16/06/2018

Copa do Mundo reforça o prestígio de Putin na política

 

Às vésperas da Copa do Mundo de futebol na Rússia, o presidente Vladimir Putin aparece radiante, prometendo hospitalidade a atletas, torcedores e turistas, e fortalecido no cenário internacional. Seus oponentes ocidentais, com sua inconsequência e suas picuinhas internas, contribuíram muito para melhorar a imagem do líder russo, que, graças sobretudo ao presidente norte-americano, Donald Trump, foi o autêntico vencedor à distância da última cúpula do G7 no Canadá.

Em 1997, o clube dos países mais ricos se ampliou com a incorporação da Rússia e se transformou no G8. Em 2014, os sócios daquele fórum de elite expulsaram Putin por causa da anexação da Crimeia e da sua intervenção no Leste da Ucrânia. Omitindo as razões dessa ausência, Trump aproveitou a cúpula anual do G7 no Canadá para convidar o russo a retornar ao clube, dizendo que lhe parecia inconcebível se reunir para discutir os assuntos do mundo sem a participação de Moscou.

MESMAS RAZÕES

Agindo como principal porta-estandarte da memória histórica europeia no G7, a alemã Angela Merkel recordou a Trump que as razões para a exclusão da Rússia ainda subsistem. Entretanto, em quatro anos o conflito na Ucrânia se relativizou no ambiente midiático internacional. A chegada de Trump à Casa Branca, com as prioridades e os impulsivos tuítes que caracterizam a política norte-americana desde então, contribuíram para eclipsar o problema ucraniano. Outros fatores foram o envolvimento da Rússia em novas e mais sangrentas frentes bélicas, como a Síria, a desafortunada política de Kiev em relação aos seus territórios conflitivos, a crise econômica e a corrupção.

Nas propostas favoráveis a revisar as relações com Moscou se combinam diversas motivações, do aumento dos preços do petróleo, que favorecem a Rússia, à capacidade de Putin de resistir e manter sua linha, apesar do efeito negativo das sanções sobre sua economia, e o peso da Rússia como potência militar.

NACIONALISMO

No outro prato da balança, contra uma revisão da política ocidental com relação a Moscou, estão a militarização e o nacionalismo em expansão na Rússia e o valor atribuído ao caso da Ucrânia como precedente e “aviso aos navegantes” para outros países que a Rússia considera parte da sua esfera de influência. A isto se somou a suspeita, em Washington e outras capitais, de que o Kremlin interfere na sua política interna e nos processos eleitorais.

Putin não fez nenhuma concessão com relação à Ucrânia além de encerrar a fase bélica do conflito no leste desse país. O líder apoia os separatistas pró-russos do Leste como um instrumento de pressão sobre Kiev e, no que se refere à Crimeia, não quer olhar para trás nem mesmo para pagar a fatura da anexação a Kiev (pelo menos por enquanto). Embora pertença à Ucrânia do ponto de vista do direito internacional, a Crimeia na prática está cada vez mais integrada à Rússia, à qual foi unida por uma custosa ponte. Desde meados de maio, dezenas de milhares de carros cruzam o estreito de Kerch, entre a região de Krasnodar e a Crimeia, por esta obra de engenharia construída em tempo recorde.

BOICOTE À COPA

Os apelos da oposição liberal russa a boicotar a Copa como resposta à anexação fracassaram, como fracassaram também as convocações de boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, em fevereiro de 2014. A Ucrânia não está em condições de boicotar nada, porque nem chegou a se classificar para a Copa.

O pragmático empresariado europeu há anos pressiona seus governos contra as sanções. Seus argumentos se reforçaram sobre o pano de fundo da política de protecionismo comercial adotada por Trump, que ameaça fragmentar o G7 e transformá-lo em um “G6+1”. Putin não desperdiçou a chance de fazer propaganda dos mercados euroasiáticos: foi à China em visita de Estado e depois participou de uma cúpula de chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai (OSCH) em Tsindao, que praticamente coincidiu com a cúpula do G7 no Canadá.

COM ELEGÃNCIA

Respondendo a perguntas de jornalistas russos sobre a oferta de retorno ao G7, Putin evitou expressar sarcasmo ou vingança. “Não iremos embora. Os colegas no seu momento se negaram a vir à Rússia pelas causas conhecidas. Por favor, estaremos muito contentes de vê-los todos conosco em Moscou”, disse com elegância.

Anteriormente, porta-vozes oficiais tinham assegurado que a Rússia já não tinha interesse pelo G8, e que suas prioridades estavam em estruturas como a OCSH e outros fóruns, seja de países pós-soviéticos ou de Estados emergentes, como os BRICS, e também o G20, mais representativo da globalidade que o clube dos sete.

