13/06/2018

Governador muda prazo para anúncio de chapa majoritária

 

Após prometer divulgas a chapa majoritária na primeira semana de junho, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), mudou novamente o prazo.

Em entrevista à imprensa, nesta terça-feira (12), o chefe do Executivo estadual disse que até terça anuncia. “Vou conversar com Leão [vice-governador] assim que ele chegar [da China]”, disse, durante assinatura de convênio com Instituto Avon para implantação de serviço de Mamografia em várias regiões do estado.

Rui ainda disse que entende as pressões com naturalidade para composição da chapa. “Quem não faz pressão para aquilo quer, não cria ambiente favorável. A vida real não é um cemitério. A mim cabe ouvir todo mundo e, com serenidade, tomar decisão. Neste aspecto a questão da composição vai levar mais em conta cenário estadual do que nacional”, completou.

PCdoB reafirma pleito por majoritária, na Bahia

O suplente deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB) disse que o PCdoB ainda pleiteia um espaço na chapa majoritária do governador Rui Costa (PT), com quem deve se reunir nesta semana. O encontro deveria ter acontecido na semana anterior, mas foi adiado. Foi oferecida aos comunistas a suplência do Senado, que deve ser disputado pelo ex-governador Jaques Wagner (PT) e pelo deputado estadual Angelo Coronel (PSD). “Como está marcado para o dia 15, esperamos que essa semana a gente sente. Continuamos fazendo um pleito pela chapa majoritária e estamos aguardando como o governador vai fazer o equacionamento dessa questão. E com base na sugestão do governador vamos definir o nosso posicionamento”, declarou o parlamentar antes de palestra de Manuela D’Ávila (PCdoB), na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Questionado sobre a declaração da ex-secretária Olívia Santana (PCdoB) de que a chapa de Rui excluirá mulheres e negros, o parlamentar esquivou-se. “Defendemos programa. A posição oficial do PCdoB é que temos que ter uma composição nessa chapa que represente a correlação de forças no estado da Bahia e que possa dar continuidade do projeto. Então isso foi uma posição dela. O PCdoB é o partido que mais tem participação feminina no Congresso Nacional”, ponderou.

Na semana passada, Rui minimizou os ataques que têm sofrido dos próprios aliados sobre a provável chapa que disputará a eleição deste ano. Ele tem sofrido duras críticas por excluir a senadora Lídice da Mata (PSB) na campanha de reeleição.  Em entrevista à imprensa, o petista baiano ressaltou, porém, que as críticas devem ficar dentro do “padrão mútuo de respeito entre as pessoas”. “Com relação às opiniões sobre a composição de chapa, eu vejo com absoluta normalidade, como democrata que sou. Evidente que a gente tem que manter as opiniões dentro de um padrão de convivência democrática da nossa base. Mas aqui não é a base do cemitério nem do túmulo. Democracia não sobrevive nem se mantém grupo unido com a paz do cemitério, onde todo mundo pensa, mas não pode expressar sua opinião. Eu não penso assim. As pessoas são livres para expressar suas opiniões”, afirmou.

Reeleição: Rui tem apoio de 64,5% dos prefeitos

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), tentará a reeleição em outubro com pelo menos 269 prefeitos ao seu lado - o que significa ter 64,5% dos palanques municipais ao seu dispor. Esse número, porém, pode ser ainda maior entre as 417 cidades baianas, já que a migração de prefeitos anteriormente oposicionistas para a base do governo só cresce após o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), ter desistido se candidatar ao Palácio de Ondina.

O número de defecções é difícil de ser calculado, em razão da informalidade das migrações, muitas delas, ainda não oficializadas. Mas o senador Otto Alencar, cacique do PSD na Bahia, afirma que somente a legenda dele contabiliza mais seis prefeitos após a desistência do líder do DEM.

A expectativa, avalia um interlocutor do PSD, é que o número de municípios administrados pela sigla, que elegeu 81 prefeitos nas eleições de 2016, chegue a 100 em pouco tempo - consolidando-se como a maior força partidária da base aliada governista. Até prefeitos do DEM, partido que encabeçará a chapa oposicionista, já estão migrando para a base do governo, segundo apurou o Estado.

