23/06/2018

PT minimiza eventual crise na articulação política de Rui

 

O presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, minimizou uma possível crise na articulação política do governador Rui Costa.

As dificuldades do petista no processo para montar a chapa majoritária de sua candidatura à reeleição ficaram ainda mais evidenciadas nos últimos dias, quando a retirada quase confirmada da senadora Lídice da Mata (PSB) da composição gerou insatisfações na base.

“O governador não teve dificuldades de conduzir o processo.  Todos os partidos reconhecem a liderança dele como referência para que, junto aos outros partidos, tome a decisão sobre a chapa”, defendeu Everaldo.

No entanto, ao contrário do argumentado pelo dirigente petista, aliados vieram a público demonstrar insatisfação com o “modo Rui” de conduzir a articulação política.

Enquanto dirigentes do PSB se rebelaram contra a saída de Lídice da chapa, fazendo críticas contundentes ao governo, a própria senadora classificou como um “absurdo” a sua substituição pelo presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD).

Mostrou, assim, sua insatisfação com o critério considerado como demasiado pragmático do governador. Ainda entre os socialistas, o deputado estadual Marcelo Nilo (PSB) tem cogitado a possibilidade de apoiar Jutahy Magalhães Jr. (PSDB), um pré-candidato da oposição, para o Senado.

No PCdoB, o partido desistiu de ir ao forró organizado pelo governador para as siglas da base. Foi um movimento para externar contrariedade com o fato de o petista ter articulado oferecer a suplência do ex-governador Jaques Wagner (PT), atual pré-candidato ao Senado, sem antes ouvi-los.

A legenda já havia pedido, em um passado não tão distante, a vaga.

Entre os comunistas, critica-se uma certa falta de tato do governador em não conversar com todas as legendas antes de tomar uma decisão.

Até agora, além do PCdoB, PR e PDT, outros aliados governistas, estão esperando Rui chamá-los para falar da chapa.

Além de toda a situação, surgiu nesta quinta-feira (21) outro fator. O governador vai adiar novamente o anúncio da chapa. Da última vez, disse que faria o comunicado oficial antes do São João. Agora, marcou uma reunião do conselho político para a próxima segunda-feira (25), quando deve dizer aos aliados o que foi decidido.

Os governistas dizem que chapa só após o São João, desdizendo o próprio Rui. Sobre tantos desencontros, Everaldo resumiu tudo a uma disputa entre PSB e PSD. “Naturalmente, temos essas conversas e demandas dos partidos. Faz parte do processo, para que as definições ocorram num clima tranquilo”, afirmou.

Aladilce diz que há “pouco diálogo” sobre majoritária

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) disse, ontem, que tem havido “pouco diálogo” entre os integrantes da base do governador Rui Costa (PT) sobre a chapa que vai disputar a eleição deste ano. O partido da comunista pleiteia uma vaga na majoritária governista. “O fato concreto é que há pouco diálogo. É preciso um gesto, uma postura maior de envolvimento de todas as forças e de todos os partidos. Estamos para os momentos desfavoráveis e nós queremos estar também nos momentos favoráveis”, afirmou, em entrevista à Rádio Câmara Salvador.

A legisladora disse que as siglas governistas “minoritárias” também precisam ser consideradas na discussão da chapa, já que, segundo ela, “constroem e dão qualidade” ao projeto do governador. A vereadora negou que haja clima de “já ganhou” na base de Rui Costa após o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), desistir de postular o Palácio de Ondina. “Acho que não há [o clima] pela própria atitude do governador. Não houve diminuição do ritmo de trabalho. Ele faz jus ao apelido, ao slogan de Rui Correria pela intensidade de trabalho, de entrega [de obras]. Acho que não tem esse clima de já ganhou”, salientou.

Sobre a renúncia ACM Neto, Aladilce avaliou que a decisão do chefe do Palácio Thomé de Souza de não ser candidato aconteceu “tardiamente”. “Eu acho que uma coisa que a gente percebe é uma frustração de muitos políticos da base do prefeito. A gente percebe por algumas reações na Câmara. Houve um arrefecimento dos ânimos”, pontuou.

A vereadora também fez uma análise do cenário nacional. Segundo ela, a postulação de Manuela D’Ávila (PCdoB) ao Palácio do Planalto está mantida. Aladilce disse, ainda, que a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência não tem solidez e vai se desmanchar no ar no decorrer da campanha. No entendimento dela, Bolsonaro é resultado do impeachment sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).  “Foi isso que o golpe pariu. É uma coisa absurda. Uma figura que não tem projeto nenhum para o país. A única coisa que sabe dizer é que é especialista em matar, porque é militar. É realmente um perigo. Acredito que, no debate, ele vai ser mostrado e nossa expectativa é que o desempenho das pesquisas venha a regredir. Mas, sem dúvida, o processo [eleitoral] é muito complicado”, conjecturou.

