22/06/2018

Trump, Jair Bolsonaro e a macheza da direita

 

Trump não esconde suas políticas desumanas, que culminam, agora, com sua prisão de bebês. Pelo contrário, faz questão de alardeá-las. Aquilo que nós percebemos como uma selvajaria inominável, indesculpável, transita entre o público dele como uma demonstração de “macheza”. O cerne desta macheza é a absoluta insensibilidade à dor dos outros, que prova que estes outros estão sendo construídos como Outro absoluto, a quem a humanidade é negada. A politica desumana seria a única apropriada a quem não é considerado humano.

É o mesmo mecanismo que vemos em ação quando alguém aplaude Bolsonaro e sua apologia à tortura. Ou o massacre de famílias palestinas pelo Estado de Israel. Como é possível que esta identificação com a brutalidade esteja tão presente?

Não creio que seja um traço da “natureza humana”, até porque tendo a concordar com o que disse um grande pensador: não existe natureza humana fora da sociedade humana. Temos que investigar é o que abre espaço para isso nas nossas sociedades.

E, claro, temos que combater este discurso como se fosse nosso pior inimigo – aliás, ele é mesmo nosso pior inimigo. Outro dia esbarrei num vídeo, não lembro de quem, que “ilustrava” as falas de Bolsonaro. O ex-capitão dizia que o Brasil precisava de um guerra civil, o vídeo mostrava cenas de guerra civil. Ele dizia que a morte de inocentes era o preço necessário a pagar pela limpeza do pais, o vídeo mostrava imagens de crianças de colo atingidas por bombardeios. Ele defendia a tortura, vinha o depoimento de uma sobrevivente dos porões da ditadura contando o que foi infligido a ela e a seus filhos pequenos.

É a aposta de que esse discurso “pega” também porque, para a maior parte de seus seguidores, é uma abstração. Quando ganha concretude, seu horror se torna visível. É a crença de que o choro dos bebês aprisionados por Trump vai tocar quem até agora apoia suas atrocidades. Dá certo? Não sei. Gosto de imaginar que sim, que mesmo nas piores circunstâncias o sentimento de nossa humanidade comum sobrevive e pode ser alcançado.

Altamiro Borges: O que amedronta Jair Bolsonaro, o “valentão”?

Jair Bolsonaro, o ex-capitão do Exército que almeja ser presidente da República, gosta de fazer pose de valentão, de “machão” destemido. Com seus discursos inflamados e seus gestos agressivos, ele rosna contra tudo e contra todos. Tenta se apresentar como paladino da ética e distribui porradas para todos os cantos.

Essa imagem viril, porém, parece ser fabricada por marqueteiros. Na prática, o protótipo de fascista esconde seus medos. Um deles, que ficará ainda mais evidente na campanha eleitoral deste ano, é do debate. Ele sabe da mediocridade das suas ideias e propostas e, por isso, foge dos adversários.

Segundo um levantamento parcial publicado na Folha, Jair Bolsonaro é um típico covarde, um falastrão.

“Em abril e maio, o ex-capitão do Exército não compareceu a ao menos quatro grandes encontros dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto e declinou entrevista e sabatina da Folha… No Fórum da Liberdade, em Porto Alegre no dia 9 de abril, o candidato do PSL não respondeu ao convite e não compareceu. Ele também não esteve em evento promovido pela Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) em 8 de maio, em Niterói (RJ), que reuniu 11 pré-candidatos. Justificou ‘incompatibilidade de agenda’, segundo os organizadores. Nessa mesma data, Bolsonaro deu expediente na Câmara dos Deputados. Dois dias depois, o presidenciável faltou a outro debate, o da União Nacional dos Legisladores e Legislativos (Unale), em Gramado (RS)”.

Ainda de acordo com a reportagem, “não colocar na lista de compromissos encontros em que precisa apresentar suas propostas ao lado de outros concorrentes tem sido a estratégia de Bolsonaro na pré-campanha. Ele tem preferido comparecer a eventos para os quais é convidado por apoiadores, além de almoços reservados com empresários. O presidenciável tem evitado ainda as sabatinas. O convite para participar da série de entrevistas da TV Folha – que já ouviu 13 presidenciáveis – ficou sem resposta do candidato do PSL. Ele também não confirmou a data em que participará de sabatina promovida por Folha, UOL e SBT – esta, para conhecer os planos de governo dos sete primeiros colocados na pesquisa Datafolha”.

A mesma observação foi feita na semana passada pelo colunista Nonato Viegas, da revista Época: “Pré-candidato a presidente pelo PSL, o deputado Jair Bolsonaro (RJ) faltou a todos os debates promovidos até aqui por entidades de classe e veículos de comunicação. Teme precipitar desgaste de imagem ao ser comparado com adversários. Assessores do presidenciável dizem que ele prefere comparecer apenas a entrevistas”.

Já o jornalista André Barrocal, em excelente matéria publicada na revista CartaCapital, apontou algumas das razões dos temores do presidenciável bravateiro. Além da ausência de propostas, ele está rodeado de pessoas sinistras e teria dificuldades para justificar suas companhias.

