14/06/2018

Quando a rivalidade vai além das 4 linhas na Copa 2018

 

Nesta quinta-feira (14) começa o Mundial da Rússia. A partida inaugural reúne dois dos principais atores que se enfrentam de forma indireta na Síria. Por um lado, a Rússia, que tem dado todo tipo de apoio ao regime de Damasco, e do outro a Arábia Saudita, que tentou derrubar Bashar al Asad por meio dos rebeldes.

A família real saudita vê Asad como um aliado de seu arqui-inimigo Irã, com o qual mantém um enfrentamento ancestral, sendo os dois países os mais representativos dos dois ramos do Islã: sunitas (sauditas) e xiitas (iranianos).

Parece improvável que Irã e Arábia Saudita se classifiquem em seus grupos, mas se os dois conseguissem poderiam cruzar nas oitavas de final. Isso sim seria uma partida da mais alta rivalidade. E quem vencer surge uma oportunidade para abrir uma via diplomática…

Os sauditas fecham sua participação na fase de grupos contra o Egito. Ainda que agora sejam aliados contra inimigos comuns como Irã e Catar, os dois sempre disputaram a supremacia no mundo árabe. O Egito representa desde os tempos de Nasser (que governou o país de 1954 a 1970) a bandeira do nacionalismo árabe, enquanto os sauditas têm sido a potência econômica aliada dos Estados Unidos.

No grupo da Espanha, além de Portugal, estão Irã e Marrocos. No início de maio, Rabat anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o regime de Teerã, acusando-o de financiar e armar a Frente Polisario. O governo marroquino acusou a milícia libanesa do Hizbolah (tutelada pelo Irã) de treinar membros do Polisario em Tinduf. Além disso, o governo marroquino expulsou os diplomatas iranianos. O Irã negou todas as acusações e as vincula a uma estratégia da Arábia Saudita para isolar o país internacionalmente. A geopolítica do Oriente Médio vai estar muito presente na primeira fase do torneio.

Feridas da Iugoslávia

Seria quase um milagre que Croácia e Sérvia se encontrassem neste Mundial da Rússia. Ambas teriam que chegar às semifinais. Esta sim seria uma partida com história, já que as duas nunca se encontraram em um jogo oficial. Na memória perdura o jogo que em 13 de maio de 1990 foi como gasolina para o pavio que já estava aceso na antiga Iugoslávia.

Disputava-se em Zagreb o clássico do futebol iugoslavo entre o Dínamo e o Estrela Vermelha de Belgrado. Nas arquibancadas os ultras sérvios começaram a atacar os torcedores croatas ante a passividade da polícia iugoslava (controlada por Belgrado). Boban, o principal jogador do Dínamo, frustrado pelo que via, acabou dando um chute em um policial. Esta se converteu automaticamente na imagem da luta croata contra o opressor sérvio. Quem não veria agora, ainda que fosse por mero interesse antropológico, um duelo entre Croácia e Sérvia?

Polônia e Rússia também terão que chegar às semifinais para se enfrentar. O conflito histórico entre os dois teve muitos momentos marcantes. Desde o Império Russo controlando grande parte do território polonês passando pela dominação soviética e à tensão pela presença da Otan às portas da Rússia de Putin. Talvez o episódio mais doloroso para os poloneses tenha sido descobrir como os soviéticos os enganaram ao culpar os alemães pelo Massacre de Katyn. Nesse bosque russo foram assassinados mais de 20 mil poloneses, entre os quais se encontrava a nata de seu comando militar e policial, além de grande parte de seus intelectuais, professores, artistas… O regime de Stálin tratou de responsabilizar os nazistas até que em 1990 Gorbatchev reconheceu que a ordem havia sido dada pelo Kremlin.

Com as Malvinas na lembrança

A quintessência de uma rivalidade que supera o campo desportivo é a que mantêm Inglaterra e Argentina. A luta dentro de campo começou em 1966 quando os ingleses eliminaram os argentinos em Wembley com uma polêmica expulsão de Antonio Rattín, que, ao abandonar o campo, espremeu levemente uma bandeira inglesa com as mãos, fazendo gestos para a arquibancada.