Putin comparou o G7 e a OCSH e disse que, em termos de poder aquisitivo, a segunda organização já superou a primeira. Nos cálculos per capita o G7 é mais rico, mas o volume econômico dos países da OCSH é maior, explicou o líder russo. Mais da metade da população do planeta está em países integrados à OCSH, salientou.

APOIO A TRUMP

Putin foi ao socorro de Trump em sua discussão com o chefe de Governo canadense, Justin Trudeau. Mencionando a associação de países pós-soviéticos mais integrados entre si, a União Econômica Euroasiática, da qual são sócios a Rússia, Belarus, Quirguistão, Cazaquistão e Armênia, Putin declarou:

“Entre nós também surgem discussões e também nem todos assinam tudo em seguida. Acho que é uma prática habitual, e que temos que aceitar isso de forma tranquila e sem ironia”.

O líder russo reiterou seu interesse em uma reunião pessoal com Trump, a quem elogiou como uma pessoa “reflexiva, que sabe escutar”, e assegurou que estava disposto a ir a uma cúpula “imediatamente”, assim que o lado norte-americano estivesse preparado para isso.

COOPERAÇÃO REAL

Na China, Pequim e Moscou confirmaram sua disposição em “respeitar as regras do comércio mundial elaboradas no mundo e aceitas por todos”, disse Putin, que, referindo-se ao “terreno escorregadio” da solidariedade ocidental no caso do ex-agente russo Serguei Skripal, exortou os membros do G7 a deixarem de lado a “charlatanice criativa” e passar à “cooperação real”.

Exemplo desta cooperação é sem dúvida a mantida pelos líderes da Rússia e China, que, além de degustarem juntos embutidos regados a vodca no aniversário do primeiro, se condecoraram mutuamente; no ano passado, o russo ao chinês com a Ordem do Apóstolo Andrei Protocletos, e neste ano o chinês ao russo com uma nova Ordem da Amizade.

Do reatamento com a Rússia em 1962 à Copa do Mundo em 2018. Por Pedro do Coutto

Foi uma grande festa que marcou a abertura da Copa do Mundo de 2018 em Moscou. A população brasileira assistiu pela televisão e se incorporou ao espetáculo às vésperas de sua estreia contra a Suíça. O espetáculo foi apreciado sem levar em conta as diferenças ideológicas que ainda persistem entre a democracia e o capitalismo de um lado, e o meio capitalismo e um regime praticamente concentrado no poder de Vladimir Putin. Podemos lembrar que em 1962 ainda existia a URSS, mas este não é o aspecto essencial da questão.

O essencial está na naturalidade hoje existente nas relações internacionais brasileiras com os países da antiga Cortina de Ferro e com todas as nações de modo geral. Essa naturalidade é um sinal dos tempos e nos faz lembrar temores e reações políticas hoje absorvidas pela força dos fatos. 

DUTRA E STALIN

Em 1947 o Brasil, governo Eurico Dutra, cortou relações diplomáticas com o governo de Stalin por causa de um incidente que envolveu num restaurante de Moscou o embaixador Soares de Pina. Criou-se assim um panorama curioso para dizer o mínimo: os EUA mantinham relações diplomáticas e comerciais com Stalin. O Brasil, não. O anticomunismo brasileiro dava o tom daquele tempo passado. O quadro ficava ainda mais sensível quando se tratava de relações comerciais. Nosso país desconhecia então a URSS. Os Estados Unidos, apesar da guerra fria, desenvolviam relações de comércio normalmente. 

O cenário tornar-se-ia mais preocupante quando em 1948 o Kremlin fechou os transportes ferroviário e rodoviário de Berlim Oriental para o resto do país. Para explicar melhor o que aconteceu, devemos destacar que no final da II Guerra, no Tratado de Yalta, os líderes das três potências aliadas contra o nazismo – Roosevelt, Churchill e Stalin – decidiram a divisão da Alemanha. A parte ocidental para EUA e Inglaterra e a oriental para a hoje Rússia.

BERLIM DIVIDIDA

Entretanto, a divisão entre oriente e ocidente aplicada à Alemanha, valia também para Berlim. Só que esta cidade estava situada no lado oriental da Alemanha. Fechados os transportes ferroviário e rodoviário, só era possível sair da capital alemã de avião. O mundo assistiu preocupado a geografia do que Churchill chamou de Cortina de Ferro. Mas esta é outra questão.

O caso brasileiro era especial. Éramos prejudicados pela impossibilidade de comércio com o país de Stalin, que assumira em 1924 e morreu em 1953. A Cortina de Ferro continuou a existir no governo  Kruschev. Mas esta é outra questão. O essencial era o bloqueio comercial que vigorava.

REATAMENTO

Em 1962 o presidente João Goulart determinou o reatamento de relações diplomática com a então URSS. Recomendou ao Chanceler Santiago Dantas que comparecesse ao Congresso Nacional e anunciasse a medida. A reação contrária foi intensa por parte do conservadorismo  da liderança exercida pelo Governador da Guanabara Carlos Lacerda, de oposição total a Jango.

