13/06/2018

Na corrida presidencial, muitos já se preparam para desistir

 

O cenário político incerto, as ambições pessoais e a estratégia dos partidos ainda alimentam o quadro fragmentado da disputa presidencial, que deve persistir até o começo de julho. Até lá, dirigentes partidários e concorrentes que se anunciam pré-candidatos a presidente não veem motivos para abrir mão da possibilidade de concorrer. Quando passar a Copa do Mundo, porém, ao menos seis dos atuais 13 pré-candidatos com no máximo 1% das intenções de voto nas pesquisas farão os primeiros movimentos de desistência.

Devem sair da disputa, nas próximas semanas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), o empresário Flávio Rocha (PRB), o economista Paulo Rabello de Castro (PSC) e o ex-ministro Aldo Rebelo (SD). Outros virtuais candidatos, como Valéria Monteiro e o cirurgião plástico Dr. Rey, já estão fora da disputa, seja por decisão pessoal ou do partido.

MAIS UM POUCO

Como as convenções partidárias neste ano só começam a partir de 20 de julho, os partidos dos quatro últimos vão manter as pré-candidaturas mesmo que eles não melhorem seu desempenho nas pesquisas. As legendas do centrão (PP, PRB, DEM, PSC, Solidariedade e PR) adotaram essa estratégia e querem caminhar juntos para uma decisão que só deve ser conhecida depois de 10 de julho, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, um dos porta-vozes do grupo.

“Agora em junho, todos ainda vão tentar se viabilizar. Não tem por que o Aldo retirar a pré-candidatura nesse momento, com todo muito confuso. Ele está viajando o país todo. Vai continuar assim neste mês” — disse Paulinho.

A estratégia do centrão, porém, tem limitações. Manter a coesão até julho é uma delas. PP e PR, que não anunciaram pré-candidatos à Presidência, são alvo de investidas de presidenciáveis como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL). Os três estão mais bem colocados nas pesquisas e tentam formar alianças. Se essas legendas se aliarem a essas candidaturas antes de julho, a coesão sofre abalos e aí o ritmo das desistências deve aumentar.

RODRIGO DE FORA

No DEM, já há um consenso para retirar a pré-candidatura do presidente da Câmara, mas esse anúncio só será feito quando o partido fechar apoio a outra legenda. Hoje, o partido está dividido entre apoiar Alckmin ou Ciro, desde que ele concorde em conduzir sua postura mais para o centro.

“Queremos ganhar um pouco mais de tempo. No caso do Alckmin, não tem nem clima para a gente anunciar apoio agora, com a campanha dele cheia de problemas” — disse uma liderança do DEM.

Flávio Rocha e Paulo Rabello de Castro também dependem das negociações das suas legendas nas próximas semanas para ver até quando se mantêm na disputa, mas publicamente os dirigentes dizem que os dois vão até o final. O presidente do PRB, Marcos Pereira, espera que Rocha cresça nas pesquisas e atraia outros partidos de centro. Já o presidente do PSC, Pastor Everaldo, diz que uma aliança só ocorrerá com Rabello de Castro na cabeça de chapa.

OUTROS CANDIDATOS

Outras pré-candidaturas que também dependem do cenário político e das estratégias partidárias para se confirmarem são as de Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Afif Domingos (PSD) e Henrique Meirelles (MDB).

A situação do emedebista só deve ser definida no final de julho, às vésperas da data limite para as convenções. Se ele não for aprovado pela legenda, o MDB pensará num plano B. A avaliação de integrantes da pré-candidatura e no Palácio do Planalto é de que ele vem ganhando apoios nos diretórios estaduais do MDB, mas ainda há muita resistência interna pelo fato de Meirelles ser praticamente um desconhecido no país.

“Vamos dar um tempo para o Meirelles sentir a rua e o partido. Se até julho ele não decolar, aí a gente começa a se mexer” — afirmou uma pessoa próxima ao presidente Michel Temer.

