20/06/2018

Trump ameaça China com mais tarifas e inflama duelo comercial

 

Mais lenha na fogueira. Donald Trump divulgou na noite desta segunda-feira, dia 18, um comunicado em que ameaça impor uma nova rodada tarifária à China, desta vez com uma alíquota de 10% sobre produtos importados num valor de 200 bilhões de dólares (750 bilhões de reais) por ano, intensificando a escalada entre as duas maiores potências econômicas. Os EUA aprovaram na sexta-feira a taxação de 25% sobre cerca de mil produtos chineses cujas importações somam 50 bilhões de dólares. O Governo chinês respondeu na mesma moeda. Agora, Washington volta a golpear. Se o olho por olho não parar, a guerra sacudirá a economia global.

A medida posta sobre a mesa por Trump nesta segunda tem um caráter puramente político, um revide na negociação, e isso fica claro pela forma como o próprio presidente dos EUA comunica-a. “Pedi ao representante dos EUA para o Comércio que identifique produtos chineses num valor de 200 bilhões de dólares para [sofrerem] tarifas adicionais de 10%”. Não sabe ainda quais artigos merecem essa nova taxa, nem menciona por que a alíquota foi fixada em 10%, e não 8% ou 15%, por exemplo, levando-se em conta que ainda não está decidido quais produtos serão afetados.

Mas a cifra é volumosa e deixa muito claro, isso sim, a que se deve: às represálias promovidas pelo Governo de XI Jinping. Na sexta-feira, depois da adoção das tarifas por parte de Washington, Pequim aprovou alíquotas de 25% para 659 tipos de produtos agrícolas norte-americanos – soja, milho, arroz, carne bovina e suína, entre muitos outros – nesse mesmo valor, 50 bilhões de dólares. A decisão atinge em cheio muitos bastiões eleitorais de Trump em áreas rurais.

“Esta última ação da China indica claramente sua determinação em manter os EUA numa desvantagem permanente”, criticou Trump em seu comunicado. Daí os 200 bilhões sobre a mesa. “Depois de concluído este processo legal, estas tarifas entrarão em vigor se a China se recusar a modificar suas práticas e também se insistir em seguir adiante com as tarifas que anunciou”, acrescentou.

Pequim reagiu rapidamente ao novo desafio de Trump. Se estas tarifas entrarem em vigor, a China contra-atacará com “múltiplas medidas, tanto quantitativas como qualitativas”, disse nesta terça-feira o Ministério de Comércio do país asiático. As autoridades deixam a porta aberta, portanto, não somente para a aprovação de tarifas sobre produtos norte-americanos como também para outras ações que prejudiquem os interesses dos Estados Unidos na China. Entre elas, segundo os analistas, está a possibilidade de manobrar para inclinar a favor da China a balança de serviços – atualmente são os Estados Unidos que registram superávit nesta categoria – com medidas que dificultem o turismo e a educação de cidadãos chineses nesse país, complicar as operações das empresas norte-americanas em seu território, jogar com o valor de sua divisa e modificar o ritmo de compras da dívida pública norte-americana.

“Os Estados Unidos iniciaram uma guerra comercial e violaram as leis do mercado, e estão prejudicando os interesses não somente da China e dos Estados Unidos como também do resto do mundo”, disse o ministério chinês em nota. O órgão qualificou o anúncio de Trump como uma “prática de pressão extrema e chantagem que não corresponde ao consenso alcançado por ambas as partes em múltiplas ocasiões”.

As várias reuniões entre os dois Governos para discutir questões comerciais não chegaram a resolver as queixas dos Estados Unidos, que buscam reverter o volumoso déficit comercial e acabar com o que os EUA consideram práticas desleais por parte de Pequim, como sua política industrial e as limitações de acesso ao seu imenso mercado. Embora inicialmente tenha sido obtido um vago consenso pelo qual Pequim se comprometia a aumentar suas compras de produtos norte-americanos, este compromisso se desvaneceu quando Trump voltou à carga com taxações que afetam produtos chineses de alta tecnologia, importados por um valor que chega a 50 bilhões de dólares por ano – essas tarifas entram em vigor em 6 de julho.

O nova-iorquino advertiu que não abaixará seu revólver, no que parece ser um duelo de faroeste. Se agora a China responder na mesma moeda, ou seja, com suas próprias novas taxas sobre outros produtos norte-americanos importados por um valor de 200 bilhões, Washington responderá com outros 200. O valor total de produtos norte-americanos importados pela China é de 130 bilhões de dólares, portanto qualquer resposta de magnitude similar por parte de Pequim significaria sobretaxar todas as mercadorias norte-americanas. Mesmo uma medida deste calibre não seria suficiente, daí a referência do ministério chinês à adoção de medidas “qualitativas”.

