23/06/2018

Datafolha: Lula o preferido para tirar país da crise

 

O ex-presidente Lula é o pré-candidato ao Planalto mais preparado para acelerar o crescimento da economia do país, avalia o eleitor brasileiro. Segundo pesquisa Datafolha, 32% dos entrevistados citaram o petista como o melhor nome para desempenhar essa missão. O resultado da pesquisa é bastante similar ao quadro geral de intenção de voto do eleitor, com o ex-presidente sendo seguido pelo deputado Jair Bolsonaro (PSL), com 15%, e Marina Silva (Rede), 8%.  

Lula encerrou seu segundo mandato na Presidência, em 2010, com alta aprovação popular e uma taxa de crescimento do PIB de 7,6%, o maior índice desde 1985. Mas o PT depois levaria o país, no governo de Dilma Rousseff, a uma de suas mais graves recessões.

RECESSÃO

De 2014 a 2016, a produção e a renda do país encolheram 8,2%. Neste ano, o mercado estima um crescimento em torno de 1,7%.

Para reverter esse quadro de estagnação, Lula é o favorito de eleitores de todas as faixas etárias e regiões do país. No Nordeste, onde tradicionalmente tem maior aprovação, o petista é visto como o  melhor remédio para a economia por 51% dos entrevistados, contra apenas 8% do segundo colocado, Bolsonaro.

A vantagem do ex-presidente, porém, diminui conforme aumentam a escolaridade e a renda dos eleitores.

ESCOLARIDADE

No grupo que possui apenas o ensino fundamental, ele atinge 37%, contra 9% de Bolsonaro. Entre os entrevistados com nível de ensino superior, ambos estão empatados, com 20%.

Do mesmo modo, Lula chega a 40%, versus 11% de Bolsonaro, no grupo com renda mensal de até dois salários mínimos. Entre os mais ricos, com mais de dez salários, o petista cai para terceiro (14%), atrás de Bolsonaro (22%) e do tucano Geraldo Alckmin (17%).

Nesse grupo, o ex-presidente fica tecnicamente empatado com Henrique Meirelles (MDB), —citado por 12%—, ex-ministro da Fazenda (governo Temer) e ex-presidente do  Banco Central (gestão Lula).

SEMPRE LÍDER

Preso desde 7 de abril, Lula ainda lidera a lista de intenção de voto para o Planalto quando seu nome é incluído entre os pré-candidatos. É o preferido de 30% dos entrevistados. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, o petista é inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.

Segundo o Datafolha, a maioria da população acredita que o ex-presidente não será candidato, mas o número registrou queda na última pesquisa. Passou de 62% em abril para 55% no início de junho.

Já os que avaliam que ele participará da disputa passaram de 34% para 40%.

CANDIDATURA

A percepção de que o ex-presidente não concorrerá às eleições, no entanto, não significa que os entrevistados acreditem que ele não deveria ser candidato. Nesse caso, constata-se um empate. Para 48%, Lula deveria ser impedido de concorrer, enquanto 49% são contra vetá-lo.

Quaisquer que sejam os candidatos, o eleitor acredita que saúde (41%) e educação (20%) deveriam ser a prioridade do próximo presidente.

A saúde também aparece, ao lado da corrupção, no topo da lista dos principais problemas do país. Foram mencionadas por 18% dos brasileiros. Em seguida foram citados o desemprego (14%) e a violência (9%).

Datafolha mostra que “chama o Lula” é esperança contra a crise

Sem sequer uma mísera chamada na primeira página, a Folha publica resultados ainda inéditos  da última pesquisa Datafolha sobre as eleições presidenciais, com números que atestam – se ainda fosse preciso mais – a deformação da vontade popular com a exclusão de Lula da disputa.

32% dos entrevistados (ou 40% dos que deram resposta à pergunta) acham que o ex-presidente é a pessoa mais capacitada a recuperar o crescimento econômico do país, mesmo com todas as distorções para menor que o bombardeio de notícias de que ele não poderá ser candidato.

Quem diz, portanto, que a credibilidade da liderança política é essencial para a mobilização dos agentes econômicos está na obrigação de reconhecer que existe ua disposição de grande parte da população em confiar nele e responder de forma positiva a medidas de saneamento da economia brasileira.

