23/06/2018

Mídia inglesa sobre Neymar: 'Mimado e dramático'

 

A imprensa britânica, que já tinha registrado repúdio a ações de alguns brasileiros que foram à Rússia para a Copa do Mundo e não apresentaram exatamente um comportamento exemplar em relação aos episódios de assédio às mulheres locais, agora faz críticas também ao comportamento dos brasileiros dentro de campo. O principal alvo nesta sexta-feira foi o jogador da transação mais cara da história do futebol, Neymar, citado nas reportagens como mimado, resmungão, dramático e até trapaceiro depois da vitória da seleção por 2 a 0 sobre a Costa Rica, em São Petersburgo.

No início da transmissão da partida feita pela iTV, que compartilha as exibições dos jogos com a BBC no Reino Unido, o narrador encerrou o primeiro tempo do jogo, quando nem Brasil nem Costa Rica tinham conseguido alterar o placar, ressaltando que até então o que se viu em campo foi um "início de Copa frustrante para Neymar e Brasil". Quando Philippe Coutinho fez o primeiro gol e, finalmente, a Seleção Brasileira conseguiu abrir o placar, o mesmo locutor comemorou: "Esse é o Brasil!".

No final do jogo, que terminou com vitória brasileira por 2 a 0 e eliminou o país da América Central da competição, outra dúvida surgiu quando o atacante do Paris Saint-Germain se ajoelhou no campo e começou a chorar: "Seriam lágrimas de crocodilo ou de alívio?". Após alguns segundos, continuou: "Apenas Neymar saberá...". Na reportagem da BBC na internet, a rede britânica até deu uma trégua ao camisa 10. "O talismã do Brasil chorou após o apito final - a vitória foi um alívio tanto para ele quanto para sua nação."

O site do jornal The Guardian, no entanto, não poupou o desempenho do time e do principal atacante da Seleção Brasileira. A reportagem começa dizendo que a vitória "veio tarde" e foi "quase feia" em São Petersburgo, com os gols sendo marcados apenas nos acréscimos. "Foi um dia agitado para o jogador mais caro do mundo, fonte de atritos constantes, que resmungou, gemeu e se jogava no chão constantemente, podendo ter sido expulso por uma combinação de desentendimentos e trapaça", trouxe a publicação. "Neymar chorou dramaticamente no gramado ao apito final, com os ombros tremendo e as mãos protegendo seu rosto do mundo", acrescentou.

O ponto decisivo para o juiz holandês Bjorn Kuipers, conforme o The Guardian, foi quando consultou o VAR (arbitragem de vídeo) para verificar se o Brasil tinha ou não direito a um pênalti depois que Neymar foi ao chão dentro da área adversária em um lance no segundo tempo do confronto.

"Nos 60 minutos anteriores, Neymar vinha falando, tagarelando, gemendo, contorcendo-se, enlouquecendo os ouvidos, enfurecido com o tratamento rude da defesa retrancada da Costa Rica", pontuou. "Enquanto o Brasil defendia um escanteio, Kuipers podia ser visto dizendo ao capitão do Brasil para ficar quieto da maneira como um pai exasperado fala com um adolescente mal-humorado e mimado", ilustrou.

O The Telegraph também seguiu o caminho das críticas, dizendo que Neymar e Coutinho - eleito por todos como o melhor da partida - demoraram para agir e levaram uma vitória mal-humorada sobre a Costa Rica. O texto do jornal na internet salientou que o jogo desta sexta-feira será lembrado como "o dia em que o Brasil escapou de um lugar ao lado da Argentina na zona de perigo". Salientando que o País é o favorito no torneio, o Telegraph destacou que o "Brasil foi sugado pelos dramas privados de Neymar".

"Neymar reclamou constantemente do árbitro no jogo da Costa Rica e pouco tocou na bola durante a maior parte do jogo." A reportagem enfatizou ainda que ele se abaixou no gramado no fim da partida, enquanto companheiros de equipe o abraçavam. "Essa fixação por Neymar não vai desaparecer", avaliou, acrescentando que a justiça venceu no jogo quando o juiz constatou por meio do vídeo de revisão que o astro havia caído muito facilmente depois que o jogador da Costa Rica Giancarlo González simplesmente tocou em seu peito.

