14/06/2018

Rui diz que sua chapa vai levar em conta cenário local

 

O governador da Bahia e pré-candidato à reeleição, Rui Costa (PT), disse nesta terça-feira, 12, que a composição de sua chapa à reeleição "vai levar em conta muito mais o cenário estadual do que o nacional". A declaração do governador baiano vai de encontro à orientação do Diretório Nacional petista, que, em resolução publicada no fim de semana, determinou que as alianças regionais sejam subordinadas à coligação para a candidatura presidencial.

Rui tem indicado que não vai oferecer à senadora Lídice da Matta (PSB), aliada histórica do PT na Bahia, uma das vagas de pré-candidato ao Senado em sua aliança. O encontro com a senadora já foi adiado algumas vezes. O último adiamento foi nesta terça, véspera de um almoço marcado entre os dois. O encontro deve ocorrer até o final desta semana.

O PSB é visto como prioridade do PT para a composição de uma aliança nacional. As duas legendas negociam apoios mútuos em 11 Estados - Bahia, ao lado de Pernambuco, Minas e Amapá eram tidos como prioridade.

Na semana passada, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), se reuniu com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. No mesmo dia, decidiu adiar os encontros estaduais para ganhar tempo para que o PT de Pernambuco desista de candidatura própria e apoie a reeleição de Câmara. Além disso, o PT cogita oferecer ao ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), a vaga de candidato a vice-presidência.

Rui pretende oferecer a vaga de candidato ao Senado ao presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ângelo Coronel (PSD), aliado do senador Otto Alencar. A segunda vaga na chapa é reservada ao padrinho político de Rui, o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

Nesta terça, o governador justificou que o cenário nacional ainda está muito indefinido e não há nenhuma previsão de nos próximos 30 dias ter uma definição. "O cenário nacional pode se mexer para um lado ou para o outro a partir de julho, após a Copa, e nós não vamos esperar até lá", disse.

O anúncio oficial da formação da chapa, antes marcado para sexta-feira, dia 15, pode ser adiado para a próxima semana. O objetivo, dizem interlocutores do governo, é diluir o desgaste da exclusão do PSB em meio à repercussão dos festejos juninos.

Se alijar de sua chapa a senadora do PSB, Rui também baterá de frente com Gleisi, defensora da pré-candidatura à reeleição de Lídice ao Senado. Ao lado da presidente do PT, Lídice foi uma das senadoras que estiveram na linha de frente para tentar evitar o impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Gleisi, inclusive, já gravou vídeos em apoio à pré-candidatura de Lídice ao Senado. No final de semana, a senadora paranaense disse ao Jornal do Brasil que inteferiria no assunto. "Se for necessário, vamos ter mais ênfase ainda em defender. Seria o momento de retribuir à Lídice a todo o apoio que ela nos deu", disse.

Nesta terça, a assessoria da senadora paranaense enviou nota afirmando que "o esforço do PT é fazer aliança nacional e alianças estaduais com a centro-esquerda, especialmente com o PSB, onde isso for possível, respeitando a realidade politica de cada estado". A assessoria de Lídice afirmou que ela não iria se pronunciar.

Leão chega e Rui deve anunciar a chapa segunda, no calor do forró

João Leão, o vice-governador, chega da China nesta quarta-feira, 13, e libera Rui Costa para acabar a novela da segunda vaga para o Senado anunciando a chapa, o que deve acontecer segunda, no finzinho da tarde, quando ele reúne deputados e senadores no Palácio de Ondina para o forró da confraternização, o que seria algo novo, ao som de Asa Branca, de Gonzagão, dizem alguns.

Pelo que se dizia nos bastidores nesta terça. 12, a senadora Lídice da Mata (PSD) ainda tem uma chance, embora tênue: Jaques Wagner, que é tido como nome certo na chapa, recebe intensas pressões para ser o eventual substituto de Lula, ideia da qual ele foge ostensivamente, em público e no particular. Se aceitar, sobra a esperada vaga.

Nas pesquisas

Os que pressionam Wagner dizem que as pesquisas apontam Lula como um grande eleitor. O abençoado por ele seria automaticamente candidato a receber, de saída, em torno de 30% dos votos, o que, por tabela, seria a garantia de vaga no segundo turno. A questão é convencer Wagner.

Fora disso, fica tudo como estava, Rui com o trabalho de mitigar o máximo que puder as mágoas de Lídice e seus aliados, que tentam os últimos cartuchos apegando-se numa resolução do PT que obriga os diretórios a passarem pelo crivo nacional as alianças estaduais.

O que a senadora Gleisi Hoffmann (SC), presidente nacional do PT, vislumbra é a aliança nacional com o PSB de Lídice, mas os aliados de Rui afirmam que não é bem assim. A chapa de Rui, com Wagner, mais Ângelo Coronel do PSD de Otto Alencar para o Senado e João Leão (PP) de vice, promete estar junta na questão federal.