A menos, claro, que não se considere o povo como agente econômico, como faz o raciocínio tecnocrata dos “mercadistas” que, desde o golpe, tiveram faca, queijo e garfo nas mãos e só foram capazes de, na melhor das hipóteses, produzir uma estabilização na crise que, por todos os sinais, está se desfazendo para dar lugar a um novo mergulho.

A pesquisa diz mais: cresce a consciência de que a exclusão de Lula das urnas é uma violação das regras da disputa eleitoral, registra a Folha:

Segundo o Datafolha, a maioria da população acredita que o ex-presidente não será candidato, mas o número registrou queda na última pesquisa. Passou de 62% em abril para 55% no início de junho.  Já os que avaliam que ele participará da disputa passaram de 34% para 40%.

A percepção de que o ex-presidente não concorrerá às eleições, no entanto, não significa que os entrevistados acreditem que ele não deveria ser candidato. Nesse caso, constata-se um empate. Para 48%, Lula deveria ser impedido de concorrer, enquanto 49% são contra vetá-lo.

São números que, ao que tudo indica, devem crescer com a rápida deterioração do cenário econômico a que assistimos.

O “chama o Lula” é a memória do país que conseguiu, com ele, mostrar que o desastre não é o único rumo do Brasil.

Centrão costura alianças com lógica empresarial

O centrão se equipa para participar das eleições de 2018 com uma lógica empresarial. O grupo deve diversificar seus investimentos. Cogita aplicar na apólice de Jair Bolsonaro um PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto. Analisa a hipótese de apostar um PP do multi-investigado Ciro Nogueira nas ações de Ciro Gomes. No empreendimento político de Geraldo Alckmin, que deve arrastar as fichas do DEM, o centrão planeja investir um PTB do mensaleiro Roberto Jefferson e um PRB.

Para quem não está ligando o nome à encrenca, o centrão é aquele aglomerado de partidos que vendeu sua mão de obra legislativa para Lula, aproveitando o Planalto de fachada operária para cavar ótimos negócios. É aquele grupo que foi dormir prometendo fidelidade eterna a Dilma e acordou nos braços de Temer. É o mesmo condomínio de legendas que acompanhou Eduardo Cunha até a porta da cadeia.

O Centrão já não se contenta com tudo. Quer mais um pouco. Avesso ao risco, o grupo parece inclinado a não colocar todos os ovos num mesmo cesto. Daí a diversificação entre um capitão de ultradireita, um tucano de centro e um autoproclamado esquerdista. Dependendo do resultado da eleição, a pantomima estará assegurada. O país elegerá uma nova encenação. E o Centrão manterá tudo exatamente como está, com ares de quem muda absolutamente tudo.

Perdidos nas eleições de 2018, partidos acendem vela para Deus e para o diabo. Por Fernando Duarte

Que partidos no Brasil não possuem muito perfil ideológico claro não é novidade. Porém as eleições de 2018 têm evidenciado que as legendas estão tão perdidas quanto estaria um cego em um tiroteio.

Citemos dois exemplos recentes:

Primeiro o candidato Ciro Gomes (PDT), que flerta diretamente com a esquerda, porém não esconde a intenção de ser um candidato alinhado com o chamado centrão – o apelido preferido hoje pela direita.

Na noite de terça-feira (19), Ciro jantou com a cúpula do DEM, que inclui o prefeito de Salvador, ACM Neto. O cardápio incluía principalmente eleições, porém é possível comentar que a virtual candidatura de Rodrigo Maia ao Palácio do Planalto foi um prato servido bem frio, vide os números do presidente da Câmara nas pesquisas. Ciro agora é filiado a um partido trabalhista, cujo líder máximo, Leonel Brizola, flertava com o marxismo de maneira bem mais explícita do que a atual esquerda brasileira.

Já era estranho por si o fato dele ter conversas de coxias com o DEM, herdeiro do PFL e uma das siglas defensoras do neoliberalismo no país.

Eis que, como se não bastasse o jantar de direita, Ciro tomou café no dia seguinte com integrantes do PCdoB – sim, comunistas que possuem a candidatura de Manuela D’Ávila tiveram um convescote com um candidato que flerta com a direita. Superemos Ciro Gomes e suas contradições.