AFIF E O PSD

Afif, que já disputou a Presidência em 1989, quando o quadro era tão fragmentado quanto o de hoje, acredita que essa disputa será parecida. Ele deixou o comando do Sebrae na última semana e tentará convencer o PSD de que é melhor ter uma candidatura própria, o que vai contra o plano inicial do presidente da sigla, o ministro Gilberto Kassab, que trabalha para uma aliança com o PSDB.

“(Minha candidatura) é uma boa saída para o Kassab descalçar a bota do caminho errado” — disse Afif.

No caso de Manuela, embora ela tenha dito, na semana passada, que sua pré-candidatura não seria um empecilho para a união da esquerda, a tendência é que ela permaneça na disputa, segundo integrantes do PCdoB. Isso porque o PT não está disposto a abrir para aliados a chapa ainda encabeçada pelo ex-presidente Lula.

QUEM SAI, QUEM FICA

O PSOL também descarta abrir mão da pré-candidatura de Guilherme Boulos. O empresário João Amoêdo também não desistirá até outubro, porque é a primeira eleição presidencial do Partido Novo.

Entre as pré-candidaturas mais personalistas, a postura também é de resistência. O senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) vai concorrer e diz querer “completar aquilo que não me foi dado o direito de fazer”. José Maria Eymael (PSDC) diz que concorrerá porque a democracia cristã lhe deu essa missão. E o deputado cabo Daciolo (Patriota-RJ) deve concorrer porque o partido quer lançar alguém à Presidência. Já Levy Fidelix (PRTB), que já concorreu diversas vezes, pode desistir em favor de Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha explica as razões que estão levando o PT a insistir em Lula

A pesquisa Datafolha explica em números o motivo pelo qual o PT mantém a ideia de que o ex-presidente Lula deve ser o candidato à eleição em outubro. Por mais que se esforce, o partido não conseguiu acender em suas fileiras internas a luz de nenhum outro poste – metáfora usada pelo próprio ex-presidente ao se referir a petistas que se lançaram candidatos com o carisma de uma barra de concreto. Ao avaliar o cenário sem Lula, mas com o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, a chance do PT cai, atualmente, de 30% para 1%.

Para melhorar esse desempenho, segundo os eleitores, o PT depende novamente de seu único pré-candidato, preso desde 7 de abril. Se Lula indicar um nome, 30% dos eleitores se dizem dispostos a votar nessa pessoa. Acontece que nem Lula nem a direção do partido estariam convencidos de que este ou aquele estão prontos para disputar a sucessão de Michel Temer. Alguns por conta de envolvimento na Lava-Jato, outros porque os próprios colegas de legenda torcem o nariz.

SEM DEFINIÇÃO

Dada essa situação, o PT, ao que tudo indica, deve arrastar até agosto qualquer definição mais pragmática. E são as incertezas no universo petista que aumentam o balão de ensaio de outros partidos.

Em ninho tucano, Geraldo Alckmin chegou a ameaçar que o partido escolhesse outro presidenciável caso seu nome não estivesse agradando. Marina Silva (Rede), por sua vez, tem na manga a carta de que não foi alvo de denúncias de corrupção, embora os chamados marineiros ainda não tenham digerido o apoio dela ao tucano Aécio Neves no segundo turno em 2014.

No PDT, há quem aposte que Ciro Gomes deveria ser o pivô de uma candidatura de centro para tentar aplacar quem aparece com melhor desempenho depois de Lula, o deputado Jair Bolsonaro. Não apenas os pedetistas fazem essa aposta. Mesmo ainda abaixo da linha de popularidade de Marina, Ciro é observado à distância pelo ex-presidente Lula. A interlocutores, o petista tem pedido para que o PT faça uma espécie de pacto de não-agressão com Ciro.

