13/06/2018

Ciro critica 'política estúpida' da Petrobras e afirma prioridade com PSB

 

Em encontro na sede da Força Sindical, em São Paulo, o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) reafirmou posições contra a "reforma" trabalhista, cuja revogação defende, e por um "projeto nacional de desenvolvimento" que una representantes dos empresários e dos trabalhadores, inclusive defendendo reuniões mensais com as centrais sindicais, se eleito. Ele criticou o que chamou de "política estúpida" de preços da Petrobras e disse que, na discussão sobre possíveis alianças, a prioridade é o PSB, pelo fato de não ter candidato, mas não descarta legendas de outro espectro, como o DEM.

Depois de falar e responder questões de sindicalistas de várias categorias, Ciro evitou alguns temas, como a tabela de frete mínimo para os caminhoneiros e a redução da jornada de trabalho. Alegou que alguns assuntos exigem mais tempo de reflexão e argumentou a necessidade de cautela antes de assumir compromissos. E lembrou que pretende dedicar os seis primeiros meses de um possível governo procurando reunir todos os setores em torno de um projeto nacional. "Todos os presidentes, desde 1945, foram eleitos com minoria no Congresso. Mas todos tiveram seis meses imperiais."

Ao lado do presidente nacional do PDT, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, o pré-candidato disse que é preciso "apetrechar" o Ministério, que estaria sendo esvaziado intencionalmente, assim como o Ministério Público do Trabalho, com o objetivo de "desmontar a rede de proteção social". Ciro foi o primeiro presidenciável convidado pela Força. Curiosamente, o presidente efetivo e o interino não estavam presentes.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, licenciado do comando da central, permaneceu em Brasília, enquanto seu substituto, Miguel Torres, viajou aos Estados Unidos, para participar de congresso do UAW, sindicato dos trabalhadores na indústria automobilístico. Quem fez a recepção foi o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. A central tem parte de seus dirigentes filiada ao PDT, embora um bloco expressivo tenha migrado para o Solidariedade, levado por Paulinho.

DEM, PCdoB, PSB, PT

Para Ciro, um dos caminhos para retomar o crescimento é "reinaugurar a prática democrática do diálogo". Ele disse ser favorável, se eleito, a reuniões mensais com os "velhos amigos" das centrais, "em diálogo com o mundo da produção". Afirmou que não há "negociação" com partidos, mas um ambiente de propostas, e negou qualquer "mal-estar" com o DEM, partido que estaria no arco de possíveis alianças, apesar da prioridade anunciada ao campo de centro-esquerda. "A prioridade, sem desmerecer ninguém, é o PSB, pela circunstância simples, e apenas por ela, que não tem candidato", disse Ciro depois do encontro com os sindicalistas.

A mesma reflexão cabe ao PCdoB, acrescentou, lembrando que o partido tem pré-candidata, a deputada estadual gaúcha Manuela d´Ávila. "Acho que (Manuela) representa valores muito importantes para a vida brasileira. Eu adoraria ter apoio dela, mas ela tem todo o direito de ser candidata também."

Sobre o andamento das conversas com o PSB, Ciro respondeu com um sorriso: "Indo". Foi mais incisivo em relação ao PT.

"Escute, o PT tem candidato, reafirmadamente, diariamente, que é o Lula, ainda fazem isso com certa angústia. A eles vai o meu respeito, (é preciso) compreender seu tempo, não especular sobre sua estratégia, porque cada vez que eu quis fazê-lo, fraternamente, fui objeto de agressões injustas, porque eu sempre fui parceiro, sempre fui companheiro. Nos 16 anos de influência do Lula, nos 16 anos eu o apoiei, ajudei, sem condicionar nada, o Ceará é o único estado brasileiro que dá dois terços dos votos contra o impeachment. Então, o que me resta em relação ao PT é respeitar a vontade deles, o jeito deles, e tocar meu bonde."

O pedetista disse ter uma relação antiga de amizade com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Respeito a candidatura dele, estou vendo com muito prazer o seu crescimento político, e portanto não haveria muita dificuldade de estabelecer um entendimento para o Brasil.  Não sei se para fins eleitorais, porque ele é candidato e eu também." A uma pergunta mais insistente sobre a relação com o partido, reagiu: "Só vocês (jornalistas) que criaram esse mal-estar. Eu faço política, não faço jornalismo, nem futrica."

Política refém do marketing

Ele voltou a falar em revogação da Lei 13.467, de "reforma" trabalhista. "Não tenho medo das reformas. O PDT é o partido das reformas. Essa reforma imposta ao Brasil é uma selvageria. A guia deve ser a proteção ao trabalho, o que não quer dizer impor ineficiência. Nem tudo (da lei) é ruim, mas a origem disso é viciada, porque veio de um governo ilegítimo, que não discutiu nada."

