06/06/2018

Bahia é estado onde mais se morre por arma de fogo

 

A Bahia é o estado que mais registra homicídios por arma de fogo. Segundos dados divulgados nesta terça-feira (5) pelo Atlas da Violência de 2018, foram 5.449 mortes por arma de fogo na Bahia no ano de 2016.

No ranking dos três maiores estados, a Bahia é seguida pelo Rio de Janeiro, com 4.019 óbitos causados por agressão por disparo de arma de fogo e Pernambuco, com 3.475 mortes desse tipo.

De 2006 a 2016, o número passou de 2.402 para 5.449, ou seja, os óbitos desse tipo aumentarem em 126,9% nesses 10 anos. De acordo com o levantamento do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a Bahia lidera nesse tipo de morte desde 2009.

Em 2008, quem liderava era o Rio de Janeiro. O número também aumentou quando comparado com o registrado em 2015. Foi uma taxa de 19,6%.

Taxa de homicídios na Bahia cresceu 97,8% em 10 anos

A taxa de homicídios do estado da Bahia subiu de 23,7 a cada 100 mil habitantes em 2006 para 46,9 em 2016, representando uma variação de 97,8% nos 10 anos.

De acordo com dados do Atlas da Violência 2018, realizado pelo Ipea com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e divulgado nesta terça-feira (5), foram 46,9 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2016.

Em números absoluto, a variação de 10 anos é ainda maior: subiu de 3.311 em 2006 para 7.171 em 2016, uma variação de 116,6% em homicídios.

São considerados "homicídios" pelo Atlas óbitos causados por agressão e por intervenções legais. A variação da taxa de homicídio por 100 mil habitantes aumentou em 18,7% de 2015 para 2016, enquanto em número absoluto a taxa foi de 19,3%.

Taxa de homicídios de negros na Bahia é 3 vezes superior à de não negros

O Atlas da Violência 2018 reforçou um dado já conhecido pela população brasileira: a concentração de homicídios na população negra do país é consideravelmente superior à de não negros.

Em 2016, a taxa de homicídios de negros no Brasil foi de 40,2 a cada 100 mil habitantes, enquanto o índice de não negros é de 16, na mesma proporção.

Apesar de não ser o estado com maior discrepância, a Bahia registra uma diferença superior à observada nacionalmente: são 52,4 negros mortos contra 15,6 não negros, a cada 100 mil habitantes.

De acordo com o levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os maiores índices de homicídios de negros foram registrados em Sergipe (79/100 mil) e Rio Grande do Norte (70,5/100 mil).

A Bahia está atrás ainda de Alagoas (69,7/100 mil), Pernambuco (60,4/100 mil), Amapá (59,4/100 mil), Pará (57,7/100 mil) e Goiás (55,5/100 mil).

"O caso de Alagoas é especialmente interessante, pois o estado teve a terceira maior taxa de homicídios de negros (69,7/100 mil) e a menor taxa de homicídios de não negros do Brasil (4,1/100 mil). Em uma aproximação possível, é como se os não negros alagoanos vivessem nos Estados Unidos, que em 2016 registrou uma taxa de 5,3 homicídios para cada 100 mil habitantes, e os negros alagoanos vivessem em El Salvador, cuja taxa de homicídios alcançou 60,1 por 100 mil habitantes em 2017", compara o texto. 

O documento mostra ainda a variação na taxa de homicídios. Na Bahia, os assassinatos de negros cresceram 104,4%, em um período de 10 anos (2006-2016), enquanto o índice entre não negros aumentou 116,9%.

Bahia é estado que mais mata jovens; taxa cresceu 123,8% em 10 anos

Dentre as 27 unidades federativas do país, a Bahia é a que mais registra homicídios de pessoas entre 15 a 29 anos de idade.

De acordo com dados do Atlas da Violência, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado nesta terça-feira (5), foram 4.358 homicídios de jovens em 2016 no estado.

De 2006 a 2016, houve um aumento de 123,8% nos homicídios, quinto maior aumento do país. Também foi registrado um acréscimo de 22,5% no número de homicídios de 2015 para 2016.

O número de homicídios por estado foi resultado da soma dos óbitos causados por agressões mais intervenção legal.

O registro segue a tendência do país, que superou o patamar de trinta mortes por 100 mil habitantes pela primeira vez na história. São cerca de 60 mil a 65 mil casos por ano.

Ainda de acordo com o Atlas, 11 estados apresentaram crescimento gradativo da violência letal nos últimos 10 anos, sendo que, com exceção do Rio Grande do Sul, todos se localizam nas regiões Norte e Nordeste do país.

Bahia é segundo estado em número de mulheres assassinadas

A Bahia é o segundo estado que mais mata mulheres, em números absolutos. De acordo com o Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (5), foram 441 homicídios em 2016, o que equivale a 5,7 mulheres assassinadas a cada 100 mil habitantes do estado.

A Bahia perde em número apenas para São Paulo, onde foram registrados 507 homicídios de mulheres no mesmo ano (2,2/100 mil).

Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o levantamento aponta ainda um crescimento de 81,5% no número de homicídios de mulheres na Bahia, entre 2006 e 2016.

O número é cinco vezes maior do que o aumento observado no Brasil, de 15,3%.