APOIO A CIRO

Numa livre interpretação, houve quem entendesse o recado como a grande chance de o PT voltar ao poder, desta vez, pelas vias da vice-presidência. Com o nome de Haddad na lista de seus possíveis substitutos, o ex-presidente parece estar avaliando dois cenários para dar uma tacada final. Primeiro, até que ponto sua dívida com a Justiça impedirá qualquer movimentação eleitoral. Depois, a possibilidade de Ciro abraçar o PT.

Até lá, os petistas dão como certo apenas um cenário: Lula continuará dando as cartas.

Pesquisam confirmam que, no Brasil, jamais houve tamanha aversão aos políticos. Por Carlos Newton

As pesquisas estão aí, realizadas por diferentes institutos, e chegam ao mesmo resultado, demonstrando que nunca antes, na História deste país, houve tamanha aversão à classe política. A imensa maioria da população atingiu um índice recorde de indignação. Esta pesquisa Datafolha não deixa dúvidas, ao indicar que 46% dos eleitores estão indecisos, não apoiam nenhum dos mais de vinte pretendentes. E 23% já resolveram votar nulo ou em branco. Juntos, são 69% de desenganados, desalentados e desgarrados brasileiros, mais de dois terços da população, pois apenas 31% ainda acreditam que algum dos candidatos merece seus votos.

Conforme assinalamos na manhã de domingo, logo após a divulgação da pesquisa no site da Folha de S.Paulo, não há novidade nesse desalento do eleitorado, pois as pesquisas anteriores indicavam a mesma coisa.

A NOVIDADE

Além disso, ao analisar a pesquisa no próprio domingo, registramos que a única novidade era que, pela primeira vez, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) conseguira superar Lula na pesquisa espontânea, a meu ver a única que tem validade, pois o entrevistador apenas faz a seguinte pergunta: “Em quem você pretende votar?”.

É neste quesito – o mais importante – que 46% estão indecisos, 23% vão votar nulo ou em branco, 12% apoiam Bolsonaro, 10% continuam com Lula, e os outros 9% estão divididos entre os demais candidatos. Ou seja, Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (MDB) e os outros, nenhum deles consegue chegar a 1% dos votos, vejam que fracasso retumbante da democracia à brasileira.

Mas Bolsonaro não está com essa bola toda. Perde no segundo turno para Marina Silva e Ciro Gomes. Aliás, Marina não perde para ninguém no segundo turno. No entanto, isso é só um indicativo, na verdade a eleição ainda não começou.

FALTAM AS ALIANÇAS

Esta eleição é como um casamento em que ainda faltam as alianças. Os candidatos que têm chances – Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias, não necessariamente nesta ordem, precisam fazer forte alianças, se pretendem vencer.

Até agora, ninguém fechou nada. Alckmin é o único que tem espaço suficiente na TV, os outros precisam se virar para fechar alianças. O tucano diz que terá apoio do PTB e do PV, mas a coligação ainda não foi formalizada, é necessário que ele demonstre ter chances.

Todos conversam com quase todos, a confusão da sopa de letrinhas é infernal, porque a ideologia não existe, vale tudo para garantir um naco do poder. Se não fizerem boas aliança, os candidatos Bolsonaro, Marina, Ciro e Alvaro mal aparecerão na TV. É aí que mora o perigo.

P.S. – Não tocamos na candidatura de Lula, até porque ela não existe, mas vai causar um tumulto federal. O mais provável é que Fernando Haddad aceite o sacrifício de substituir Lula, inclusive porque Jaques Wagner quer se afastar desse cálice.  Se houve muitos candidatos, Haddad tem até alguma chance de passar para o segundo turno, sob as asas de Lula. Mas por enquanto, tudo ainda está indefinido.

Datafolha e as urnas de 2018, num panorama visto da ponte eleitoral. Por Pedro do Coutto

Com base na pesquisa do Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, uma reportagem de Silvia Amorim, Fernanda Kracoviks, Bruno Goes e Mateus Coutinho, edição de ontem de O Globo, analisou os números contidos no levantamento acentuando a verdade das tendências eleitorais, chegaram a conclusão de que o quadro permanece indefinido quanto à sucessão presidencial de outubro. O quadro encontra-se indefinido, mas as tendências se projetam nitidamente no universo da pesquisa. Trata-se de um panorama visto da ponte, título de peça de Arthur Miller que alcançou grande sucesso no final da década de 50.

