05/06/2018

Saúde: Doenças raras já atingem 13 mil brasileiros

 

Atualmente, 420 milhões de pessoas enfrentam doenças raras no mundo. O número representa de 6% a 8% da população mundial ou, em termos práticos, a mesma quantidade de habitantes da América Latina. No Brasil, estima-se que haja cerca de 13 mil pacientes com a condição.

Dra. Carolina Fischinger, médica geneticista da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), explica que são doenças que diminuem a qualidade e a expectativa de vida do paciente. “Sua rápida progressão pode ser controlada por meio de tratamento e acompanhamento específico, que deve ser iniciado o quanto antes. Por isso, o diagnóstico precoce é crucial”, comenta.

Por isso, o teste do pezinho, por exemplo, é tão importante. Ele consiste em coletar uma pequena amostra de sangue do calcanhar do bebê, região rica em vasos sanguíneos – por isso, o nome popular –, e analisá-la por meio de uma série de exames laboratoriais. A finalidade é detectar doenças que, se não diagnosticadas e tratadas precocemente, causam graves problemas de saúde e comprometem a qualidade de vida da criança.

De acordo com Dra. Helena Pimentel, médica geneticista, consultora do Ministério da Saúde e diretora médica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) Salvador, a Bahia tem uma cobertura da triagem neonatal que chega a 90%.

“Varia um pouco de um ano para o outro, mas temos lutado muito para trabalhar essa questão. O que é importante ressaltar, mesmo os que fazem o exame na rede privada, é que a triagem neonatal não é só um exame. A mãe e o pediatra precisam estar atentos aos resultados para evitar que a criança tenha um problema mais grave futuramente”, argumenta a especialista.

Apesar de 80% das doenças raras serem de origem genética, o número de médicos brasileiros especialistas na área ainda é pequeno para atender a população. “Na Bahia, os geneticistas atuantes não chegam a oito pessoas e no Brasil não chega a 300 profissionais trabalhando com genética. O que é compreensível porque a genética é relativamente nova. A política de (doenças) raras beneficiaria muito a abertura de serviços que tivessem geneticista, o que faria com que os médicos se interessassem em fazer genética”, complementa Pimentel.

Casos

Além disso, existe o pouco conhecimento tanto por parte da sociedade quanto dos profissionais de saúde. Foi o caso de Dudu Próspero, 28 anos, que tem mucopolissacaridose (MPS) nível 6, doença genética rara pertencente às enfermidades do grupo de erros inatos do metabolismo. A jornada começou com seu irmão mais velho, Niltinho, diagnosticado com a doença aos 5 anos.

“Embora já existisse uma investigação sobre a condição do meu irmão, eu não tinha características tão explícitas. Isso acabou passando despercebido pelos médicos e meu diagnóstico foi difícil. Eu não tive uma progressão tão grave quanto a do meu irmão, que faleceu aos 6 anos. Porém, a partir dos meus 5 anos, a doença começou a avançar”, conta Dudu, que perdeu a visão, audição e teve o comprometimento do sistema respiratório.

Hoje, os pacientes de MPS têm uma condição de vida melhor em comparação a um passado não muito distante. São muitas conquistas, mas ainda há muito o que fazer.

“Precisamos avançar em disseminação da informação, políticas públicas e acolhimento. Desabastecimento de medicamentos, por exemplo, ainda é um problema a ser tratado com o governo”, conclui Regina Próspero, mãe dos irmãos Dudu e Niltinho e agora presidente do Instituto Vidas Raras.

Se não for bem tratada, meningite pode levar a morte

A morte de um idoso, de 75 anos, com diagnóstico de meningite bacteriana, na manhã da última quinta-feira, no Hospital da Base de Itabuna, sul do estado, chama a atenção para os cuidados com a doença que, de acordo com o último Boletim Epidemiológico emitido pela Secretaria de Saúde estadual (Sesab), levou a óbito 48 pessoas (17,5% desse total pelo tipo bacteriana), além dos 461 casos registrados (33% pelo mesmo tipo) pelo órgão ano passado.

