema de saúde local utiliza as insulinas e a taxa de sucesso de sua aplicação com uso continuado. Segundo a Indar, os testes mais recentes do produto feitos com 2.140 pacientes mostram que 0,08% deles tiveram alguma reação adversa. “Não basta fabricar a insulina, mas educar as pessoas a conviver com o diabetes é um fator importante”, pontuou Valeriy Andreychuk, médico endocrinologista-chefe de Kiev.

Valentyna Ocheretenko, diretora da Associação de Diabéticos da Ucrânia, afirmou que o produto é usado há três décadas com sucesso, sendo que em toda a Ucrânia há 1,38 milhão de diabéticos e 30% recebem do governo a insulina recombinante da Indar.

ANS suspende vendas de 31 planos de saúde

Doze operadoras de saúde suplementar serão proibidas de comercializar 31 planos de saúde a partir de sexta-feira (8). A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com base em reclamações recebidas pelo Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento da agência reguladora, durante o primeiro trimestre deste ano.

Foram analisadas cerca de 14 mil reclamações no período, a maioria (39,53%) por causa de questões gerenciais, como autorização prévia, franquia, coparticipação etc. Também houve grande número de problemas relacionados ao rol de procedimentos e coberturas (15,85%) e prazos máximos para atendimento (15,04%).

Os planos atendem a 115,9 mil beneficiários, que não são afetados pela medida, uma vez que os planos são obrigados a manter a assistência aos clientes. A decisão da ANS proíbe apenas a venda para novos clientes.

A suspensão é temporária e pode ser revertida se as operadoras comprovarem melhoria no atendimento nesses planos. Trinta e três planos de 16 operadoras, que haviam sido suspensos anteriormente, por exemplo, serão reativados a partir de sexta-feira.

OMS lança plano de ação global para incentivo da atividade física

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lança nesta segunda-feira (4) um plano de ação global em prol da atividade física. "Ser ativo é fundamental para a saúde. Mas, no mundo moderno, isso tem se tornado mais e mais um desafio, principalmente pelo fato das cidades e comunidades não serem projetadas de forma correta", disse o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Guebreyesus.

"Precisamos de líderes em todos os níveis para ajudar as pessoas a dar passos mais saudáveis. Isso funciona melhor a nível municipal, onde grande parte da responsabilidade recai em criar espaços mais saudáveis", completou.

Segundo a Agência Brasil, o plano de ação mostra como os países podem reduzir o sedentarismo em adultos e adolescentes em 15% até 2030.

O documento recomenda ainda um total de 20 áreas de políticas que, combinadas, visam criar sociedades mais ativas por meio de melhorias nos ambientes e em oportunidades para pessoas de todas as idades e habilidades.

Dados da OMS indicam que, em todo o mundo, um em cada cinco adultos e quatro em cada cinco adolescentes (11 a 17 anos) não praticam atividade física de forma suficiente. A atividade física regular, segundo a organização, é chave para prevenir e tratar doenças não-transmissíveis como doença do coração, derrame, diabetes e câncer de mama e de colo.

O grupo responde por 71% de todas as mortes registradas no mundo – incluindo a morte de 15 milhões de pessoas todos os anos com idade entre 30 e 70 anos.

O sedentarismo, segundo dados da OMS, representa custos estimados da ordem de US$ 54 bilhões no atendimento à saúde, dos quais 57% são registrados na rede pública de atendimento, além de US$ 14 bilhões atribuídos à perda de produtividade.

Quimioterapia pode ser dispensada em alguns casos de câncer de mama, diz estudo

Cerca de 70% mulheres em estágio inicial de câncer de mama podem ser tratadas com remédios hormonais, ao invés de quimiotereapia, segundo uma pesquisa publicada pela Sociedade Americana de oncologia Clínica, em Chicago. A conclusão é de que o tratamento hormonal é tão eficiente quanto a quimioterapia para grande parte dos casos de tumores mamários que ainda não se espalharam pelo corpo.

"Podemos poupar milhares e milhares de mulheres de receber um tratamento tóxico que na verdade não as beneficiaria", disse Ingrid Mayer, médica do Centro Médico da Universidade Vanderbilt e autora do estudo ao The New York Times.

De acordo com os pesquisadores, no lugar da quimioterapia, seria usado um remédio que bloqueia o hormônio estrogênio, chamado tamoxifeno.  Esse tipo de tratamento também é conhecido como terapia endócrina. Para eles, essa alternativa reduz o risco de recidiva, surgimento de novos tumores de mama e morte causada pela doença. No entanto, a terapia pode causar efeitos colaterais, como calor, sintomas associados à menopausa, ganho de peso, dores musculares e nas articulações, mas ainda é considerado menos invasivo que a quimioterapia.

 

Fonte: A Tarde/Tribuna/Agencia Brasil/BN/Municipios Baianos

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