O quadro permanece indefinido porque, como o Datafolha destacou, ainda não se verificou nenhum sinal mais forte no que se refere à transferência de votos que iriam para Lula, mas que se mantém fora da lei de gravidade, Enquanto persistir essa dúvida, permanecerá um panorama de indefinição, uma vez que não se pode ainda afirmar para que candidato ou candidatos vai ser transferida a força eleitoral do ex-presidente da República.

LULA INELEGÍVEL

O PT lançou seu nome, porém devemos considerar que ele se encontra inelegível. Daí porque no cenário em que ele se encontra ausente elevam-se fortemente os percentuais de indecisos, votos nulos e brancos.

Mas falei, neste meu retorno de férias, em indefinições e exposição de tendências. O Datafolha afirmou que, se candidato fosse, Lula arrebataria 30% dos votos. Mas com ele fora das opções, situação mais provável, as tendências de hoje restringem-se a Jair Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Fora daí não se pode considerar nenhuma outra candidatura nas urnas de outubro próximo. Não se pode considerar porque aqueles na lista, mas que não passam de 1 a 2% das intenções de voto certamente não vão decolar. Com a ausência de Lula, Marina Silva cresce mais do que Ciro Gomes, se as eleições fossem hoje. E se o desfecho final ocorrer no segundo turno, dia 28 de outubro, Marina Silva derrotaria Jair Bolsonaro. Marina alcançaria 42% dos votos contra 33% de Bolsonaro.

NA CAMPANHA

O que se pode presumir, entretanto, é que a evolução das candidaturas dependerá do comportamento dos candidatos ao longo da campanha, especialmente nos debates e nos pronunciamentos que fizerem no horário gratuito da televisão e do rádio.

A colocação das campanhas dependerá também da utilização dos espaços nas redes sociais da internet. Porém, enquanto as redes sociais podem ser ocupadas sem limite de horário e tempo, os programas eleitorais gratuitos estarão disponíveis de 31  de agosto ao início de outubro. Importante também é considerar que os debates entre os candidatos, de acordo com a legislação eleitoral, incluem a possibilidade de um confronto direto no primeiro turno, dia 7 de outubro, e no segundo, dia 28.

CUSTOS BAIXOS

A campanha eleitoral deste ano terá seus custos muito reduzidos, não apenas em função de excluir financiamentos empresariais, o que poderia ser contornado nas sombras, mas principalmente pelo temor de doadores em potencial de caírem em precipícios abertos pela Operação Lava Jato. Claro que os dois principais doadores, Odebrecht e JBS, estarão fora de cogitações. Pois é preciso acentuar que Marcelo Odebrecht e Joesley Batista explodiram a conivência entre políticos, administradores públicos e empresários ma estrada capaz de conduzir o peso financeiro em favor da obtenção de votos nas urnas.

Citei Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Quanto a Alckmin, de acordo com comentário feito por Silvia Amorim, o PSDB está buscando uma explicação para seu fraco desempenho. Governador eleito e reeleito, Alckmin não passa do teto de 7%, atrás de Ciro Gomes, que está no 10º ou 11º andar.

BOLSONARO LIDERA

Na frente, Bolsonaro com 19%, Marina Silva com 15%. Talvez a explicação sobre Alckmin esteja na divisão da base paulista entre Márcio França, governador do PSB, e o ex-prefeito João Dória, do PSDB. Mas será apenas isso?

O fato é que o candidato tem que se afirmar por si, e não depender de acordos eleitorais.

A afirmação vem primeiro, as adesões são consequência da capacidade que cada um demonstrar na busca do voto nas urnas.

 

Fonte: O Globo/Tribuna da Internet/Municipios Baianos

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