De acordo com o G1, Manoel Ferreira de Oliveira, 75 anos, chegou à unidade na terça-feira, em estado grave. O idoso morava no distrito de Areia Branca, município de Jussari, distante cerca de 50 km de Itabuna e a 505 km de Salvador. Ele chegou a ser medicado, mas não resistiu. O sepultamento ocorreu também na última quinta-feira.

Conforme informações do hospital, o idoso chegou desorientado, com situação grave de otite, que é uma infecção no ouvido. Ainda segundo o portal, com suspeita de que o quadro tivesse evoluído para meningite, o paciente foi isolado e um exame constatou o diagnóstico de meningite bacteriana. Em caso de uma infecção acentuada, há o risco de a otite desencadear uma meningite, pois a meninge passa próximo do ouvido médio.

Causas

De acordo com o Ministério da Saúde, a meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus, parasitas e fungos, ou também por processos não infecciosos. As meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, devido sua magnitude, capacidade de ocasionar surtos e, no caso da meningite bacteriana, a gravidade dos casos.

No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no inverno e, das virais, no verão. Ao longo de todo o ano de 2016, a Sesab registrou 517 casos – 210 do tipo viral e 151 do tipo bacteriana –, com 50 mortes pela doença.

Segundo especialistas, os principais sinais e sintomas são febre, dor de cabeça, vômitos, náuseas, rigidez de nuca e/ou manchas vermelhas na pele. O diagnóstico de meningite pode ser feito tendo como base o histórico do paciente, um exame físico e alguns exames específicos, como cultura de sangue e exames de imagem que procurarão por sinais de infecção pelo corpo.

A transmissão da doença, de acordo com o Ministério da Saúde, ocorre de pessoa a pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Ou seja, é contagiosa. Entre as formas de prevenção estão, além da vacinação, evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.

Ainda conforme o Ministério, o tratamento é feito é feito de acordo com a causa da meningite diagnosticada pelo médico, variando desde o tratamento para alívio dos sintomas (nas meningites virais e traumáticas) até a antibioticoterapia. De um modo geral, esta é administrada por via venosa por um período de 7 a 14 dias, ou até mais, dependendo da evolução clínica e do agente etiológico.

A precocidade do tratamento e diagnóstico são fatores importantes para o prognóstico satisfatório das meningites. Quanto mais rápido o atendimento médico, maiores as chances de uma boa recuperação do paciente, reduzindo o risco de óbito ou sequelas como paralisia dos membros, perda auditiva, perda da visão, entre outros.

Glaucoma atinge 70 milhões de pessoas em todo o mundo

O glaucoma é considerado a segunda causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e acomete aproximadamente 70 milhões de pessoas em âmbito global.

Doença silenciosa e causada principalmente por uma elevação da pressão intraocular, caso não seja tratada imediatamente, pode levar a cegueira irreversível.

Não existem dados específicos a respeito da quantidade de pessoas com a doença no Brasil, porém, de acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que aproximadamente 900 mil brasileiros possuem a condição.

Segundo o estudo Global Prevalence Of Glaucoma And Projections Of Glaucoma Burden Through 2040: a Systematic Review and Meta-Analysis (prevalência global de glaucoma e projeções de carga até 2040: uma revisão sistemática e metanálise, em tradução livre), a faixa etária mais atingida pela doença é entre os 40 e 80 anos.

Em 2013, de acordo com o relatório, 64,3 milhões destas pessoas possuíam a condição.

A projeção para 2020 é de 76 milhões e, em 2040, 111,8 milhões. Estes números mostram que o glaucoma é um problema crescente, porém o tratamento só será eficaz se a doença for diagnosticada precocemente.

