23/06/2018

Não estar casado aumenta em 55% o risco de morrer de AVC

 

O cardiologista Luciano Consuegra lembra de como sua equipe começou a dar-se conta de que as pessoas viúvas morriam antes que as casadas depois de sobreviverem a um infarto do miocárdio. Os médicos passaram a acumular pistas, até ter uma base de dados de 7.400 pacientes internados em dois hospitais de Múrcia. As pessoas viúvas tinham 30% mais possibilidades de morrer de modo prematuro. “Vimos, por exemplo, que as pessoas viúvas levavam 40 minutos mais que as casadas para irem ao hospital depois de detectarem os primeiros sinais de alarme de um infarto, como a dor no peito”, explica.

O trabalho de Consuegra é um dos incluídos na maior revisão sistemática dos efeitos do casamento na saúde. Para uma pessoa, o fato de não estar casada está associado a um risco 55% maior de morrer de AVC e 43% maior de morrer por uma doença das artérias coronárias, como angina de peito ou um infarto agudo de miocárdio, segundo o novo estudo, publicado na revista especializada Heart.

O trabalho repassa mais de 30 estudos anteriores, com dados de dois milhões de pessoas de várias partes do mundo, dos Estados Unidos ao Japão, passando pela Finlândia e Reino Unido. Suas conclusões sugerem que estar casado tem um efeito saudável. “Os benefícios do casamento na saúde e na mortalidade foram demonstrados em ambos os sexos, em diferentes grupos étnicos”, ressaltam os autores, liderados pelo cardiologista Mamas Mamas, da Universidade de Keele, no Reino Unido.

Os resultados têm de ser analisados com cautela. Em 2012, o cardiologista suíço Franz Messerli anunciou “uma correlação surpreendentemente poderosa entre a ingestão de chocolate per capita e o número de prêmios Nobel em vários países”. A Suíça aparecia como o país que mais consumia chocolate e mais prêmios recebia para cada 10 milhões de habitantes. O exercício, uma piada de Messerli, pretendia chamar a atenção para a fragilidade das correlações em cardiologia.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. A Organização Mundial da Saúde calcula que 17,7 milhões de pessoas morreram em decorrência desses problemas em 2015, o equivalente a 31% de todos os óbitos registrados no planeta. “Embora 80% do risco de sofrer de doenças cardiovasculares no futuro possa ser previsto com base em fatores de risco conhecidos, como a velhice, o sexo masculino, a hipertensão, a hiperlipidemia [o colesterol alto], o tabagismo e a diabetes mellitus, os fatores determinantes dos 20% restantes ainda não estão claros”, explica a equipe de Mamas.

O estado civil deveria ser considerado, talvez, como “um fator de risco em si mesmo”, argumentam os autores. Seu estudo, porém, reconhece suas limitações. As dezenas de pesquisas analisadas utilizaram diferentes metodologias. Por exemplo, a definição de doença cardiovascular é diferente em vários estudos. E o trabalho tampouco examina a situação de pessoas que convivem fora do casamento.

“Uma das principais limitações de nossa pesquisa é que não compara os resultados de pacientes que estão casados com os daqueles que vivem juntos em relações estáveis. Acho que os benefícios do casamento provavelmente estão relacionados com interações sociais mais próximas. Os casais se estimulam a ir ao médico quanto antes quando aparecem os primeiros sintomas, e se ajudam. Esse benefício ocorreria também em pessoas que vivem juntas sem estar casadas”, afirma Mamas.

“Não se pode descartar a possibilidade de que as diferenças observadas entre as pessoas casadas e as não casadas não tenham nada a ver diretamente com seu estado civil”, adverte o especialista em estatística Kevin McConway, da Universidade Aberta do Reino Unido. “Talvez existam outros fatores que influam nas possibilidades de que uma pessoa se case ou se mantenha casada e isso, independentemente, afete as possibilidades de ter uma doença cardíaca ou um AVC”, explicou McConway ao portal Science Media Centre.

O cardiologista Luciano Consuegra –do Hospital Universitário de Santa Lucía, em Cartagena (Múrcia)– é menos cético. “Estar casado é uma forma de que alguém cuide de você, é uma relação de cuidado mútuo. Se alguém está ao seu lado, você toma os comprimidos do seu tratamento, insiste para que você deixe de fumar”, observa. “Não é uma questão de estar casado, mas de estar acompanhado.”

Ibuprofeno aumenta em 31% o risco de parada cardíaca

Em muitos países é possível comprar remédios como o ibuprofeno sem receita. As pessoas tomam esses medicamentos para todo tipo de dores sem maiores restrições. No entanto, as autoridades médicas e de saúde há tempo advertem que não são inócuos. Um estudo publicado esta semana na revista European Heart Journal concluiu que o ibuprofeno aumenta em 31% o risco de parada cardíaca. A mesma pesquisa indicou que outros fármacos do mesmo tipo, anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) apresentam um risco ainda maior.

