16/06/2018

Marun prevê que Temer será vitima de perseguição

 

Instalado numa quina do quarto andar do Palácio do Planalto, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) tornou-se a face mais visível do primeiro escalão do governo. Onde houver uma encrenca, lá estará o rosto redondo do deputado sul-mato-grossense. Oficialmente, é coordenador político do governo. Na prática, atua como general sem farda da tropa do presidente. Em entrevista ao blog, Marun manifestou em voz alta inquietações sobre o futuro penal de Michel Temer — tema que auxiliares e aliados do presidente costumam abordar apenas longe dos refletores, aos sussurros.

''EU TENHO ESSE RECEIO'', DIZ MARUN SOBRE EVENTUAL PRISÃO DE TEMER

Marun prevê que, a partir de 1º de janeiro, depois que deixar a poltrona de presidente da República, Temer será submetido a “uma grande perseguição”. O repórter indagou: Acha que Temer pode ser preso? E o ministro: “Hoje em dia qualquer um pode ser preso, principalmente no império das prisões preventivas. O meu receio é que o devido processo legal não seja observado.” Marun não é um neófito na matéria. Como deputado, foi general da tropa de Eduardo Cunha, que escorregou da presidência da Câmara para a cadeia, onde se encontra desde 2016.

Há no freezer duas denúncias criminais contra Temer. Correm no Supremo mais dois inquéritos por corrupção estrelados pelo presidente. Marun desqualifica as acusações. Parece mais preocupado com os tiros que magistrados de primeira instância e procuradores irão disparar quando tiverem acesso ao paiol. “Eu tenho esse receio porque nós temos no Brasil duas categorias profissionais, talvez as únicas, que não têm nenhuma responsabilidade sobre os seus atos: juiz e promotor.” O governo resistiria a uma terceira denúncia da Procuradoria? Se vier, será “soterrada” no Legislativo, disse Marun.

MARUN: SE VIER, TERCEIRA DENÚNCIA SERÁ ''SOTERRADA'' NO CONGRESSO

O gabinete de Marun é o mesmo que já foi ocupado por Geddel Vieira Lima, hoje hospedado no presídio brasiliense da Papuda. O ministro está separado da sala de Temer apenas por um lance de escada. Amigo de Temer há três décadas, Geddel tinha livre acesso à maçaneta do gabinete presidencial. Cristão novo no grupo de Temer, Marun ganhou a confiança do presidente pela lealdade. “A quem interessa,  hoje, uma terceira denuncia?”, ele questiona. “A quem interessa paralisar novamente o Congresso, como foi paralisado no segundo semestre do ano passado?”

É grande o incômodo de Marun com Ciro Gomes. O presidenciável do PDT refere-se a Temer como “escroque”. E repete à exaustão que, eleito, vai aniquilar o MDB, pois o partido “só existe para roubar”. Questionado sobre Ciro, Marun bateu abaixo da linha da cintura: “Essas pessoas que falam com muita facilidade em roubo na verdade são ladrões. São pessoas que medem os outros pela régua do seu próprio caráter. […] Vive do que o Ciro Gomes?”

MARUN SOBRE CIRO: ''QUEM FALA COM FACILIDADE EM ROUBO É LADRÃO''

Para se contrapor a presidenciáveis situados nos polos “extremos” do espectro político —como Ciro Gomes e Jair Bolsonaro—, Marun ecoa Temer na defesa de uma união dos partidos de centro. Na contramão do diagnóstico dos especialistas, o ministro aponta como causa do raquitismo das candidaturas centristas o jogo de esconde-esconde travado pelos presidenciáveis desse campo para ocultar seus vínculos com um governo reprovado por 82% dos brasileiros.

“Eu vejo todos os candidatos de centro errando nisso”, declarou o coordenador político de Temer. “Por isso que não crescem. Existe um raquitismo de votos. Ora, nós fizemos juntos o impeachment, governamos juntos. Aí, os candidatos dos partidos [dizem]: ‘Não, eu não tenho nada a ver com o governo.’ Isso passa uma imagem de oportunismo, de hipocria à sociedade, que se torna um teto para o crescimento eleitoral desses candidatos.”

MARUN: CANDIDATOS DE CENTRO NÃO CRESCEM POR SE AFASTAR DE TEMER

Marun comparou a fuga dos aliados com o destemor de Lula. “Ora, nós temos um candidato preso. E ele, que mantém posição, não baixa. É o líder das pesquisas. Aqui, as pessoas, em vez de construírem um discurso, reconhecendo o que fizeram juntos no governo, destacando o que o governo fez de positivo, eles tentam se afastar.” Para o ministro, a união do centro ocorrerá por razões de “sobrevivência”, após a Copa do Mundo.