Governistas tentam convencer Lídice a aceitar suplência de Wagner; plano B é Bebeto

Uma ala governista tenta convencer até o último minuto a senadora Lídice da Mata (PSB) a disputar suplência de Jaques Wagner (PT), que será candidato à Câmara Alta do Congresso, conforme apuração do Bahia Notícias.

A ideia é que, se for eleito e alguém do PT ou aliado conseguir vencer as eleições presidenciais, Wagner pediria licença do mandato para voltar a ser ministro de Estado.Com isso, a socialista assumiria a cadeira.

No entanto, Lídice e o partido não estão satisfeitos com a opção. A tendência hoje é ela sair a deputada federal. O plano imediato é fazer Bebeto Galvão desistir da candidatura à reeleição para ocupar esse espaço concedido a Lídice.

O governador Rui Costa (PT) quer ganhar tempo para postergar o anúncio da chapa e conseguir equalizar esse imbróglio.

Nesta terça-feira (12), o chefe do Executivo baiano disse que esperaria a chegada do seu vice João Leão (PP), que está na China, para poder, enfim, divulgar a chapa majoritária completa à imprensa até a próxima terça-feira (19), após afirmar anteriormente que divulgaria na primeira semana de junho.

PSB baiano evita falar sobre aliança DEM e Ciro

Presidente do PSB na Bahia e integrante da Executiva nacional do partido, a senadora Lídice da Mata evitou, ontem, comentar a articulação do presidenciável Ciro Gomes (PDT) para firmar uma aliança com o Democratas. A socialista baiana disse que só vai falar sobre o assunto após a decisão do pedetista. “Não comento especulações”, ressaltou, em nota enviada à Tribuna. Segundo a imprensa nacional, o irmão do pré-candidato a presidente, Cid Gomes (PDT), terá uma reunião hoje com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que também é presidenciável, para tentar fechar um acordo com os democratas.  Haveria um encontro entre o próprio Ciro Gomes e o chefe do Legislativo, mas teria sido cancelado após uma fala do pré-candidato do PDT.

Em entrevista na Argentina, Ciro deu uma declaração polêmica sobre o partido de Maia. “Minha prioridade são o PSB e o PCdoB. Se isso ocorrer, posso avançar em partidos do centro à direita, como PP e DEM, porque a hegemonia moral e intelectual do rumo estará afirmada”, afirmou. Presidente nacional do Democratas, ACM Neto, no entanto, minimizou a fala. “Acho que a declaração foi descontextualizada. Eu, inclusive, recebi no próprio sábado telefonemas de pessoas ligadas ao partido do pré-candidato Ciro para esclarecer que o contexto não era aquele. Então, eu repito: Não vou ficar levando em consideração o que se debate na imprensa”, pontuou. Ontem, o presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães, disse que “não via problema” na aproximação de Ciro Gomes com o DEM, mas negou que os comunistas articulam para fechar com o presidenciável. Segundo o baiano, a sua sigla mantém a pré-candidatura de Manuela D’Ávila ao Palácio do Planalto.

“[Ciro] está tentando viabilizar uma aliança ampla. Eu entendo o motivo de ele estar fazendo isso. Não estou dizendo se é boa ou ruim, mas entendo a movimentação para ampliar a aliança. Se formar uma aliança ampla é importante para estabilizar o país. O problema é qual vai ser a composição do programa defendido por ele”, afirmou o comunista, em entrevista à Tribuna. Para Davidson, um acordo entre Ciro Gomes e o DEM pode “sepultar” a candidatura do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), à Presidência.  “Isso é uma grande consequência do golpe [impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff]. O principal partido capitaneado do golpe, agora, está sendo alijado do processo eleitoral até o momento”, analisou.

Maia diz manter pré-candidatura

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse, ontem, que mantém a sua candidatura ao Palácio do Planalto. Segundo ele, a decisão sobre desistir precisa ser tomada de forma “cuidadosa”. “Eu, como presidente da Câmara, disse a ACM Neto que a minha posição tinha que ser cuidadosa. […] Não estou retirando minha pré-candidatura, mas a minha prioridade é a estabilização. Não cabe ao presidente da Câmara contribuir para instabilidade agora. Estamos dialogando. Como um dia vale por um ano, não sabemos o que vai acontecer no fim do mês”, pontuou, em entrevista à rádio Metrópole.

Anteontem, o presidente nacional do Democratas, ACM Neto, não descartou a possibilidade de Maia desistir da candidatura para o partido apoiar um projeto que pense no “futuro do Brasil”. Maia apostou, ainda, que só quatro nomes vão disputar o Palácio do Planalto “para valer”, apesar 19 postulantes almejarem o cargo atualmente. “Vão sobrar uns quatro nomes para valer. O importante é que se garanta o que a gente acredita”, afirmou, ao criticar que apenas alguns segmentos da sociedade têm tido prioridade na política.

 

Fonte: Agencia Estado/A Tarde/Tribuna/BN/Municipios Baianos

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