Mas tudo chegou a uma outra dimensão com a Guerra das Malvinas em 1982. Depois da humilhante derrota militar argentina, o futebol deu uma oportunidade de revanche na vitrine global que foi o Mundial do México em 1986. Maradona fez no duelo dois gols para a posteridade nas quartas de final contra os ingleses. O primeiro é o de "la mano de Dios" e o segundo, que os argentinos lembram como o "gol do século", no qual deixou pra trás meio time inglês. O primeiro machucou mais que o segundo. Ambos voltaram a se encontrar em 1998, com vitória argentina, e em 2002, com um triunfo inglês. A eterna revanche nesta Copa só será possível nas semifinais.

O Mundial da Rússia oferece múltiplos enfrentamentos de países com rivalidade além-campo. Entre os classificados não se encontram os Estados Unidos. Pode ser que o perfil de Donald Trump no Twitter tenha perdido uma grande ocasião para desenvolver seu particular conceito de diplomacia.

Associada ao golpe, 'amarelinha' da Seleção é 'esquecida' pelos torcedores. Por Felipe Mascari

Tradicionalmente, a camiseta amarela da seleção brasileira sempre foi o item mais vendido entre os produtos lançados tendo a Copa do Mundo como tema. Mas para a Copa da Rússia, que começa nesta quinta (15), o cenário se alterou. Segundo lojistas e ambulantes ouvidos pela RBA, apesar de as vendas serem "satisfatórias", é a camisa do uniforme número dois da Seleção, a "azulzinha", que ganhou a preferência dos torcedores para acompanhar os jogos do time brasileiro – que estreia pelo grupo E do torneio, no domingo (17), às 15h, contra a Suíça.

A principal razão apontada pela queda do interesse na tradicional "amarelinha" é ela ter virado "uniforme" nas manifestações pró-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, a partir de 2014. Transformada em símbolo de apoio ao golpe que derrubou a presidenta em 2016, atraiu rejeição por grande parte dos demais brasileiros. "Tá chegando a Copa e eu não vejo ninguém com a camisa do Brasil. Essa camisa virou sinônimo de filho da puta, de golpista", disse o cantor João Gordo, do Ratos do Porão, durante apresentação na Virada Cultural paulistana do mês passado.

Em entrevista à revista Época, o escritor Marcelo Rubens Paiva afirmou que jogou fora todas suas camisetas do Brasil, por causa da lembrança política que elas trazem. "Não dá para vestir a camisa da Seleção, que virou símbolo de uma massa de manobra comandada por golpistas", diz ele acrescentando que torcerá na Copa com o uniforme do Corinthians.

A RBA entrou em contato com lojas físicas da rede Centauro, especializada em materiais esportivos, e a resposta foi unânime: a camiseta azul é a mais vendida e está até esgotada em algumas unidades. "Geralmente, o que vem em maior quantidade é a amarela, mas a saída da azul é muito boa", conta uma supervisora, que pede para manter seu nome em sigilo, em respeito a normas internas da empresa.

Os dados de outra rede de lojas do setor, a Netshoes (que só opera pela internet), também mostram a preferência do torcedor pelo segundo uniforme, que vem registrando procura 20% maior que a "concorrente" amarela.

As camisas oficiais usadas pela Seleção chegam ao consumidor pelo preço de R$ 450. Uma versão mais simples é vendida por R$ 249,90. Se o torcedor quiser montar um kit com meião e calção o valor chega a R$ 650.

A reportagem também foi à Rua 25 de Março, famosa pela concentração de vendedores ambulantes, os camelôs, no centro de São Paulo. No local, até porque as peças não são originais, os preços praticados são bem mais baixos – variam entre R$ 25 e R$ 65 – , e a agora cobiçada camiseta azul da Seleção também está em falta.

O supervisor de vendas Rafael Ferreira parou na barraca do camelô Edvan e levou sua camisa. "É mais chamativo. Não que a amarela seja ruim, mas a azul é muito bonita", diz ele. "Está saindo bastante camiseta azul, se não vier comprar logo, acaba. As vendas (da azul) aumentaram, comparado a 2014", acrescenta o vendedor.

Com três sacolas cheias das "azulzinhas", o técnico em celulares Tadeu Freitas explica genericamente sua preferência. "O pessoal está pedindo mais, querem algo diferente."

Alguns comerciantes relatam que a baixa procura pela versão amarela fez baixar seu preço, o que ainda lhe garante algumas vendas. "A principal vende mais porque a azul está mais cara, já que a procura é grande", diz Dodô, que também trabalha na 25 de Março.

Queda no consumo

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, 50% das famílias tiveram interesse em comprar itens relacionados com a Seleção Brasileira e o Mundial. Já neste ano, o percentual caiu para 24%. A procura por peças de vestuário desperta interesse em apenas 7,5% das famílias e por aparelhos de televisão, em 4,3% delas.