Atualmente, os partidos que compõem o grupo de oposição ao governo Rui Costa - DEM, PSDB, MDB, PRB, PPS, PTB, PSC, PV, PTC, PHS, Solidariedade e Avante - conta oficialmente com 34,8% dos palanques municipais (o que corresponde a 145 prefeitos). Esse número, no entanto, cai para 97 se for considerado que o MDB, partido que comanda 48 prefeituras baianas, lançou pré-candidatura própria ao governo, do ex-ministro da Integração Nacional João Santana.

O MDB ainda negocia para atrair para seu lado alguns partidos que atualmente estão alinhados ao pré-candidato do DEM ao governo, José Ronaldo, ex-prefeito de Feira de Santana e principal postulante da oposição ao Palácio de Ondina.

A Rede, que se apresenta como independente na disputa ao governo e tem a ex-vice-prefeita Célia Sacramento como pré-candidata, administra três municípios no estado - o que corresponde a 0,7% do total de cidades da Bahia.

Ponderações

Questionado sobre a aparente desvantagem, José Ronaldo afirmou que a oposição lidera municípios de grande porte - como Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, entre outros - o que coloca o grupo próximo aos governistas em relação ao números de eleitores.

O pré-candidato do DEM lembrou que candidatos retardatários nas pesquisas e sem apoio de prefeitos já conseguiram ganhar as eleições para o governo da Bahia. Foi o caso de Jaques Wagner (PT), quando venceu o então favorito Paulo Souto (então no antigo PFL) no primeiro turno, mesmo contra todos os prognósticos e apoios em favor do candidato do carlismo.

"Se fosse fazer questão matemática na política, ninguém disputaria eleição, porque já estaria achando que ia perder. Na política, dois mais dois nem sempre são quatro", disse José Ronaldo, afirmando que tem chances reais de derrotar Rui Costa nas urnas.

Principal cabo eleitoral de José Ronaldo, o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, também acredita na viabilidade da candidatura oposicionista. Para ele, o patamar de palanques atingidos por José Ronaldo atualmente - cerca de 40%, nas suas contas - "é um ponto de partida fantástico para quem está na oposição".

Já o senador Otto Alencar, uma das principais lideranças do governo e provável coordenador da campanha de Rui Costa à reeleição, rechaça o clima de favoritismo no campo governista. Ele diz que a equipe trabalhará "como se houvesse risco" de derrota. "O 'já ganhou' é a pior coisa que pode acontecer na política", declarou, afirmando que o governo "está preparado para derrotar quem quer que seja".

Para o cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Joviniano Neto, o apoio de prefeitos é importante, mas deve ser relativizado. Além do caso citado por José Ronaldo, ele lembrou que, em 1986, o então candidato do governo a Ondina, Josaphat Marinho (UDN), tinha mais de 300 prefeitos ao seu lado, mas acabou derrotado pelo "clima de mudança" representado por Waldir Pires. "Essa vantagem, então, pode ser anulada por um clima geral, o que a gente chama de critérios globais, que influenciam muito nas eleições majoritárias", explicou.

Manuela D’Ávila lamenta fatiamento da esquerda

A pré-candidata do PCdoB ao Palácio do Planalto, Manuela D'Ávila, não acredita em união da esquerda no primeiro turno. Em entrevista coletiva na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), ontem, a parlamentar gaúcha disse que o esforço do PCdoB é "para vencer as eleições". Recentemente, foi ventilada a possibilidade de ela ser vice na chapa de Ciro Gomes (PDT). Ela ressaltou que a unidade da esquerda na eleição de outubro daria maior força política ao campo, mas afirma que não houve construção para a união. "Nós fizemos tudo aquilo que está ao nosso alcance para que essa unidade se materializasse para além do discurso do programa. Primeiro, estabelecemos um programa comum em dezembro do ano passado, o projeto com as bases para tirar o Brasil da crise. Depois, tentamos construir essa unidade", lembrou.

"O gesto máximo que poderíamos fazer é afirmar que, se nós fôssemos o óbice para uma saída unitária, conjunta, para as quatro pré-candidaturas que se situam nesse campo, nós não seríamos o óbice. Ou seja, minha candidatura jamais seria impeditivo para que as três outras se acertassem. O fato é que isso não foi produzido. Essa saída unitária do nosso campo não foi produzida. Portanto, acho que ela é difícil de se materializar no primeiro turno. A tendência é que sigamos com quatro pré-candidaturas". Segundo ela, todos os outros candidatos de direita representam o mesmo projeto político do presidente Michel Temer (MDB). “Não gosto de avaliar as outras candidaturas. O que sei é que represento um campo político que precisa reunir condições para vencer as eleições. O outro lado está em maus lençóis. Há uma grande unidade no Brasil em torno do ‘fora, Temer’. Mas a gente precisa saber o que é o ‘fora, Temer’”, disse. 