A Administração Trump quer reduzir o seu enorme déficit comercial com a China (de 376 bilhões de dólares) e acusa o regime de Xi Jinping de se apropriar de tecnologia norte-americana ao obrigar que multinacionais se associem a firmas locais para poder investir no país, entre outras más práticas. Mas em sua batalha contra o desequilíbrio comercial a Casa Branca também apontou a União Europeia e seus vizinhos do Canadá e México.

Nos primeiros compassos, a guerra comercial foi declarada cheia de som e fúria, mas vazia de significado, ou seja, com frases grosseiras de Trump e cifras econômicas reduzidas. As potências se intercambiaram tarifas sobre mercadorias importadas num valor de três bilhões de dólares por ano para cada lado (o aço e alumínio chineses para os EUA, e a carne de porco, certas frutas, vinho e tubos de aço para a China), algo ínfimo numa relação comercial que totalizou 630 bilhões de dólares no ano passado. Mas a etapa dos gestos terminou, as cifras atuais são a guerra total.

As Bolsas de valores asiáticas se ressentiram desta nova escalada de ameaças entre ambas as potências. A Bolsa de Tóquio cedeu 1,77%, e a de Seul 1,52%, enquanto Xangai sofria um estrondo de 3,8% a poucos minutos do fechamento, situando-se em seu valor mínimo nos últimos dois anos. A ZTE, empresa tecnológica chinesa que tem servido como moeda de troca nestas negociações comerciais, e cujo futuro está ligado ao seu resultado, viu seu papéis em Hong Kong desabarem 23,5%.

China acusa EUA de chantagem após nova ameaça comercial

A China acusou nesta terça-feira (19/06) os Estados Unidos de fazerem "chantagem", repercutindo as ameaças do presidente americano, Donald Trump, de impor novas taxas aduaneiras sobre produtos chineses, e advertiu que tomará "contramedidas enérgicas".

"Se os Estados Unidos perderem o bom senso e publicarem uma lista [de produtos visados], a China se verá na obrigação de adotar uma combinação de medidas quantitativas e qualitativas em forma de enérgicas represálias", afirmou o Ministério do Comércio chinês, em comunicado.

"Os EUA iniciaram uma guerra comercial e violaram as leis do mercado. Eles não cumpriram a tendência atual de desenvolvimento do mundo, prejudicaram o interesse de pessoas e empresas da China e dos EUA e prejudicaram o interesse de todos os povos do mundo", continua a nota.

Nesta segunda-feira, Trump ameaçou impor taxas alfandegárias adicionais de 10% sobre importações chinesas, no valor de 200 bilhões de dólares, em resposta às represálias chinesas pelas tarifas que Washington havia imposto. O presidente afirmou que pediu a seu representante de comércio exterior, Robert Lighthizer, para "identificar" produtos chineses que deverão ser afetados.

"Uma vez que se complete o processo legal, essas tarifas entrarão em vigor se a China se negar a mudar suas práticas, e também se insistir em seguir adiante com as novas tarifas que anunciou recentemente", disse Trump.

Na semana passada, Trump anunciou tarifas alfandegárias de 25% sobre importações chinesas, no valor de 50 bilhões de dólares, tendo como alvo produtos que contenham "tecnologias industrialmente significativas".

A medida provocou uma resposta na mesma moeda por parte de Pequim, que decidiu impor tarifas adicionais de 25% sobre mais de 600 produtos originários dos Estados Unidos, também no valor de 50 bilhões de dólares. Os itens afetados incluem produtos agrícolas e veículos automotivos, dois dos setores mais sensíveis para o país.

"Isso é inaceitável. Outras medidas devem ser tomadas para encorajar a China a mudar suas práticas [comerciais] injustas, abrir seu mercado aos produtos americanos e para que aceite uma relação comercial mais equilibrada com os Estados Unidos", afirmou Trump, através de nota, após a reação de Pequim.

Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na semana passada prevê que as consequências das novas tarifas impostas por Trump poderão causar sérios danos ao sistema de comércio global e à própria economia americana.

O FMI alerta que um provável "ciclo de reações retaliatórias" poderá causar danos à economia mundial, resultando em uma ruptura nas cadeias internacionais de comércio.

Moscou faz ensaio geral antes que China use sua 'arma nuclear financeira' contra EUA?

Recentemente, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que a Rússia vendeu em abril metade de seus títulos do tesouro norte-americano. O economista Ivan Danilov avança várias versões que poderiam explicar as ações econômicas da Rússia.

