14/06/2018

Qual o papel do agente na educação inclusiva?

 

Cada aluno possui seus talentos, interesses e características individuais. É isso que distingue não apenas estudantes dentro de determinado grupo escolar, mas o próprio indivíduo perante a sociedade. São peculiaridades inerentes a cada um.

Para aumentar ainda mais as diferenças, cada aluno tem sua própria trajetória de vida. São abismos sociais, intelectuais e físicos que tendem a distanciar os estudantes quando são utilizados dentro de cada escola métodos padronizados de ensino.

Entendendo as diferenças de maneiras e ritmos de aprendizado, escolas dotadas de ambientes inclusivos têm o poder de garantir que todos os alunos interajam em iguais condições e oportunidades, respeitando suas características individuais. Esses ambientes ajudam todos os jovens em fase escolar, principalmente os alunos com deficiência e transtornos globais de desenvolvimento.

O documento do Ministério da Educação que trata da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, define os alunos com deficiência como “aqueles que têm impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que em interação com diversas barreiras podem ter restringida a sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade”.

A melhor forma de atuar num ambiente inclusivo é se imaginar no lugar do próprio aluno, dando atenção especial às suas singularidades.

Até o fim do século XX o Brasil possuía dois tipos de serviços em seu sistema educacional: a escola regular e a escola especial. Não existia a possibilidade do aluno frequentar simultaneamente as duas. Hoje, esse sistema modernizou-se e temos somente a escola regular, onde todos os alunos são acolhidos, com acesso a recursos adaptados e facilidades para os que se deparam com barreiras para a aprendizagem.

A educação inclusiva oferece recursos da educação especial dentro da escola regular tornando-a um ambiente para todos. Educação inclusiva significa - portanto - acolher todas as crianças em um mesmo contexto escolar.

Esse método de educação não implica em negar as dificuldades dos alunos. As diferenças não são tratadas como problemas. Essa variedade é importante, na medida em que permite a convivência entre todos os estudantes. O Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020) veio para regulamentar o sistema educacional.

Esse documento estabelece a nova função da educação especial como “modalidade de ensino que perpassa todos os segmentos da escolarização (da Educação Infantil ao ensino superior); realiza o atendimento educacional especializado (AEE); disponibiliza os serviços e recursos próprios do AEE e orienta os alunos e seus professores quanto à sua utilização nas turmas comuns do ensino regular”.

O PNE considera como público alvo da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, educandos com deficiência (intelectual, física, auditiva, visual e múltipla), transtorno global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades. Dentro desta nova perspectiva, surge a figura do Agente de Apoio à Educação Especial. Em cada município, leis foram criadas para regulamentar o novo cargo.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a lei de criação do cargo de Agente de Apoio à Educação Especial foi aprovada em 2013. As atribuições do Agente de Apoio à Educação Especial, definidas no ato de criação do cargo pela Prefeitura do Rio de Janeiro são as de: "Prestar apoio nas atividades executadas pelo Professor Regente e/ou Direção, contribuindo para o oferecimento de espaço físico e de convivência adequados à segurança, ao desenvolvimento e ao bem-estar social, físico e emocional dos alunos com deficiência, incluídos nas turmas regulares ou matriculados em Classes ou Escolas Especiais da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro".

A previsão era que três mil agentes seriam necessários para atender à demanda de mais de 14 mil alunos especiais. Do concurso público realizado em 2014, foram convocados, durante a administração do prefeito Eduardo Paes, apenas 150 Agentes de Apoio no ano de 2015. Outros 60 concursados conseguiram ser nomeados em 2016 após intervenção do Ministério Público.

Durante a campanha eleitoral de 2016, o então candidato Marcelo Crivella utilizou como mote de campanha a convocação imediata de todos os aprovados nesse concurso. Após a posse, Crivella mudou seu discurso.

Alegando crise econômica - já conhecida nacionalmente na época de sua campanha eleitoral - e um suposto rombo nas contas públicas, convocou no ano de 2017 apenas 300 dos aproximadamente 2.400 aprovados no concurso de 2014. Desses 300, apenas 178 tomaram posse e já exercem o cargo. Em 2018 convocou mais algumas poucas dezenas de agentes.

Esse número de Agentes é obviamente muito aquém do necessário para atender a alta demanda de alunos. Como paliativo, Crivella contratou estagiários para exercerem as funções desses Agentes. Tal ato não resolve o problema, visto que esses estagiários, muitas vezes, não estão preparados para o trabalho.

Além disso, frequentemente ocorrem substituições de estagiários, o que acarreta prejuízo do aprendizado desses alunos. De nada adianta a adoção de um Plano Nacional de Educação de tal porte, se não existe controle da implementação das medidas no âmbito regional, ficando a regulamentação a bel prazer de cada governante.