Segundo ele, o país tem problemas estruturais, que se tornaram mais graves no período recente, mas quem vêm desde os anos 1980, com pequeno crescimento. "Morreu o velho modelo desenvolvimentista, e não fomos capazes de criar um novo modelo econômico. A política ficou refém da marquetagem, da propaganda. Não dá para resolver os problemas a golpe de conversa mole. Precisamos voltar a ter uma concepção de projeto nacional de desenvolvimento", insistiu.

Para Ciro, neoliberalismo não é um "palavrão", mas "um marco de economia política que já se mostrou completamente inviável", acrescentando que "deixada só, a iniciativa privada produz concentração, injustiça e ruptura cíclicas". Ele defende "Estado forte, iniciativa privada forte e universidade imediatamente fornecendo as respostas".

Chamou de "picaretagem na veia" a política do governo para conter a desvalorização da moeda, com a aplicação do chamado swap cambial: "Pagar com dinheiro público a especulação".

Também criticou o setor financeiro, afirmando que os cinco principais bancos brasileiros não concorrem efetivamente, mas formam um cartel. "O banco Itaú distribuiu R$ 9 bilhões de dividendos para quatro famílias", afirmou, dizendo ser favorável à cobrança de imposto sobre lucros e dividendos. Sobre a Petrobras, observou que a empresa tornou-se exportadora de petróleo bruto barato e importadora de derivados, "para beneficiar o acionista minoritário". E acrescentou ser contrário à venda da Embraer para a norte-americana Boeing.

O pedetista fez um breve comentário sobre a Copa, afirmando que o Brasil tem uma equipe bem preparada. "Estou sentindo falta do Daniel Alves", emendou, sobre o lateral-direito cortado por contusão. Ele lembrou que foi comentarista na Rádio Educadora de Sobral, no Ceará, para onde a família foi quando Ciro era criança – o político nasceu em Pindamonhangaba, no interior paulista.

Alckmin não vai a lugar nenhum, a menos que dê golpe', afirma Gleisi

Em discurso na tribuna do Senado na tarde de terça (12), a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT, atacou a política econômica do governo Michel Temer, citou uma série de notícias reveladoras da crise brasileira e destacou a responsabilidade do PSDB sobre as dificuldades e desesperança da população. “Não era essa gente que ia consertar Brasil? Essa gente não entende o povo brasileiro. Vamos explicar para o mercado, para a Rede Globo, para os golpistas: mais de 50% da população brasileira ganha até dois salários mínimos”, disse. “É o que essa gente paga por um jantar. Eles não têm noção do que é buscar álcool no posto de gasolina para cozinhar.”

Segundo ela, o baixo índice de intenção de votos no pré-candidato tucano à Presidência da República, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, reflete a compreensão da população do papel dos tucanos na política de ajuste neoliberal de Temer. “Alckmin não sobe nas pesquisas e não vai subir. Esse não entende de povo. Eles ajudaram a dar o golpe. Temer é que está fazendo isso, com o PSDB, com os tucanos”, afirmou. “Não vão ter candidato competitivo. O Alckmin não vai a lugar nenhum, a menos que dê (novo) golpe. Uma eleição se faz com o povo, e o povo não quer a política neoliberal.”

Ela destacou os cortes em programas sociais, na educação e na saúde como os principais exemplos de políticas perversas postas em prática pelo governo. “Vocês estão aumentando o sofrimento de gente. Aí não sabem por que, quando fazem uma pesquisa, dá 30% para Lula mesmo preso. E quando começar a campanha vai aumentar.”

Segundo pesquisa Datafolha divulgada no domingo (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 30% e é seguido por Jair Bolsonaro (PSL-RJ), com 19%, Marina Silva (Rede), com até 15%, e Ciro Gomes (PDT), entre 10% e 11%. Alckmin aparece apenas em quinto lugar, com 7%.

A petista mandou um recado “aos algozes do Lula: não vamos desistir do Brasil. Vamos lutar, e vamos lutar com Lula, porque ele tem condições de tirar o Brasil dessa crise”.

Além das dificuldades vividas pela população com o preço do gás de cozinha e o custo da energia elétrica, ela citou o aumento do preço do frango congelado no atacado, com alta de 44,5%; as indefinições sobre a tabela de frete, “que travam o transporte de carga no país”; o dólar em alta; as baixas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2018; a Bolsa em queda; e o risco Brasil, que subiu para 76% em três meses.