Segundo os autores do trabalho, encabeçado pelo Hospital Universitário Gentofte, de Copenhague, o naproxeno é o AINE mais seguro, e seria possível tomar até 500 miligramas por dia. O diclofenaco é o mais perigoso e, dizem os pesquisadores, seu consumo deveria ser evitado, já que há outros fármacos com efeitos similares mais seguros.

 “Permitir que esses remédios sejam comprados sem receita e sem nenhum conselho ou restrição envia uma mensagem ao público de que não há dúvidas quanto a sua segurança”, afirma Gunnar Gislason, coautor do estudo, em uma nota da Sociedade Europeia de Cardiologia. “Pesquisas anteriores mostraram que os AINE estão relacionados a um maior risco cardiovascular, algo que preocupa porque seu uso está muito disseminado”, acrescenta.

Para realizar este trabalho, os cientistas avaliaram todas as paradas cardíacas registradas na Dinamarca entre 2001 e 2010. Além disso, coletaram toda informação sobre prescrições desses medicamentos desde 1995. No tempo estudado, 28.947 tiveram parada cardíaca fora do hospital no país. Deles, 3.376 tinham tomado AINEs 30 dias antes de dar entrada. O ibuprofeno e o diclofenaco foram os dois medicamentos mais utilizados, cobrindo respectivamente 51% e 22% do uso total. Em relação ao incremento do risco de parada cardíaca, o ibuprofeno foi responsável por 31% e o diclofenaco, 50%.

Entre as explicações possíveis, os autores afirmam que os efeitos podem se dever à agregação de plaquetas que provoca coágulos, faz com que as artérias se estreitem, aumenta a retenção de líquidos e aumenta a pressão sanguínea. “Não acredito que esses remédios devam ser vendidos em supermercados ou postos de gasolina, onde não há orientação profissional sobre como usá-los. Os AINE só deveriam estar disponíveis em farmácias, em quantidades limitadas e doses baixas”, propõe Gislason.

Na Espanha, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) emitiu uma recomendação para limitar o consumo de ibuprofeno. Não se recomenda ingerir mais de 2.400 miligramas ao dia para pacientes com doença cardiovascular grave: insuficiência cardíaca, cardiopatia isquêmica, doença arterial periférica ou cerebrovascular. A recomendação chegou depois da revisão europeia (do Comitê para Avaliação de Riscos de Farmacovigilância) elaborada em relação ao risco cardiovascular deste medicamento assim como do dexibuprofeno, sobre o qual também se devem tomar precauções.

Exercício físico intenso é melhor para o coração

Para seu coração, é melhor correr do que nadar, embora a piscina seja mais benéfica que uma simples caminhada. Ou seja, quanto mais intenso for o exercício físico, melhor para o seu coração.

Trocando em miúdos, o que os pesquisadores da Clínica Universidade da Navarra demonstraram é que, para a população estudada (mais de 10.000 adultos), o risco de sofrer a chamada síndrome metabólica é 37% menor entre quem faz um exercício vigoroso ou intenso, em comparação aos que faziam exercícios apenas leves. Para o subgrupo dos maiores de 55 anos, o benefício chega a 90%. O estudo foi publicado na revista American Journal of Preventive Medicine.

O que os investigadores mediram foi a relação entre a síndrome metabólica e o nível do exercício. Os médicos dizem que uma pessoa tem essa síndrome quando sofre de três destas cinco condições: nível de glicose elevado, hipertensão, baixo índice de colesterol bom (HDL), índice elevado de triglicérides ou obesidade (medida pelo perímetro da cintura). Esse conjunto de situações é um determinante claro do risco cardiovascular e de diabetes tipo II (não congênita), diz o médico do trabalho Alejandro Fernandez-Montero, um dos responsáveis pelo estudo.

Para saber exatamente a que se referem quando falam de exercício leve, moderado ou intenso, os especialistas usam uma medida que muitos frequentadores assíduos de boas academias (dotadas de máquinas novas) certamente já conhecem: o MET (estimativa de equivalente metabólico), que equivale ao gasto energético de um adulto de 70 quilos em repouso. Chama-se assim porque esse consumo se deve ao metabolismo basal, ou seja, as funções corporais que não param nunca – a energia consumida pela circulação, processos celulares, respiração etc.

De acordo com essa escala, a Organização Mundial da Saúde divide o exercício em leve (um consumo de menos de 3 MET/hora), moderado (de 3 a 6) e intenso (mais de 6 MET). Como ninguém costuma andar por aí com um medidor de MET, o especialista dá algumas dicas quanto a isso: caminhar a passo muito rápido leva o gasto energético a 4,5 MET no máximo; a passo suave, a 2,5. A natação (40 minutos) se traduz em 6 METs; jogar uma partida de futebol, 7 METs; trotar (a 8 quilômetros por hora, ou 7,5 minutos por quilômetro) são 8 METs; e o atletismo, como por exemplo correr a 5 minutos por quilômetro, consome cerca de 12 METs.

A conclusão, para o médico, é clara: para manter o coração saudável, é mais importante a intensidade do exercício do que sua duração.

 

Fonte: El País/Municipios Baianos

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