Ranking global mostra desgaste dos professores no Brasil

O Brasil possui um dos maiores números de alunos por sala de aula no ensino médio entre mais de 60 países analisados no estudo Políticas Eficazes para Professores: Compreensões do PISA, publicado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De acordo com o documento, as escolas públicas do Brasil têm 37 alunos por sala de aula no primeiro ano do ensino médio e têm também um dos números mais elevados de alunos por professor, 22. Os dois dados têm influência direta sobre o volume de trabalho dos professores e da qualidade de ensino.

O número de alunos por professor só é maior na Colômbia, que acaba de entrar para a OCDE, com 27.

Na China, país mais populoso do mundo, há apenas 12 alunos por professor.

"Classes menores são frequentemente vistas como benéficas porque elas permitem que o professor se focalize mais nas necessidades individuais dos estudantes", diz o estudo.

Segundo a OCDE, é preciso reduzir o tamanho da sala de aula e aliviar a carga horária de ensino do professor, ampliando dessa forma o tempo que else passa preparando aulas, em orientação pedagógica (tutoria) ou atividades de desenvolvimento profissional. E, para isso, uma solução seria aumentar o número de professores.

"Os sistemas de educação precisam determinar quantos professores são necessários para oferecer uma educação adequada para seus estudantes", diz a OCDE.

No Brasil, problemas de salas de aula lotadas, jornadas duplas de trabalho, com carga horária excessiva, são enfrentados por muitos professores e provocam desgastes em relação à profissão.

O PISA, no qual se baseia o relatório divulgado nesta segunda, é um vasto conjunto de estudos internacionais que visam medir o desempenho de sistemas educacionais de países membros e não membros da OCDE, como o Brasil. O PISA é realizado com jovens na faixa de 15 anos, o que corresponde ao primeiro ano do ensino médio.

O estudo Políticas Eficazes para Professores diz ainda que a maioria dos países do PISA tem alocado mais professores a escolas consideradas desfavorecidas - onde há mais alunos com condições socioeconômicas mais baixas - para compensar as desvantagens na comparação com escolas onde estudantes têm mais poder aquisitivo.

Mas isso nem sempre resulta em melhor qualidade do ensino, diz a OCDE. Isso porque, geralmente, "professores nas escolas mais desfavorecidas são menos qualificados e têm menos experiência" do que nas instituições com condições superiores, ressalta a organização.

Na prática, diz a organização, os efeitos positivos de aumentar o número de professores nas escolas desfavorecidas são minados se não for levada em conta a questão da qualidade do professor. "Os estudos têm mostrado que investimentos na quantidade de professores são geralmente feitos em detrimento da qualidade do ensino", ressalta a OCDE. "Estudos revelam que professores com qualificações mais fracas são mais propensos a ensinar em escolas desfavorecidas, o que pode levar a um potencial menor de oportunidades educacionais para estudantes dessas escolas", afirma o documento.

Especialização

O estudo, que enfatiza a importância do ensino de alta qualidade para reduzir as desigualdades sociais, também revela que apenas 29% dos professores de ciências no Brasil têm especialização na área.

Em países como a Finlândia, que estão entre os que apresentaram os melhores resultados do teste do PISA na área de ciências, a proporção de professores especializados nessa disciplina nas escolas públicas do país é 83%.

"Alguns estudos têm mostrado que alunos que aprendem com professores com formação específica em uma área têm melhores performances na disciplina", afirma a OCDE.

Como o último PISA focou na área de ciências, os dados sobre a especialização dos professores dizem respeito à área. "Quanto maior a diferença de qualificação dos professores de ciências entre escolas desfavorecidas e favorecidas, maior também é a diferença da performance em ciências entre estudantes na base e no topo do status socioeconômico."

No Brasil, 60% dos professores com menos qualificação educacional tendem a trabalhar mais em pequenas cidades, afirma outro estudo da OCDE divulgado nesta segunda-feira, Professores em Ibero-América: Compreensões do PISA e do Talis. "No Brasil, professores não especializados em ciências em escolas desfavorecidas ensinam assuntos que não estavam incluídos em sua formação ou programa de qualificação com mais frequência do que professores não especializados em escolas favorecidas."

O estudo específico sobre países ibero-americanos também nota que a demanda por professores aumentou na região devido ao rápido crescimento do número de estudantes matriculados, sobretudo na América Latina, em razão de um maior acesso à educação.

Em resposta à essa demanda, "os requisitos para ingressar na profissão docente foram reduzidos", afirma o documento.

Isso fez com que a profissão começasse a ser desvalorizada, vista como um ofício de poucas exigências e baixa qualificação, acrescenta a organização.

No Brasil, apenas pouco mais de 10% dos professores acham que a profissão é valorizada pela sociedade.

Entre 2003 e 2015, mais de 493 mil novos alunos no Brasil foram somados ao total da população estudantil de 15 anos, um aumento de 21%.

A expansão das matrículas, diz a OCDE, se deve a melhoras na capacidade para manter os alunos no sistema de ensino à medida que eles progridem a níveis superiores.

 

Fonte: CartaCapital/BBC Brasil/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!