Para o mesmo veículo, o Brasil ainda tem bastante espaço para melhorar agora que pode ficar mais calmo. "Eles não podem, no entanto, continuar se entregando a Neymar", recomendou a publicação britânica.

Neymar, Tite e o sistema ao redor: a cara da elite e do golpe. Por Mauro Lopes

Cinco breves observações sobre o jogo de hoje, a seleção e o país:

1. Os estrangeiros que não têm outras fontes de informação sobre o Brasil, a se fiarem nas imagens das arquibancadas da Copa, devem imaginar que este é um país de gente branca e com alto índice de loiros e loiras. É a avenida Paulista do golpe transplantada em versão mini para a Rússia.

2. Esse Neymar é um babaca, é a cara do Brasil-golpe.

Faz jogo de cena todo o tempo, simulando ter sofrido faltas dos adversários, jogando-se em campo de maneira melodramática. Simulou o pênalti -deveria ter levado cartão amarelo por isso.

É desleal: atingiu o goleiro da Costa Rica com uma joelhada maldosa e depois aplicou uma cotovelada suja num jogador. Não contente com isso, ainda dirigiu-se com palavrões e ameaças àquele a quem agredira, na frente do juiz -deveria ter sido expulso por isso.

É um menino mimado. Quando as coisas não dão certo descontrola-se de maneira infantil, como na cena patética de lançar a bola ao chão, com raiva -levou cartão amarelo por isso.

É da turma da carteirada - ficou esperando o juiz na saída do intervalo para peitar o árbitro sabe-se lá a razão.

3. As cenas ao final do jogo foram melancólicas. Neymar chorando copiosamente e outros jogadores visivelmente abalados porque venceram... a Costa Rica! Não há equilíbrio, respeito ao outro (os jogadores da Costa Rica) ou senso de proporção. 

4. Mais uma vez o país engole a empulhação sobre os líderes fabricados pela mídia. O técnico magistral, capaz de controlar e coesionar o “grupo”, mestre das palestras e da neurolinguística, está mostrando um time comum, sem brilho nem maturidade. Para vencer hoje, desmontou por completo toda a estrutura tática cantada em prosa e verso como genial nas eliminatórias. Venceu um time limitado mas aplicado taticamente e leal na base da bola pra frente -e tome pressão sobre os árbitros da partida.

5. Toda a lógica da seleção e do sistema que a envolve é a do neoliberalismo mais selvagem. Não basta ao Tite ganhar R$ 15 milhões por ano como técnico; é preciso virar garoto propaganda do Itaú, patrocinador do golpe e da transmissão da Globo. Não basta ao Neymar ter dois ou três carros. É preciso uma frota, uma coleção avaliada em R$ 18 milhões e mais helicóptero e avião e iate. E mais, e mais e mais. Sempre mais. Porque nunca basta. O jogadores e o técnico da seleção não é gente originalmente da elite brasileira. Meninos pobres, cresceram em meio a dificuldades imensas. Mas foram adotados e aceitos no clube. Não é à toa que são amigos de Luciano Huck, Aécio e toda a malta dos que se consideram ainda dono dos escravos -a massa pobre do país.

Cobrança sobre Neymar é desumana, critica Tite

Para o técnico Tite, mesmo tendo marcado um dos gols da vitória da seleção brasileira sobre a Costa Rica, por 2 a 0, nesta sexta-feira (22), a cobrança da torcida e da imprensa sobre o Neymar não é justa. "É desumano colocar a responsabilidade sobre uma pessoa só. Cada um aqui tem a sua responsabilidade para que a individualidade dos outros apareça. O Neymar ficou três meses e meio sem jogar, fez apenas dois jogos completos. É desumano isso", disse na entrevista coletiva após o jogo que encaminhou a classificação da seleção para a segunda fase da Copa do Mundo.

O autor do primeiro gol, Philippe Coutinho, disse que o time também mostrou controle emocional para a vitória. "Tivemos paciência e fomos premiados com os gols no final. A gente foi mentalmente forte até o fim."

O técnico brasileiro elogiou a postura da equipe na segunda etapa, quando "apresentou um grande futebol, finalizando mais e apresentando mais precisão". Ao todo, foram 22 chutes ao gol costarriquenho, sendo 10 deles no alvo – nove na etapa final.