“Temer não representa a si mesmo. Temer pode ser um fantasma, mas é um fantasma que representa um projeto, e esse fantasma está procurando reencarnar. E tem vários corpos à disposição para ele reencarnar a partir de um projeto, que é um projeto de destruição do Brasil, de retirada de um conjunto de direitos do nosso povo”, avaliou a comunista. “O que a gente precisa compreender é que existe um outro lado, com seus 13, 14 pré-candidatos, com muita dificuldade de pontuar nas pesquisas. Mas esse fantasma de Temer, do neoliberalismo, ultraconservador, vai tentar reencarnar em algum corpo para tentar tornar essa candidatura competitiva. Por isso que não especulo sobre eles, porque eles se reúnem em torno de um projeto. A eleição é uma disputa de projetos”, acrescentou.

Comunista desconversa sobre Wagner ao Planalto

Manuela D'Ávila se esquivou quando questionada sobre o que achava de o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ser o plano B de Lula nas eleições de outubro. "O [ex] governador Jaques Wagner é um amigo nosso. Um homem que a Bahia conhece e sabe o trabalho realizado, a capacidade de realização e transformação social que tem, mas esse é um debate do PT e eu sou pré-candidata do PCdoB. Portanto, eu sou a boa pré-candidata do meu partido", afirmou. 

O nome de Wagner tem sido ventilado, ao lado do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para substituir o ex-presidente Lula nas urnas em outubro. O petista está preso na carceragem da Polícia Federal de Curitiba após condenação em segunda instância na Lava Jato e deve ter a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral com  base na Lei da Ficha Limpa.

No último dia 7 de junho, Wagner esteve em Curitiba, onde se encontrou com Lula. "Não existe plano A, B, C, Z ou Y. Apenas o plano ‘L’ de Lula candidato e Lula Presidente", disse aos presentes em um ato do lado de fora da sede da PF. Dias antes, ele chegou a ensaiar a defesa de uma alternativa, mas foi duramente criticado pela presidente nacional petista, Gleisi Hoffmann. 

Rui chama acusação contra Lula de ‘historinha do Papai Noel’

O governador Rui Costa (PT) chamou, ontem, de “história do Papai Noel” a acusação do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso triplex, que levou a condenação em segunda instância e à prisão do petista. Para o gestor estadual, Lula permanece como líder nas pesquisas presidenciais, porque o povo não acredita nos crimes atribuídos ao ex-chefe do Palácio do Planalto. “Está liderando porque o povo tem a convicção de que o Lula está preso não porque cometeu uma irregularidade. Até porque ninguém disse até agora qual foi a irregularidade que Lula cometeu. Aquela história do apartamento é a mesma historinha do Papai Noel. Ninguém acredita naquilo. O povo está convencido de que Lula está preso porque querem impedir que ele seja candidato. Por isso, que o povo continua votando nele”, afirmou Rui Costa, em entrevista à imprensa, durante a cerimônia de autorização do início de obras de macrodrenagem no Dique do Cabrito.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada no final de semana, Lula tem 30% das intenções de votos. Em seguida, aparecem Jair Bolsonaro (PSL), com 17%, e Marina Silva com 10%. Para o governador, se a candidatura do petista à Presidência for indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Judiciário vai ficar em “descrédito” com o povo. “Se não for resolvido isso, boa parte da população vai passar a ter descrédito do sistema judicial, porque alguns membros da Justiça, para não generalizar, passaram a fazer militância partidária”, pontuou.

Lula foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro no caso triplex após o Ministério Público Federal oferecer uma denúncia na qual argumentava que o ex-presidente era o verdadeiro dono do apartamento, que fica em Guarujá, em São Paulo. De acordo com a denúncia, as reformas feitas no imóvel pela construtora OAS, como a instalação de um elevador privativo, eram parte de pagamento de propina da empreiteira a Lula por tê-la favorecido em contratos com a Petrobras.

 

Fonte: Tribuna/Municipios Baianos

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