O texto explica que não é possível identificar a parcela que corresponde a vítimas de feminicídio, já que não há informações sobre este tipo específico de crime na base de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade.

"No entanto, a mulher que se torna uma vítima fatal muitas vezes já foi vítima de uma série de outras violências de gênero, por exemplo: violência psicológica, patrimonial, física ou sexual. Ou seja, muitas mortes poderiam ser evitadas, impedindo o desfecho fatal, caso as mulheres tivessem tido opções concretas e apoio para conseguir sair de um ciclo de violência", acrescenta o documento.

No detalhamento por raça, em um universo de 100 mil habitantes, o número de homicídios de mulheres negras na Bahia (5,9) é 1,73 vezes maior do que o registrado entre não negras (3,4).

Bahia é terceiro estado com mais mortes violentas por causa indeterminada

A Bahia é o terceiro estado com mais registro de mortes violentas com causa indeterminada, de acordo com o Atlas da Violência de 2018, divulgado nesta terça-feira (5).

Foram 1.487 mortes sem causa determinada em 2016. Esse tipo de morte é classificada quando o óbito se deu por causa não natural assim como profissionais de saúde, médicos legistas, policiais, peritos criminais etc, não conseguem informar a motivação que desencadeou o processo mórbido.

A Bahia possui a maior taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, de 9,7, seguido por Pernambuco (9,1), Rio de Janeiro (7,9) e outros. Em 10 anos, o número aumentou em 30,9%. Em 2006, eram 1.136 mortes desse tipo. Apesar de ser um dado alarmante, houve uma redução de 15,3% de 2015 para 2016 e a Bahia saiu de segundo lugar para terceiro.

Brasil ultrapassa a marca de 62 mil mortes por ano

No ano de 2016, 62.517 pessoas foram assassinadas no Brasil, o que equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes. Os dados são do Ministério da Saúde e foram divulgados hoje (5) no 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apresentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Segundo a análise, a taxa de homicídios no Brasil corresponde a 30 vezes a da Europa, e o país soma 553 mil pessoas assassinadas nos últimos dez anos.

Todos os estados que lideram a taxa de letalidade estão na Região Norte ou no Nordeste: Sergipe (64,7 para cada 100 mil habitantes), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). As maiores variações na taxa foram observadas em São Paulo, onde houve redução de 56,7%, e no Rio Grande do Norte, que registrou aumento de 256,9%.

Juventude negra

A violência letal contra jovens continua se agravando nos últimos anos e já responde por 56,5% das mortes de homens entre 15 e 19 anos de idade. Na faixa entre 15 e 29 anos, sem distinção de gênero, a taxa de homicídio por 100 mil habitantes é de 142,7, e sobe para 280,6, se considerarmos apenas os homens jovens.

O problema se agrava ao incluir a raça/cor na análise. Nos últimos dez anos, a taxa de homicídios de indivíduos não negros diminuiu 6,8% e a vitimização da população negra aumentou 23,1%, chegando em 2016 a uma taxa de homicídio de 40,2 para indivíduos negros e de 16 para o resto da população. Ou seja, 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas

Feminicídio e estupro

A violência contra a mulher também piora a cada ano. Os dados apontam que 68% dos registro de estupro são de vítimas menores de 18 anos e quase um terço dos agressores das crianças de até 13 anos são amigos e conhecidos da vítima e 30% são familiares mais próximos como país, mães, padrastos e irmãos. Quando o criminoso é conhecido da vítima, 54,9% dos casos são ações recorrentes e 78,5% dos casos ocorreram na própria residência.

Controle de armamento

Os pesquisadores ressaltam a importância de uma política de controle responsável de armas de fogo para aumentar a segurança de todos. Segundo a pesquisa, entre 1980 e 2016, 910 mil pessoas foram mortas por perfuração de armas de fogo no país. No começo da década de 1980, os homicídios com arma de fogo eram 40% do total e chegou a 71,1% em 2003, quando foi implantado o Estatuto do Desarmamento. A proporção se manteve estável até 2016. O levantamento aponta, ainda, que os estados onde houve maior crescimento da violência letal são os mesmos onde cresceu a vitimização por arma de fogo.

Contrário ao porte de armas para o cidadão comum, Boulos ataca Bolsonaro: "prega a intolerância"

O pré-candidato à Presidência da República Guilherme Boulos (Psol) afirma que o cidadão brasileiro precisará escolher, em outubro, entre o caminho da intolerância com Jair Bolsonaro (PSL) e o da recuperação da esperança.

Em entrevista à Metrópole FM na manhã desta terça-feira (5), o socialista disse ser contra o porte de arma para o cidadão comum por considerar que uma pessoa em momento de destempero termine por matar alguém.

O pré-candidato disse também que o cenário de crises que o país vive abre espaço para personalidades com o perfil de Bolsonaro. “Ele faz a política do medo. As pessoas pensam em alguém que grite mais alto que elas, que bata na mesa... Só que a razão fica em segundo plano. O que eu acredito firmemente, e essa foi uma das razões que me fez assumir o compromisso, o povo brasileiro não necessariamente vai ser levado pelo medo", disse Boulos.

 

Fonte: BN/Tribuna/BNews/Municipios Baianos

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