O articulador político de Temer defendeu o nome de Henrique Meirelles, do MDB. Mas admitiu uma composição com o tucano Geraldo Alckmin ou quem estiver mais bem-posto nas pesquisas. “Não descarto outras possibilidades”, disse Marun. A imposição de um nome não seria união, mas adesão, ele acrescentou.

Na Copa, presidenciáveis são estraga-prazeres

Começou a Copa do Mundo. Nas próximas semanas, a plateia, que já olha com má vontade para a política, tende a desligar a realidade da tomada. Enquanto a seleção brasileira estiver na disputa, Lula, Bolsonaro, Marina, Ciro e Alckmin farão parte de um time de estraga-prazeres. O recesso compulsório é uma oportunidade para que os candidatos reflitam sobre sua incapacidade de oferecer esperança aos brasileiros que planejam jogar o voto no lixo em outubro: 34% do eleitorado, segundo o Datafolha.

Em meio a muitas dúvidas, já é possível fazer uma previsão com boa dose de certeza: o quadro de candidatos sofrerá uma lipoaspiração. A fase de teste de candidaturas vai chegando ao limite. Durante a Copa, acertos celebrados no vestiário, longe dos refletores, empurrarão para fora do campo candidatos sem voto, liberando os partidos para engatar os seus interesses nas coligações mais convenientes.

É preciso melhorar a qualidade da partida. Lula ficou parecido com o Maradona na Copa de 86, no jogo contra a Inglaterra. Acha que, saltando na pequena área do TSE em agosto, pode fazer gol com a mão. Candidatos com o Ciro Gomes e Geraldo Alckmin disputam o tempo de TV de PPs e PRs. Imaginam que, em plena era da corrupção, ninguém vai notar a troca de passes com legendas sujas. Pode ser. Mas convém lembrar a pergunta de Garrincha para o técnico Vicente Feola: “Já combinou com os russos.” Numa eleição, quem decide o jogo são os “russos” da arquibancada, que andam irritados.

Os patéticos. Por Fernando Brito

No início de 2016, ano do golpe parlamentar-judicial que atirou o Brasil no imponderável, seria louco quem dissesse que chegaríamos às eleições presidenciais de 2018 com a direita reduzida a candidaturas patéticas.

No infeliz ano novo que começava, as pesquisas indicavam – pode parecer incrível a você, hoje – Aécio Neves como o líder das intenções de voto, com 27% no Datafolha. Fosse Alckmin o candidato tucano, ainda teria um patamar do qual partir, com seus então 14%.

Jair Bolsonaro era apenas um pequeno quisto (4%, na pesquisa de dezembro de 2015) e Henrique Meirelles estava a poucos meses de ser apresentado como líder do “dream team” que salvaria o país da recessão.

Hoje, exceto por Bolsonaro, que virou mesmo um tumor, a direita brasileira reduziu-se a candidaturas patéticas.

Henrique Meirelles é uma piada dentro do próprio (P)MDB, apenas um “é o que temos” com dinheiro suficiente para que os deputados do partido não tenham de gastar o fundo partidário com um fiasco, digo, uma candidatura presidencial.

O PSDB, agora sem o seu falecido Aécio, amarga índices de inacreditáveis 5 ou 6% para Alckmin e se vê diante da inimaginável situação de poder perder até mesmo em seu quartel general, São Paulo.

Meirelles e Alckmin vivem a patética situação de não serem defenestrados das candidaturas apenas por absoluta falta de outros que caibam nesse lugar. Dória, o aventureiro que surgia como opção, esfarinhou-se e Temer e a Lava Jato encarregarem-se, no MBD,  de moer qualquer sonho de continuidade do infeliz ocupante do Planalto.

Bolsonaro virou seu candidato, apesar do teto da repugnância em que esbarra e o patético da situação agora se agrava com a anunciada tentativa de Geraldo Alckmin em “polarizar” o debate com ele.

Os tucanos verificarão, amargamente, que não há debate possível com o candidato que construíram com seu ódio, porque poucos, entre os dele, se importam com qualquer traço de razão. Bolsonaro cresce em seu próprio silêncio e deixa que seu discurso seja o ódio que tucanos e mídia construíram e constroem.

A polarização que decidirá a eleição está em Curitiba e não dá sinais de se abrandar: na pesquisa que citei, Lula tinha 20% das intenções de voto e hoje, mesmo encarcerado e apresentado ao país como alguém que está inexoravelmente fora da disputa, tem 30%.

O golpe é patético, como patética é a situação de seus promotores.

Levaram o país a um torvelinho que, infelizmente, está muito longe de seu fim.

 

Fonte: BlogdoJosias/Tijolaço/Municipios Baianos

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