Segundo o colunista, a venda dos títulos por um valor de 47,5 bilhões de dólares (R$ 170 bilhões) deve ser considerada no contexto da compra ativa de ouro por parte da Rússia. De fato, Moscou não parou de comprar este metal precioso desde que os EUA impuseram sanções à Rússia e agora suas reservas contam com 1.909 toneladas, ultrapassando deste modo as da China.

Os analistas ocidentais consideram que essas ações fazem parte dos preparativos para um colapso ou mudança radical no sistema monetário mundial. Agora, com as notícias de que a Rússia vendeu metade de seus títulos do Tesouro dos EUA, os analistas colocam novas perguntas, afirmou Danilov.

O especialista destacou o fato de a venda dos títulos por parte da Rússia ter coincidido com a baixa do preço dos títulos do Tesouro dos EUA que também teve lugar em abril.

De quem era o dinheiro e para onde foi?

A questão principal que preocupa os especialistas é a quem pertencem os fundos que foram obtidos com essa venda. Segundo o colunista, algumas edições afirmam que apenas uma parte dos títulos vendidos pertencia ao governo russo.

É muito difícil dar uma resposta definitiva a esta pergunta porque o Departamento do Tesouro dos EUA apenas oferece dados por países, sem oferecer mais detalhes.

Entretanto, tendo em consideração que em abril muitos bancos nacionais optaram por vender seus títulos do tesouro norte-americano, Danilov considera que o mesmo ocorreu com os títulos que estavam em posse do governo russo. Levando em conta que o Banco Central russo publica seus dados com um atraso de cerca de seus meses, a mídia não tem outro remédio senão fazer conjeturas sobre o destino final do dinheiro obtido com a venda, afirmou o especialista.

A versão mais conservadora

A redução da carteira de títulos norte-americanos a metade poderia ser uma medida preventiva para reduzir o risco de seu possível confisco no âmbito das sanções. Além disso, o colunista sublinhou a possibilidade de a Rússia ter vendido todos seus títulos, porque hoje ainda não há dados de maio.

Embora tal confisco fosse pouco provável por causar dados consideráveis não apenas à Rússia, mas também à economia dos EUA, não nos devemos esquecer que "a administração Trump já mostrou em repetidas ocasiões um determinado desprezo pelo bom senso", sublinhou o economista.

Se esta foi a razão da venda dos títulos de Tesouro, então o Banco Central russo investirá em outros ativos que estejam fora da jurisdição dos EUA com a ajuda de sistemas como a Euroclear (empresa belga de serviços financeiros especializada em operações de títulos e na conservação e manutenção desses ativos).

Resgate da Rusal

Outra versão amplamente discutida é o resgate da empresa de alumínio russa Rusal, que sofreu grandes danos devido às sanções. Em particular, afirma-se que o dinheiro obtido com a venda foi destinado a recomprar as dívidas que a empresa tem em dólares. Mas essa versão é muito pouco provável, opina Danilov.

"Para a recompra das dívidas da Rusal não era necessário vender os títulos norte-americanos por um valor de 47,5 bilhões de dólares, 8,5 bilhões de dólares seriam suficientes", explicou ele.

A versão mais radical

A explicação menos provável é que a Rússia decidiu rever os coeficientes de suas reservas monetárias e optou por outras divisas, como o euro, afirmou o economista.

Segundo ele, os analistas ocidentais veem nessas ações um “ensaio geral” antes de a China lançar “seu equivalente financeiro a uma arma nuclear” contra os EUA. Medidas tão radicais da China poderiam ser explicadas pelo fracasso das negociações para evitar uma guerra comercial.

"A rápida venda da carteira russa de títulos norte-americanos é uma maneira de recuperar seu dinheiro antes que a China teste um golpe contra o mercado financeiro dos EUA", concluiu Danilov.

Neste caso, a acumulação de ouro e a venda de títulos dos EUA ajudariam a Rússia a minimizar os danos de uma guerra comercial de “todos contra todos”. Antes, a Rússia já tinha mostrado tendência de reduzir a parte de seus ativos em títulos norte-americanos, mas essas reduções não foram tão drásticas.

Depois da redução de 47,5 bilhões de dólares (R$ 170 bilhões), a Rússia passou de 18º para 22º na lista dos principais credores dos EUA.  A China continua sendo o líder do ranking, possuindo títulos no valor de 1,18 trilhão de dólares (R$ 4,5 trilhões).

 

Fonte: El País/Deutsche Welle/putinik News/Municipios Baianos

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