23/06/2018

Drama de Lidice: Continuar na muleta do PT ou ser terceira via

 

No meio político não há nenhuma surpresa na chapa majoritária do governador Rui Costa à reeleição com João Leão (PP) mantido na vice e Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD) ao Senado. Isso já vem sendo comentado nos bastidores da Assembleia há meses.

Natural na política os muxoxos do PSB da senadora Lidice da Mata e do porta-voz deste partido, Domingos Leonelli. A estratégia dos socialistas em querer desqualificar a personalidade de Angelo Coronel e, com essa postura, sensibilizar o governador Rui a mudar a chapa pode ter até algum sentido, mas, é ingênua, inofensiva.

O PT tornou-se um partido fisiológico há muito tempo e Lidice/Leonelli que representam um único ente no PSB, por suas experiências políticas e anos de estrada, deveriam saber disso. Portanto, esse apelo final do PSB não sensibiliza a direção do PT estadual e muito menos o governador Rui, o qual tendo a responsabilidade de reeleger-se não vai mexer num projeto bem organizado e ao que tudo indica vitorioso para atender sentimentos relacionados ao gênero e a ideologia.

Ora, na campanha passada, é sempre bom lembrar disso, Lidice foi adversária de Rui na disputa ao governo do Estado e marchou com Marina Silva após a morte de Eduardo Campos, e naquela campanha o comandante petista era o então governador Jaques Wagner que, 4 anos depois, apostou em Rui, isolou Gabrielli, Caetano e outros, e o elegeu.

Agora, em 2018, o principal responsável por sua reeleição é o próprio Rui, Wagner fazendo parte da chapa ao Senado, mas, sem a responsabilidade que teve em 2014. Por posto, caso Rui não seja reeleito, a carapuça vai para ele.

Daí que o governador não pretende correr o mínimo risco, está muito bem avaliado nas pesquisas, e optará por nomes com maior densidade eleitoral e não há dúvidas no meio político de que o PSD de Otto Alencar/Angelo Coronel os tem mais do que o PSB de Lidice da Mata/Domingos Leonelli.

Otto, hoje, respondeu a Leonelli as criticas que fez a Angelo Coronel, um político - segundo Leonelli -  que “não tem nenhum significado maior na política. Difícil a gente encontrar aqui um feito do tal Angelo Coronel pela Bahia ou pelo Brasil”.

Palavras de Otto: “Não provoquei Leonelli, mas estou sendo agredido. Ele está agredindo Angelo Coronel, está querendo desqualificar e eu sou o presidente do partido. Se tem algum partido legítimo para reivindicar é o PSD, que está na aliança desde 2014. Todos achávamos que não teríamos sucesso, fomos com os partidos aliados, PCdoB, PDT, então não vejo qual a legitimidade maior que tem o PSB. Até porque na época o PSB saiu com candidatura própria”

Quanto ao ex-presidente da Assembleia, novo socialista Marcelo Nilo, sinalizar que pode apoiar o nome de Jutahy Magalhães Jr (PSDB) a senador alertando que seu compromisso é apenas com Wagner e Rui trata-se mais de um balão de ensaio do que qualquer outra coisa. Nilo também sabe, e historicamente isso acontece desde 1986, que o governador eleito puxa em bloco os candidatos ao Senado.

E veja que assim foi em 2010 quando Lidice elegeu-se senadora ao lado de Pinheiro. Ora, quem os elegeu foi a performance de Wagner reeleito no primeiro turno para o cargo de governador.

A possibilidade de Lidice integrar uma outra chapa como gostariam o DEM e o MDB é nula, pois, destruiria seu discurso ideológico. E a possibilidade, também, dela sair como candidata ao Senado, single, não existe. É derrota antecipada.

O mais sensato, nos parece, é Lidice candidatar-se a deputada federal e voltar ao sonho de ser a terceira via futura nas eleições municipais de Salgador. E quando a Nilo basta um assessor politico de Rui chamá-lo para saber se ele é governo ou oposição que sua faromba acaba. O próprio Nilo quando presidente da Assembleia dizia que quem é da base do governo vota a favor do governo em qualquer projeto do executivo; e a oposição vota contra.