Fosse hoje o que aconteceu ontem o reatamento seria encarado com naturalidade absoluta. Sinal dos tempos. Aliás, nada como o tempo para esclarecer as questões controversas.

FESTA EM MOSCOU

Ontem em Moscou uniram-se as populações do mundo para presenciar e festejar a abertura da Copa do Mundo.A Rússia não é mais comunista, realidade que se aplica parcialmente a China. No Brasil o fantasma do comunismo não assusta ninguém. Existem inclusive, funcionando livremente dois partido comunistas no Brasil.

As relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a Rússia se movimentam sem empecilhos. Portanto, vale a pena lembrar que o reatamento estabelecido em 1962 pelo governo Jango Goulart antecipou o futuro. Nem por isso Jango era comunista, tampouco a Rússia deixou de ingressar no capitalismo, nesta viagem de 56 anos na história dos dois países.

O anticomunismo deixou de ser uma ideologia e uma corrente de opinião. O comunismo deixou de ter qualquer importância.

Copa do Mundo mostra que, em matéria de racismo, a Rússia é uma aberração

Mulheres russas devem evitar sexo com homens estrangeiros que não são de raça branca durante a Copa do Mundo. Essa é a recomendação da chefe do parlamento do Comitê para Famílias, Tamara Pletnyova, assinalando que as russas poderiam se tornar mães solteiras para crianças mestiças. “Mesmo quando as mulheres russas se casam com estrangeiros, as relações muitas vezes acabam mal”, disse a chefe do parlamento em resposta a uma pergunta da estação de rádio Govorit Moskva sobre os chamados “Filhos das Olimpíadas” depois dos Jogos de 1980.

Na época, a contracepção não era amplamente disponível no país e o termo foi usado durante a era soviética para descrever crianças não brancas concebidas em eventos internacionais, onde muitas das crianças enfrentaram discriminação. “Devemos dar à luz aos nossos filhos. Essas crianças (mestiças) sofrem desde os tempos soviéticos”, disse Pletnyova.

OUTRA RAÇA

“É uma coisa se eles são da mesma raça, mas bastante diferente se eles são de outra raça. Sei que as crianças sofrem. Elas são abandonadas, e é isso, elas ficam aqui com a mãe”, argumentou Pletnyova.

Outro legislador, Alexander Sherin, disse que os fãs estrangeiros poderiam trazer vírus para Copa do Mundo e infectar os russos. Além de falar que residentes do país deveriam ser cuidadosos em suas interações com estrangeiros, já que eles podem tentar circular substâncias proibidas durante o torneio.

A Rússia vai receber mais de um milhão de torcedores dos mais diferentes países, a maior parte deles em clima de festa para as cidades-sede do Mundial. A estimativa é presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Líder de torcida organizada russa diz que gays devem tomar cuidado

Há dois anos, durante o jogo Inglaterra x Rússia pela Eurocopa, as duas torcidas transformaram Marselha em um campo de batalha. O mundo inteiro presenciou o fato com horror. Entretanto, na Rússia, os hooligans que conseguiram derrotar seus “pais espirituais” foram recebidos como heróis. “Bom trabalho, rapazes”, tuitou o deputado Igor Lebedev, enquanto o presidente Vladimir Putin liquidava o episódio com um comentário irônico: como era possível que 200 russos vencessem mais de 2.000 torcedores ingleses?

“Foi uma simples briga”, minimiza Aleksandr Shprygin, um homenzarrão de 40 anos que todos tratam com respeito no bar esportivo de Moscou onde nos encontramos. Em 2016, o líder da torcida do Dínamo de Moscou e logo depois da Associação de Torcedores da seleção de futebol da Rússia, atualmente suspensa, foi expulso da França não uma, e sim duas vezes.

“Quem teme que os incidentes de Marselha se repitam na Copa do Mundo está enganado. O nível de segurança na Rússia não tem precedentes”, afirma Shprygin, acrescentando a seguir: “É verdade que o futebol é pura emoção. Talvez ocorram alguns confrontos menores, mas nada de batalhas. São os meios de comunicação britânicos que anteveem um ‘festival de violência’. Como ficaram sem a Copa, não se conformam, mas com isso fazem mal a si mesmos. Pode ser que algum adolescente de Volvogrado se pergunte como é possível que seu avô defendesse os britânicos dos nazistas, e que agora estes nos declarem guerra, e decida que é preciso lhes dar uma lição”. Porém, se apressa em ressalvar: “Ninguém está se preparando para bater nos estrangeiros. Todo mundo sabe que iria direto para a cadeia”.