Tite mostrou discordar de críticas feitas ao estado emocional do time e afirmou que os jogadores mantiveram a calma após o pênalti anulado pelo árbitro de vídeo, em Neymar. O treinador questionou a decisão da arbitragem. "Ele poderia dar ou não. É de interpretação, mas eu assinalaria. Não precisamos de juiz para vencer o jogo, mas queremos que sejam justos. Deveriam ter feito o mesmo na partida passada", critica ele, ao lembrar da partida de estreia da Seleção na Copa em que a delegação reclamou de uma falta sobre o zagueiro Miranda, que resultou no gol da Suíça, e um pênalti não marcado sobre o atacante Gabriel Jesus.

Sobre quem seria o líder do time em campo – lembrando o meia Zito, capitão dos times campeões mundiais em 1958 e 1962 –, Tite afirmou que sua equipe não tem um único líder, daí a promoção do rodízio de capitães. "Não temos um Zito, mas possuímos vários líderes. Quem lidera a qualidade é Neymar e Coutinho. A competitividade é liderada por Miranda e Casemiro. O líder de criatividade é Marcelo. É uma divisão de responsabilidade, por isso a faixa de capitão não é fixa."

No final do jogo, em entrevista à Rede Globo, o atacante Douglas Costa, que entrou no segundo tempo e foi um dos destaques da partida – foi dele a assistência para o gol de Neymar – disse que ficou feliz com a chance dada pelo técnico. Ele deu a assistência do segundo gol. "Eu ralei muito para estar na seleção, mas fico contente de entrar nessa maneira. Pude colocar meu nível na Juventus dentro da seleção."

Afonsinho diz que Neymar aguenta a pressão, que é proporcional ao seu talento

Apesar do choro após a vitória do Brasil contra a Costa Rica por 2 a 0 na Copa do Mundo, nesta sexta-feira (22), o ex-jogador Afonsinho diz que Neymar já demonstrou, ao longo da sua carreira, que é capaz de resistir à pressão, e lembrou das Olimpíadas do Rio 2016, quando o jogador liderou a conquista inédita da medalha da ouro.

"As pessoas não prestam muito a atenção, mas ele vem sendo submetido a um nível de pressão muito elevado. A gente tem que recordar não só todos os passos da sua carreira, como também que ele segurou a responsabilidade nas Olimpíadas", afirmou Afonsinho, que atuou em equipes como Botafogo, Flamengo, Fluminense e Santos nas décadas de 1960 e 1970. 

Segundo ele, a exposição do jogador nos meios de comunicação, em decorrência do crescimento do futebol como negócio, assumiu "proporção muito grande", mas o tratamento de popstar dado a Neymar é proporcional à "grandeza que ele vai alcançando, cada dia mais".

"Isso tudo pesa, isso tudo traz pressão. Esse choro, essa explosão foi muito benéfica para ele", afirmou Afonsinho em entrevista ao jornalista Glauco Faria na Rádio Brasil Atual, após o jogo.

Ele diz que a pressão sobre o craque brasileiro aumentou ainda mais devido ao empate no primeiro jogo da seleção, e também devido ao fato de Neymar ainda se recuperar da lesão sofrida no pé esquerdo. "Ele ficou muito tempo parado, mesmo que esteja clinicamente curado", afirmou, lembrando que não há outra forma de ganhar ritmo de jogo que não seja jogando.

Afonsinho ainda destacou a atuação de Phillipe Coutinho, que deve ser tratado "a pão de ló", por ter marcado nos dois primeiros jogos. O ex-atleta também elogiou a Costa Rica, e disse que o adversário não apenas se defendeu, mas também jogou "com a bola no chão", o que valoriza ainda mais a vitória dos brasileiros. "O principal é que essa vitória, com essas características, pode fazer o Brasil crescer ainda mais", aposta.

Douglas Costa e Roberto Firmino mostraram que não podem sair do time

No primeiro tempo, aquela chatice, com os dois times trancafiados, a sete chaves, como se dizia antigamente, não há futebol em campo. O Brasil tinha mais domínio, mas a Costa Rica se trancava bem, com excelente preparo físico, ocupava o campo inteiro, as jogadas não evoluíam, um jogo desagradabilíssimo. No segundo tempo, os jogadores da Costa Rica começaram a gostar do jogo e se abriram um pouco, facilitando os ataques do Brasil, que passou a mandar em campo, de uma forma impressionante e implacável. Conseguir o primeiro era só uma questão de tempo.