Otto Alencar defende PCdoB na composição

Presidente do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar disse, ontem, que o PCdoB tem “mais legitimidade” para pleitear a primeira suplência do candidato ao Senado Jaques Wagner (PT) do que o PSB da senadora Lídice da Mata. “Todos que estiveram desde o início apoiando a candidatura de Rui Costa, lá em 2014, têm mais legitimidade para disputar qualquer espaço na chapa do governador hoje”, afirmou o congressista, ao se referir ao fato de, naquele pleito, Lídice da Mata não apoiar o petista e ser candidata ao Palácio de Ondina.

Otto Alencar e Lídice da Mata travam uma guerra, nos últimos meses, para indicar o segundo nome que vai postular ao Senado na chapa do governador Rui Costa (PT). A socialista quer disputar a reeleição. Já o senador briga para que o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Angelo Coronel, seja o postulante à Câmara Alta do Congresso Nacional.“Não estou acusando ninguém. Nem Lídice, nem Nilo, nem [Domingos] Leonelli. Ela não saiu em 2014 [candidata] a governadora? Pode sair agora [candidata avulsa ao Senado]. Não tem problema. É lamentável essas agressões todas contra mim e Coronel”, afirmou, ao ressaltar que Leonelli tem sido “porta-voz da senadora” nas críticas. “Mas não vou ficar respondendo”, frisou.

PCdoB pressiona pela suplência ao Senado

Descontentes com o tratamento na participação da chapa do governador Rui Costa (PT), o PCdoB resolveu pressionar para conquistar uma das duas suplências ao Senado. Os comunistas querem indicar o suplente do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), porque acreditam que há mais chance de o “reserva” do petista entrar em campo. Isto porque há apostas de que, se um candidato a presidente da República do grupo político vencer a eleição, Wagner pode virar ministro e o suplente assumir o mandato na Câmara Alta do Congresso Nacional.

A prioridade para ficar com a suplência do ex-chefe do Palácio de Ondina, no entanto, é do PSB, já que a senadora Lídice da Mata ficará de fora da majoritária. Neste cenário, especula-se que o indicado do partido será o deputado federal Bebeto Galvão. Ontem, surgiram rumores de que o PCdoB aceitaria sugerir um suplente para o segundo nome da composição que deve disputar o Senado, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Ângelo Coronel (PSD). Os comunistas, porém, teriam colocado uma condicionante: só vão indicar se houver um acordo para que o substituto assuma parte do mandato. Se for eleito, o chefe da Alba terá direito a ficar oito anos na Casa Alta.

Presidente do PCdoB, Davidson Magalhães negou haver condicionante, mas não refutou a insatisfação do partido. "Nós queremos é ouvir o governador Rui Costa, que é o comandante deste processo. O PCdoB não vai trabalhar sob hipótese e não vamos dialogar a posição do partido pela imprensa”, disse. Para demonstrar a insatisfação com o mandatário do Executivo estadual, os comunistas decidiram não participar da confraternização de São João, que reuniu a base governista, no Palácio de Ondina na última segunda-feira. Publicamente, o governador minimizou o ato dos membros do PCdoB. Nos bastidores, o comentário é de que o petista, na verdade, não gostou nada e achou uma “descortesia” dos dirigentes da agremiação. “Nem todo mundo gosta de forró, o que eu posso fazer?”, brincou, em tom de ironia de Rui Costa.

Davidson Magalhães rebateu e disse que ama o estilo musical. “Para evitar constrangimento, gostaria de dizer que eu vou todos os anos para Ibicuí, um dos melhores forrós da Bahia. Também não temos nada contra a suplência de Angelo Coronel e do PSD. O problema é uma questão de método, de forma como se discute e pactua politicamente as coisas. A nossa irritação foi exatamente nesse sentido”, pontuou.

Félix reage a críticas de petista a Ciro: ‘Esqueceu que ACM apoiou Lula?’

Presidente do PDT baiano, o deputado federal Félix Mendonça Jr rebateu as críticas feitas pelo colega Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados, ao presidenciável pedetista Ciro Gomes.

Ao comentar a aproximação do pré-candidato do PDT com DEM e PP, o petista afirmou que “Brizola deve estar se revirando no túmulo”.

“O PT esqueceu que ACM apoiou Lula? Valia antes e não vale agora?”, questionou Félix, em entrevista ao bahia.ba, ao comentar a declaração de voto do então senador Antônio Carlos Magalhães em Lula, no segundo turno do pleito presidencial de 2002.

Para o presidente do PDT na Bahia, a opinião do parlamentar petista é típica de quem “olha para o próprio umbigo”.

“Muitos pré-candidatos a deputado federal não tem uma visão do país. Defendem a candidatura própria [do PT] para facilitar a sua própria eleição. Muitas críticas saem daí, quando as pessoas visam o benefício próprio”, defendeu Félix.

 

Fonte: Tribuna/Bahia.ba/Municipios Baianos

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