Diagnóstico

Para que não haja um diagnóstico tardio, de acordo com o presidente do XVIII Congresso Internacional de Catarata e Cirurgia Refrativa, que ocorreu em São Paulo entre os dias 16 e 19 de maio, Prof. Dr. Gustavo Victor de Paula, é necessário que a população insira idas ao oftalmologista na rotina ao menos uma vez ao ano.

“Atualmente as pessoas estão acostumadas a procurar um médico apenas em casos nos quais precisam utilizar óculos de grau. Porém isso é perigoso. O glaucoma é uma doença silenciosa, vai tirando a visão do indivíduo aos poucos e ele sequer percebe. Por essa razão, por meio de exames mais profundos, os profissionais conseguem identificar qualquer tendência à doença e já iniciar um tratamento para poder prevenir sua expansão e, consequentemente, a cegueira”, disse o especialista.

Em alguns casos, o glaucoma é causado pelo aumento da pressão intraocular do indivíduo. Porém as causas ainda não são totalmente conhecidas pelos especialistas. Por outro lado, de acordo com alguns estudos, má circulação, redução sanguínea no nervo óptico ou uso de corticoides podem influenciar para seu desenvolvimento.

Segundo Dr. Gustavo, uma das maneiras para brecar o aumento de pessoas com a doença seria a inserção de idas ao oftalmologista na rotina, porém a prática de políticas públicas e ações frequentes para que haja a conscientização também são considerados itens primordiais.

Prevenção

O ministro da Saúde, Bruno Occhi, marcou presença no penúltimo dia do congresso e, em entrevista exclusiva ao A TARDE, ressaltou as ações de políticas públicas que o ministério possui no Brasil inteiro para prevenção da doença.

“Nós, além de ressarcirmos e financiarmos qualquer tipo de tratamento, também fornecemos aos estados o colírio para que essas pessoas possam continuar se cuidando. Esta é uma ação que está dentro de todas as demais ações de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse o ministro Bruno Occhi.

No último dia 26, foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. Em comemoração à data, foram realizados exames oftalmológicos gratuitos no Shopping Center Lapa, no centro de Salvador.

Segundo Dr. Gustavo, ações como esta são extremamente importantes e não apenas em dias específicos, mas no decorrer de todo o ano.

“Apesar de demandar toda uma logística, a população ainda não tem plena ciência de que problemas oculares vão muito além de astigmatismo e miopia, os problemas mais comuns. Então quanto mais ações visando à conscientização da sociedade, melhor”, afirmou.

Pesquisa relaciona celular a consumo de calorias

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Lavras (Ufla) mostrou que usar o celular ou ler durante as refeições aumenta o consumo de calorias. O uso seria uma distração que pode levar a pessoa a comer mais.

Os resultados mostraram que, ao utilizar o smartphone enquanto se alimenta, o brasileiro aumenta em 15% o consumo de calorias e até 20% no caso de fazer uma leitura durante a refeição, o que representa 101 calorias.

De acordo com o professor responsável pela pesquisa, Luciano José Pereira, “a partir do momento que você não presta atenção naquilo que você está ingerindo, você corre o risco de se alimentar em excesso”.

Para chegar à conclusão foram avaliadas 64 pessoas, entre 18 e 40 anos, em aspectos relacionados à mastigação, índice de massa corporal e preferência de alimentação. Os participantes se alimentaram sem nenhuma distração e depois ao lado de smartphones e textos de uma revista.

Excesso

Os resultados revelaram que pessoas comem mais quando estão distraídas porque têm dificuldade de perceber as mensagens químicas que o corpo envia para mostrar que está satisfeito.

Além disso, alguns pais têm o hábito de colocar desenhos para distrair a criança enquanto ela come. Pereira se posicionou contra a prática. “A utilização destes recursos já é inclusive preconizado pelo guia alimentar de 2014 que a gente não deve ter nenhum tipo de distração, de equipamento eletrônico”, conclui.

 

Fonte: A Tarde/Tribuna/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!