Em entrevista à Radioagência Nacional, o chefe da Divisão Econômica da CNC, Fabio Bentes, diz que o desemprego é um dos motivadores do índice baixo, já que o desemprego em 2014 era de 7,1% , contra 12,9% medido agora, segundo o IBGE.

"Outro fator que também ajuda, principalmente na compra de televisores, que é o carro chefe na movimentação financeira, há o comportamento do crédito, já que a taxa de juros está em 55% ao ano. Soma-se a isso o fato de o evento ser do outro lado do mundo. É normal que as famílias acabem menos empolgadas", disse.

Possibilidades para uma nova era do futebol mundial. Por Renato Pompeu

O fim da Copa do Mundo da África do Sul abriu uma nova era no futebol mundial e no futebol brasileiro em particular. Encerrou-se a época em que os quatro grandes – Brasil, Itália, Alemanha e Argentina – sempre tinham pelo menos um representante na final, a época em que só o Brasil erguia a taça fora de seu continente. Outra mudança significativa foi a confirmação de que não há mais supercraques do nível de Pelé, Beckenbauer­, Cruijff e Maradona, à medida que a progressiva e hoje milimétrica ocupação dos espaços do campo, tornada possível pelo desempenho físico mais intenso, dificulta maiores desempenhos técnicos. Enquanto isso, agora os melhores craques europeus têm nível comparável aos melhores sul-americanos, os quais sobressaíam no trato da bola até pouco tempo atrás. A diferença técnica entre Kaká e Iniesta é bem menor do que a que havia, digamos, entre Pelé e Beckenbauer.

No Brasil, acabou a Era Dunga. A substituição desse treinador por Mano Menezes abre um período cheio de novas possibilidades. Mano tem uma mentalidade mais profissional do que a do corporativo e grupista Dunga; está longe de ser teimoso e é menos influenciado pelos esquemas táticos europeus. Mano dificilmente será apanhado de surpresa por surpresas... previsíveis, ao contrário de Dunga, que não deu ouvidos às unanimidades de que não havia um substituto, nem mesmo um companheiro, para Kaká, e de que o esquema tático, se funcionava no caso de vantagem no marcador, não tinha muitas alternativas para o caso de placar adverso.

Para os brasileiros e, por que não dizer, para o mundo inteiro, é particularmente importante o fato de que a próxima Copa, em 2014, vai ser disputada em nosso país. Deixando de lado a questão da preparação do Brasil em termos de estádios e de infraestrutura, e pensando apenas no futebol, será uma experiência inédita para a esmagadora maioria da população. Apenas aqueles que estão hoje com mais de 65 anos têm alguma lembrança do que foi a Copa de 1950. De qualquer modo, deverá ocorrer uma movimentação de massas em escala nunca vista no país. Isso apesar de, já nos anos 1950, técnicos de futebol estrangeiros que visitaram o Brasil terem notado que “o brasileiro não gosta de futebol, e sim de torcer para o futebol”.

Em outras palavras, no Brasil, se Corinthians e Flamengo estiverem mal, e times fora dos grandes centros estiverem muito bem, os dois primeiros continuarão atraindo mais espectadores e mais telespectadores e radiouvintes do que os times pequenos, tecnicamente muito melhores e mais bem situados nas classificações. Do mesmo modo, os times de maior torcida continuarão tendo mais atenção da mídia do que os melhores times.

Não podemos afirmar com certeza se, com exceção das respectivas colônias, haverá tantos brasileiros como havia sul-africanos assis­tindo a uma final Espanha x Holanda. Afinal, muito menos gente no Brasil viu, por exemplo, a final Argentina x Holanda em 1978 do que havia visto o jogo Argentina x Brasil naquela Copa.

Também teremos oportunidade de constatar, se o Brasil não cumprir a verdadeira “obrigação” de ganhar a Copa em casa, se a reação da torcida vai ser tão tranquila quanto em 1950, quando o público no Maracanã simplesmente aplaudiu os uruguaios ao final do jogo. Tudo indica que uma eventual derrota não vai ser recebida com tanta serenidade. Isso apesar de, do ponto de vista estritamente futebolístico, contar como mérito para o Brasil o fato de ser o país com mais Copas conquistadas e, entre os que as conquistaram, o único, ao lado da Espanha, que nunca a ganhou em casa.