“No fim de 2017, o presidenciável da extrema-direita Jair Bolsonaro anunciou que seu ministro da Fazenda seria o economista liberal Paulo Guedes. O escolhido até já preparou um programa econômico para o deputado. Agora o casamento corre o risco de terminar ainda nas núpcias, caso Bolsonaro queira mesmo pregar na eleição que é o concorrente mais honesto. A recente operação contra uma enorme rede de doleiros, um desdobramento da Lava Jato, atingiu uma empresa da qual Guedes é sócio, o grupo Bozano, do mercado financeiro”.

A ação criminosa movimentou bilhões de dólares no exterior e “é possível que as investigações do esquema de doleiros chegue perto do guru econômico de Bolsonaro”.

Bolsonaro confirma que terá militares no governo e compara oficiais a Neymar

O deputado federal Jair Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PSL, voltou a afirmar que, caso chegue ao Palácio do Planalto, terá um ministério composto por militares e os comparou ao atacante Neymar, da Seleção Brasileira. Bolsonaro disse ainda que governos anteriores tiveram “guerrilheiros, terroristas e corruptos” no comando das pastas.

— A gente tem que botar o Neymar lá na frente, não embaixo do gol. No meu ministério terei, sim, muitos militares. Os governos anteriores botaram guerrilheiros, terroristas e corruptos e ninguém falava nada — disse o parlamentar, durante participação no Fórum da União Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), nesta segunda-feira, em São Paulo.

ASTRONAUTA

Bolsonaro citou mais uma vez o astronauta Marcos Pontes, tenente-coronel da Aeronáutica, como um nome para a pasta da Ciência e Tecnologia, mas afirmou que está disposto a conversar caso “haja alguém melhor qualificado.”

“Nós não temos ambição pelo poder. Eu não tenho ambição pelo poder, entendo que seja uma missão de Deus. E, nós com essa independência, precisamos colocar as pessoas certas nos lugares certos” — disse.

GOLEIRO

Criticado por ter apenas dois projetos aprovados em 27 anos de atividades parlamentar, Bolsonaro voltou a fazer uma analogia com o futebol e se comparou a um goleiro. “Ninguém lembra do goleiro quando o time é campeão” — disse.

O deputado defendeu ainda a independência da sua candidatura e ressaltou que atingiu o percentual de “20%” nas intenções de votos sem fazer alianças. “Ou chego de forma independente, ou não chego”, resume.

MDB quer estabelecer um prazo fatal para Meirelles decolar sua candidatura

Dirigentes do MDB têm falado com mais frequência em abandonar a candidatura de Henrique Meirelles ao Palácio do Planalto caso ele não cresça nas pesquisas até a convenção do partido, que dever ocorrer entre o final de julho e o início de agosto. Uma meta estipulada por emedebistas é o ex-ministro da Fazenda, até a reunião do partido que tomará a decisão, encostar no tucano Geraldo Alckmin. O presidenciável do PSDB aparece com 6% e 7% no último Datafolha, a depender do cenário pesquisado. Meirelles tem 1% das intenções de votos.

Uma ala do MDB garante que a legenda não terá outro candidato ao Planalto em substituição a Meirelles. Nesse cenário, cada um ficará livre para apoiar quem quiser.

PLANO B

Outro grupo faz de tudo para emplacar Nelson Jobim. O nome do ex-ministro também agrada a tucanos, que o veem como uma boa opção de vice na chapa de Geraldo Alckmin. Entre ele e Meirelles, ficam com o primeiro, por não estar associado ao governo.

Apesar do flerte, o PSDB resiste a fechar uma aliança formal com o MDB. Acha que Alckmin perderia tempo tendo de explicar a união com o partido que comanda um governo impopular.

Pragmáticos

Os tucanos pensam assim: se no primeiro turno, o MDB ajuda Alckmin a aumentar o tempo de propaganda na TV, no segundo essa vantagem desaparece, já que os dois candidatos terão o mesmo espaço. Fica só o ônus.

As avaliações dos tucanos não impedem as conversas. Michel Temer vai num evento sexta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, em que estarão Geraldo Alckmin, João Doria e o candidato ao governo de São Paulo, Paulo Skaf.

MARINA/FREIRE

Lá vem ele. As especulações em torno de uma dobradinha entre Marina Silva (Rede) e Roberto Freire (PPS) na disputa presidencial levaram tucanos a compararem o líder do PPS com João Doria (PSDB).

“Como o Doria, o Freire vive nos dando trabalho. Já inventou o Luciano Huck, agora é a Marina…”, alfineta um tucano. Hoje, o PPS é Alckmin.

Confere lá

O Diário Oficial da União traz hoje a sanção, com vetos, da MP 812, que altera juros de fundos constitucionais de desenvolvimento. O presidente Temer vetou item inserido pelo Congresso que dividia o risco da inadimplência de estudantes do Fies entre o banco e BNDES.

 

Fonte: Por Luís Felipe Miguel, no DCM/Blog Do Altamiro Borges/O Globo/Municipios Baianos

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