Mas o gol não saía e a Costa Rica até fazia contra-ataques perigosos. Naqueles mistérios do futebol, há partidas em que simplesmente o gol não acontece, não importa o que esteja acontecendo em campo.

GOL DE BICO

E o jogo foi prosseguindo, a Costa Rica mudou alguns jogadores, para manter o ritmo, mas já na prorrogação afinal saiu o primeiro gol, numa confusão na área, em que Gabriel de Jesus deu uma bela assistência e Felipe Coutinho completou de bico, em estilo futebol de salão. O meia foi bafejado pela sorte, porque o goleirão da Costa Rica estava bem colocado, mas a bola passou entre as pernas dele.

Depois, a Costa Rica entrou em desespero, foi para o ataque tentar o empate e o resultado justo de 2 a 0 saiu no último minuto, com o gol de Neymar, que decididamente não estava em seus melhores dias.

DOUGLAS E FIRMINO

As substituições feitas por Tite foram fundamentais, mostrando que Douglas Costa e Roberto Firmino não podem ficar fora desse time. Sempre que pegava a bola, Douglas Costa estava enlouquecendo a defesa adversária, apesar de pouco acionado. Conseguia ficar quase sempre desmarcado, mas os meias não enfiavam a boa para ele.

Quanto a Roberto Firmino, roda o campo todo, é um jogador moderno e o time precisa dele. Quando chega no ataque, é sempre um perigo, dá gosto vê-lo jogar.

MICHEL, AFASTE-SE DESTE CÁLICE! Por Denise Assis

Enquanto a bola rola nos gramados de São Petersburgo, e aquele canal de TV usa a palavra “sofrimento” para definir o tempo de jogo em que o time brasileiro empurrou a bola num futebol “pro gasto”, até que resolveu correr para não voltar para casa mais cedo, Michel, Aécio, Rodrigo Maia e o Gato Angorá – sempre ele – se reuniram na calada da noite para tramar artimanhas salvadoras de suas peles.

Mais a perigo que a Argentina de Messi, Michel e Aécio são verdadeiros cadáveres insepultos de uma política que já deu. Mas, em nome da tal “governabilidade”, vão cumprindo tabela até que outubro – o mês da redenção de todos nós? – chegue e definimos (?) em que mãos ficará o nosso destino.

Até lá, devemos preparar o saco de vômitos, pois esse voo ainda promete muitas turbulências. Agora, quando Galvão grita na telinha orquestrando os fantoches amarelos, que devem parecer artificialmente muito animados durante as tomadas dos lugares previamente estabelecidos como “points de torcedores”, os porões do palácio fervilham. Tal como no dia da gravação de Joesley, então um “aliado”, um verdadeiro provedor, as rodadas de conversas noturnas soam espúrias, clandestinas.

A propósito, sofrimento é ver crianças separadas dos pais e jogadas em gaiolas. Sofrimento é enterrar um adolescente de 14 anos, uniformizado, a caminho da escola, morto pelas balas da intervenção que você exigiu. Usar a palavra sofrimento num momento como este, para referir-se a uma pantomima de jogadores desestimulados em campo, é ultrajante.

Mas que bom que o povo se diverte, apesar da taxa de desemprego na casa dos 13%. Que ótimo que param de falar no seu índice de rejeição de 82%. Excelente que Neymar chore no final da partida, oferecendo a “primeirinha” dos jornais de amanhã.  Melhor que a sua careta tensa e avermelhada, Michel, – não de vergonha, mas do esforço para prender os gases que o medo provoca – em todas as manchetes, com mais esta vilania. E, ainda, na maior desfaçatez, depois de jogar uma água no rosto, tem a coragem de ir para as redes sociais felicitar a equipe vitoriosa da seleção.

Michel, só para seu governo. Não contamos com isto, porque time para chegar lá, no momento, não temos. Há que melhorar muito. Mas se por acaso esta taça vier para cá, afaste-se desse cálice! Dê ao povo a alegria de vê-lo fora disso.

 

Fonte: BBC Brasil/Brasil 247/RBA/Tribuna da Internet/Municipios Baianos

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