País do soccer

Mas, em termos mais globais, a maior novidade que a próxima Copa pode trazer é uma incorporação um tanto mais permanente da torcida americana à torcida mundial. Para entender o que está ocorrendo no futebol dos Estados Unidos, precisamos levar em conta que, se o futebol é um espetáculo dramático, em que cada time, além de si próprio, é um símbolo sociocultural – no caso do Corinthians, o “povão”; no caso do Roma, os esquerdistas; no caso dos Celtics de Glasgow, os católicos –, o fato é que isso não é específico do futebol, mas ocorre também com o vôlei, o basquete, o beisebol, o futebol americano.

O que é específico do futebol é o grande uso do pé e a proibição do uso da mão. Ou seja, o futebol vai atrair aqueles que usam pouco os pés e usam muito as mãos, trabalhando em fábricas ou escritórios, como inversão de sua postura usual. Mais exatamente, o futebol vai atrair as classes trabalhadoras que continuam se sentindo classes trabalhadoras fora do local de trabalho.

Ora, as classes trabalhadoras não existem fora do local de trabalho nos Estados Unidos, não têm sindicatos fortes e muito menos partidos políticos próprios, por exemplo. Os trabalhadores americanos se identificam muito mais com o basquete, muito parecido com uma linha de montagem, ou com o beisebol, em que a cada momento apenas um de “nós” está enfrentando o mundo hostil, que é como os americanos se sentem em geral fora do local de trabalho.

Lembremos que, no Japão, até poucas décadas atrás o futebol não era importante, e o sistema de emprego vitalício fazia cada trabalhador se sentir muito mais membro de sua empresa, como se fosse uma família, do que membro das classes trabalhadoras. O interesse pelo futebol cresceu à medida que aumentou o número de trabalhadores japoneses não protegidos pela vitaliciedade do emprego.

A mesma coisa está para acontecer nos Estados Unidos. O interesse pelo futebol nunca foi tão grande lá, como aconteceu na última Copa, que lá atraiu, por exemplo, mais internautas do que as finais de futebol americano. Com a crise econômica, se vêm alterando radicalmente as visões que as classes trabalhadoras americanas têm de si próprias, de um lado, e do futebol, de outro.

Não foi à toa que a direita americana mais conservadora passou a bradar que o futebol é um “esporte estrangeiro” e “de pobres”, enquanto um parlamentar republicano apresentou um projeto de proibição de prática do futebol nas escolas. Mas atenção: o fato de os trabalhadores americanos poderem se tornar mais fãs do futebol não implica necessariamente um maior progressismo deles. Pois as massas de torcedores de futebol podem muito bem ser fascistas.

Brasil vira motivo de chacota em Moscou após ‘traição’ da CBF

A CBF quebrou o acordo que a Conmebol fez com os seus dez membros para votarem na candidatura conjunta de Canadá, Estados Unidos e México (United 2026) para a Copa do Mundo e acabou optando por votar em Marrocos, que saiu derrotado em eleição nesta quarta-feira (13) em Moscou.

A Colômbia, assim como o Brasil, não cumpriu o combinado e votou na candidatura marroquina. O apoio unânime da Conmebol havia sido anunciado após a reunião do conselho da entidade na última segunda-feira (11) em um hotel da capital russa. Isso inclusive havia sido colocado no Twitter da entidade.

A escolha do Brasil acabou não fazendo diferença, uma vez que a United 2026 teve 134 votos contra apenas 65 dos africanos. Isso, entretanto, poderá levar a uma crise de relacionamento dentro da entidade presidida pelo argentino Alejandro Domínguez. "Não fui eu que votei. Dei para um de nossos delegados votar. Mas eu votaria mesmo no Marrocos. Ainda não teve Copa do Mundo lá, era uma chance para eles", disse o presidente da CBF Coronel Nunes. "Por que não escolher o Marrocos e dar para Estados Unidos onde já teve uma Copa e para o México que vai para a terceira?", disse o mandatário.

O presidente então foi questionado se não valeria ter feito um esforço na Conmebol para que mais países votassem por Marrocos. "Não tem como influenciar lá não", disse Nunes, de acordo com a Folhapress.

Já segundo o Globoesporte.com, a explicação do presidente da CBF não convenceu, pois ele tinha se comprometido publicamente em votar nos EUA. A mudança foi um desastre diplomático e o Brasil acabou virando motivo de piada entre os cartolas que estão em Moscou

 

Fonte: RBA/Folhapress/Municipios Baianos

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