“Era esse resultado que o mercado queria? Infelizmente, a notícia é que tudo só vai piorar. Não tem como dar certo. As coisas só vão piorar”, disse a senadora. Ela lembrou a política de privatizações na Petrobras e no setor elétrico do país. “Daqui a pouco o preço da energia elétrica sobe todo dia. As pessoas vão ter que voltar ao lampião.”

“Estamos falando sobre gente. Não estamos falando sobre números, indicadores macroeconômicos. Mercado, vocês não dão certo aqui com essa política neoliberal”, avisou. “Hoje vi um analista de mercado dizendo que a população tem que entender que tem de ter ajuste fiscal. Que pérola! Vai viver com salário mínimo, seu safado.”

Oposição quer tirar dos trabalhadores o peso da conta da redução do diesel

A semana no Congresso será marcada, a partir desta terça-feira (12), pela discussão dos deputados e senadores sobre as Medidas Provisórias (MPs) publicadas pelo governo Temer no último dia 31, que tratam de adequar o Orçamento para que a União banque a redução do preço do óleo diesel. As MPs já entraram em vigor até que sejam votadas pelo Legislativo. Mas parlamentares da oposição afirmam que vão trabalhar para fazer alterações que não representem repasse desta conta para os trabalhadores. "Somos a favor da redução do preço do óleo diesel e também da gasolina e do gás de cozinha, mas não permitiremos que essa redução seja feita do jeito como foi proposto pelo Executivo", afirmou o líder do PT, Paulo Pimenta (RS), ao comentar a questão.

Pimenta disse que a oposição está com um grupo atuante de parlamentares participando das comissões especiais criadas para apreciar estas matérias e à frente das discussões. Afirmou ainda, que serão oferecidas outras alternativas em contraponto ao que foi proposto por estes textos.

"Não aceitamos deixar, por exemplo, que sejam retirados recursos destinados no orçamento para áreas sociais quando temos em vigor a MP do trilhão, que beneficia as grandes empresas de petróleo. São estas grandes empresas que vão ter de ajudar a fechar essa conta", disse o líder.

Pimenta se referiu, com a declaração, ao texto (lei de conversão de MP) que concede benefícios fiscais para empresas petrolíferas que atuarão em blocos de extração de petróleo.

Apelidado de "MP do Trilhão" – por impor perdas dessa ordem à União nos próximos 25 anos, em decorrência da isenção fiscal, conforme análise de especialistas eo setor – o texto isenta de taxas de importação, máquinas, projetos e serviços sob responsabilidade de empresas estrangeiras com interesses nos campos de petróleo.

Planos de trabalho

Ficou acertado de nesta semana serem apresentados os planos de trabalho de cada comissão e, também, os requerimentos com pedidos de audiência pública a serem realizadas com técnicos, economistas, acadêmicos e entidades diversas da sociedade civil.

Em relação ao preço do frete dos caminhões, tema que suscitou confusão na última sexta-feira e que é alvo de outra MP, os parlamentares defendem que seja discutida a possibilidade de regulação destes valores.

"Sabemos que tem que haver regulação no mercado de frete brasileiro, mas isso causa urticária em alguns liberais fundamentalistas", afirmou o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

"Se a gente sabe quanto custa o diesel, o pedágio, a remuneração do motorista e quantas horas ele tem que trabalhar, como é que nós não vamos determinar um valor mínimo que garanta a viabilidade para essa atividade?", questionou o deputado.

Já no tocante à MP que altera a Lei do Caminhoneiro para estender para as rodovias estaduais, distritais e municipais a dispensa de pagamento de pedágio do eixo suspenso de caminhões (caminhões vazios), uma das questões a ser discutida é a resistência dos estados e municípios para manter a cobrança nos pedágios.

"Na minha opinião esta é uma cobrança indevida, porque os pedágios cobram por algo que não gera deterioração no pavimento. É um pleito legítimo dos caminhoneiros, mas temos de discutir e conversar com estes prefeitos e governadores e apresentar argumentos bem fundamentados a partir das audiências a serem definidas com técnicos do setor", disse o presidente da comissão especial que vai apreciar a matéria, deputado Sandro Alex (PSD-PR).

No total, são cinco as medidas provisórias que tratam do atendimento às reivindicações dos caminhoneiros. Os deputados e senadores concordam que tais matérias sejam apreciadas com celeridade, até mesmo em função do prazo de funcionamento do Congresso, que deve entrar em recesso branco a partir do segundo semestre, em função do período eleitoral.

Mas eles querem aproveitar estes dias que lhes restam para fazer um debate acalorado sobre a política de preços da Petrobras.

Muitos querem incluir, inclusive, entre os convocados para as audiências públicas, dirigentes da estatal e o próprio ex-presidente Pedro Parente – autor da política atual de preços da companhia, que pediu demissão recentemente.

 

Fonte: RBA/Municipios Baianos

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