Nos últimos anos, as autoridades pressionam os 'ultras' por todos os meios ao seu alcance: prisões preventivas, ameaças e até a exigência de promessas assinadas de “boa conduta” durante o torneio. “Quem pode se dar ao luxo irá para o exterior”, diz o ex-líder. “Assim, se acontecer algo, poderão mostrar a passagem e o carimbo no passaporte.” Os 467 integrantes de uma lista negra de torcedores violentos foram impedidos de tirar a sua fan ID, uma espécie de “passaporte do torcedor”. Shprygin não está nessa lista, mas foi banido das arquibancadas sem receber explicações. No ano passado, quando estava a apenas 100 metros do estádio, ficou sabendo que não poderia assistir à Copa das Confederações, e nesta quinta-feira foi igualmente proibido de ver o jogo inaugural. “Sua solicitação foi rejeitada”, lê ele no celular. “Nestes casos não há nada a fazer.”

O ponto de inflexão foi a Eurocopa de 2016. Naquela ocasião acabou a marcha triunfal que tinha levado os torcedores violentos da Rússia a se sentarem à direita do poder. A associação que os congregava foi suspensa, e o próprio Shprygin, que tinha chegado a ser assistente de Lebedev e em 2010 acompanhara o então primeiro-ministro de Putin no ato de depositar flores no túmulo de um torcedor do Spartak, foi repudiado. “Eles me pintam como o chefe de um suposto ‘exército de Putin’ enviado à França para criar o caos na ‘guerra híbrida’ contra o Ocidente. Tudo fantasia. Só tivemos relações de trabalho.”

Em todo caso, a idade de ouro da cumplicidade com o Kremlin chegou ao fim. Começa agora a da tolerância zero. Ainda resta o medo de episódios xenófobos como o arremesso de bananas e os coros racistas contra os jogadores negros, registrados em muitas ocasiões nos estádios russos. Shprygin nega com a cabeça. “São casos isolados que as pessoas muitas vezes inventam ‘chupando um dedo’ [expressão russa equivalente a ‘tirar da manga’].” Quando se menciona que no passado preconizava-se uma seleção nacional “de eslavos”, responde que o que queriam dizer era que sairia “das categorias de base russas”. Sobre sua saudação nazista, imortalizada em uma foto, diz que “era jovem e estava bêbado”. Mas dá um conselho aos homossexuais: “Não haverá perseguições, que fique claro, mas estamos em um país conservador, então é melhor evitar agarração na praça Vermelha”.

Decifrando a Copa do Mundo sob a batuta de Vladimir Putin

O mundo entra em ritmo de Copa, o que sempre inspira um desfile de parangolés ufanistas e de queixumes. Entre os últimos, um dos mais consistentes nessa edição russa do Mundial é o fato de que ele ocorre sob a batuta de Vladimir Putin, o czar do século 21 e anticristo da ocasião no Ocidente.

Sobram elementos para a rotulagem, mas ela oculta a dificuldade ocidental de entender o que a figura de Putin significa. Há um sonho estrangeiro, desde o tempo dos Románov, de ver o país integrado à Europa. Foi assim com czares europeizados, com Gorbatchov, com Ieltsin.

Geopolítica fala alto. Como o historiador grego Tucídides via em Atenas uma potência marítima, aberta e iluminada, assim se vê a Europa. Já a Rússia lembra Esparta, continental, fechada e dura.

Se isso soa bobagem em 2018, examine o sucesso de Putin desde 1999. Identificou a agressividade ocidental e a reverteu em seu favor, elegeu inimigos sem escrúpulos.

O fez às custas de liberdades individuais e da criação de um fóssil vivo que é a política local. Nesse ponto, contudo, a Rússia é quase uma Suécia se comparada à adulada China.

A popularidade do presidente não se explica por exclusiva manipulação. Ele aproveitou o ciclo anterior de preços altos do petróleo, sobreviveu à baixa e deve aproveitar a alta à frente. A vida sob Putin melhorou, ainda que o sistema paraestatal da economia pareça condenado sem reformas.

Ele aprendeu a lição de Stolipin, inclusive na brutalidade — não se trata de aprovação, mas é tolice acreditar que a CIA não mate tanto quanto o FSB russo.

E a Copa? Putin lidera um país poderoso na aparência, mas pressionado por fora e por dentro. Poderá emular outro brilhante político czarista, Grigori Potemkin. Em 1787, ele fez uma jornada à Crimeia com sua amante, a czarina Catarina a Grande, e segundo a lenda no caminho mandou montar fachadas de vilas para mostrar o progresso do país à soberana.

O torneio tem tudo para provar-se uma “vila Potemkin”, como a ilusão ficou conhecida. Se não funcionar, e para isso basta um ato terrorista ou uma confusão na Síria, Putin terá de correr atrás do resultado.

 

Fonte: El País/Agencia Estado/El País/Folha/Municipios Baianos

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