A resposta que Lídice precisa se dar. Por Raul Monteiro

O PSB pode até ter razão quando alega que o senador Otto Alencar (PSD) é uma força proeminente no governo Rui Costa (PT). Um rápida verificada no espaço que seu partido ocupa na administração estadual, além de em outras instâncias de poder no Estado, é suficiente para levar à conclusão de que Otto, de fato, é uma liderança hábil e competente o suficiente para não deixar o ambiente por onde circula vazio. Usar, no entanto, este argumento para tentar bloquear a indicação do PSD para a segunda vaga ao Senado na chapa do governador Rui Costa (PT) beira a imaturidade.

Chapas, sobretudo majoritárias, envolvendo disputas como a da sucessão estadual, não são compostas na base da gratidão ou da simpatia que o postulante maior, o candidato a governador, cujo sucesso está primordialmente em jogo, possa ter por esta ou aquela força política, por este ou aquele correligionário, por maiores que tenham sido as demonstrações de fidelidade e lealdade que já tenham dado. O que preside a escolha dos seus companheiros é exatamente a capacidade que eles sinalizam de ajudar na dura batalha eleitoral pela conquista da posição maior, o governo.

É neste quesito que se torna incomparável a dimensão do PSD e, consequentemente, a força eleitoral que emerge de suas fileiras, em relação ao seu principal adversário no governo Rui Costa, o PSB, da senadora Lídice da Mata, que se acha no direito de pleitear de novo a mesma posição, desta vez na chapa do atual governador. Por quaisquer critérios que se usem, mas sobretudo do ponto de vista da máquina partidária e, portanto, da energia que pode emprestar à campanha de Rui Costa, o PSD está muito melhor colocado em relação ao PSB do que provavelmente gostariam os socialistas.

Daí que virar as baterias contra Otto, na expectativa de que, denunciando a dimensão política e eleitoral a que ele chegou sob as barbas do governo petista, possa amedrontar o governador e o PT, fazendo com que eles recuem na disposição de aceitar a indicação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Angelo Coronel, para candidato à segunda vaga de senador na chapa liderada pelo petista, é, mais do que imaturidade, ingenuidade, além de um atestado próprio de completa incompetência. Afinal, cabe perguntar: por que Otto chegou à posição em que está, de poder patrocinar a indicação de Coronel?

Certamente, não foi por seus belos olhos azuis, quesito, aliás, em que concorre diretamente com o ex-governador Jaques Wagner (PT), postulante à outra vaga ao Senado na chapa de Rui Costa. E se a resposta mais próxima da realidade é a que aponta para a capacidade que teve de fortalecer-se legitimamente como aliado do governo, a ponto de fazer indicação tão importante, cabe também um outro questionamento: por que a senadora Lídice da Mata, que ainda acumula a posição de presidente estadual do PSB, não foi capaz de fazer o mesmo? É uma resposta que, neste momento, o partido e ela deveriam estar, ao invés de atacando Otto, genuinamente buscando.

STF remete inquérito de Nelson Pellegrino para primeira instância

O Supremo Tribunal Federal (STF) remeteu um inquérito que apura falsidade ideológica supostamente cometida pelo deputado federal Nelson Pellegrino (PT) à primeira instância do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). A investigação apura se Pellegrino recebeu caixa 2 e os omitiu na prestação de contas de sua campanha eleitoral para a prefeitura de Salvador, em 2012, perante a Justiça Eleitoral. Pellegrino teria recebido um repasse de R$ 1,5 milhão da Odebrecht em 2012, sendo R$ 1,3 milhão via caixa 2. O Ministério Público Federal (MPF) é autor do inquérito, que surgiu após delação de dois executivos da Odebrecht: André Vital Pessoa de Melo e Benedicto Barbosa da Silva Júnior. O inquérito foi remetido por conta do novo entendimento do STF sobre o foro privilegiado. A Suprema Corte entende que o foro por prerrogativa de função só deve ser aplicado em crimes ocorridos durante o mandato e relacionados ao seu exercício.  “Os fatos ora investigados e, em tese, imputados ao Deputado Federal Nelson Vicente Portela Pellegrino são anteriores à assunção do mandato de parlamentar federal e desvinculados das respectivas funções. Nesse contexto, tratando-se de crime que não foi praticado no exercício do mandato de parlamentar federal, e diante da inaplicabilidade da regra constitucional de prerrogativa de foro ao presente caso, remetam-se os autos ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia para que distribua a uma das Zonas Eleitorais de Salvador.

 

Fonte: Por Tasso Franco, no Bahia Já/Politica Livre/BN/Municipios Baianos

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