Vamos para outra legenda, o PR. O partido foi um dos últimos a dizer que entraria no páreo para o Palácio do Planalto com Josué Alencar. Entretanto, os republicanos deixam claro que há a intenção de aliar o filho do ex-vice-presidente José Alencar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mesmo preso desde o dia 7 de abril ainda mantém a candidatura à presidência.

A iniciativa é uma tentativa de repetir a dobradinha vitoriosa de 2002 e 2006, quando Lula e Alencar ganharam nas urnas o direito de governar o Brasil.

A principal nuance neste caso é ter Josué como vice de Lula e até mesmo, eventualmente, sucedê-lo em caso de impedimento pela Justiça Eleitoral. Eis que, dentro do mesmo PR, existe uma outra ala que sugere um lado diametralmente oposto a uma aliança com o PT. Querem que a sigla indique o senador Magno Malta (ES) para ser vice de Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial.

Ciro Gomes namorando com DEM e PCdoB e o PR quase em um relacionamento sério com PT e PSL são apenas dois exemplos no universo gigantesco do anedotário político brasileiro. É a lógica de acender sempre uma vela para Deus e a outra para o diabo. E esperar para ver qual apaga mais rápido. Ah, como exercício mental, deixo para o leitor escolher qual lado é qual nessa disputa teológica.

Maia janta com Temer e Aécio no escurinho de Brasília

Fora da agenda presidencial, como o encontro com Joesley Batista, um jantar reservado reuniu ontem à noite os senhores Michel Temer, Aécio Neves e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Fica-se sabendo pela reportagem de Marcelo Ribeiro, do Valor, que “os três discutiram o cenário eleitoral e avaliaram as possibilidades de suas legendas, DEM, MDB e PSDB, se unirem em torno de uma candidatura única à Presidência da República”.

“Aécio teria destacado a importância de os partidos do chamado centro político estarem unidos em torno de um postulante ao comando do Palácio do Planalto para garantir uma vaga no segundo turno”.

Como Geraldo Alckmin, mesmo na UTI, é o único que ainda não tem o atestado de óbito eleitoral passado em cartório, o repórter supõe que os três poderiam raspar ou poucos grãos de seus pratos para dar de comer ao tucano.

É tão pouco que menor serventia ainda terá.

Ocorre que Alckmin não vai bem ao fígado de nenhum dos três e não parece ser palatável, ainda mais com suas parcas chances.

Meirelles, nem há que dizer, nem para tira-gosto serve.

Ciro, então, é intragável mesmo ao estômago de avestruz de Michel Temer, “um bandido”, nas palavras do candidato neopedetista.

O encontro tem todos os ares de conspiração.

Cortejado por Marina, PPS continua com Alckmin

Marina Silva, a presidenciável da Rede, frequenta o cenário eleitoral em situação sui generis. Bem-posta junto ao eleitorado, ostenta o segundo lugar nas pesquisas, atrás de Jair Bolsonaro (PSL). Mas não consegue compor uma aliança partidária que a retire do isolamento político. Refugada pelo PSB, Marina afagou o PPS. Chegou mesmo a dizer que o presidente da legenda, Roberto Freire, reúne qualidades para ser o número dois de sua chapa. Freire declarou-se “honrado”. Mas desestimulou a aproximação. Disse que o PPS não cogita abandonar o tucano Geraldo Alckmin.

“Presido um partido que aprovou num congresso nacional o indicativo de apoio à candidatura presidencial de Geraldo Alckmin”, disse Freire ao blog. “Venho trabalhando nessa direção. Creio que, nesse momento, Alckmin é a alternativa que reúne melhores condições para enfrentar esse processo eleitoral.”

Freire esmiuçou a análise que faz da conjuntura política: “A eleição tinha dois caminhos. Houve um instante em que a perspectiva da candidatura de um outsider parecia empurrar a política tradicional para um segundo plano. Mas Luciano Huck e Joaquim Barbosa se retiraram do processo. Ficou uma opção à direita, com Jair Bolsonaro, e as alternativas representadas por Ciro Gomes ou um nome do PT. No centro desses dois polos estão Marina Silva e Geraldo Alckmin.”

O presidente do PPS concluiu: ''Marina aparece bem na pesquisa porque tem o recall de campanhas passadas. Mas não tem estrutura partidária, está isolada. E Geraldo Alckmin, apesar dos problemas, dispõe de boa estrutura. Com Antonio Anastasia, em Minas, e João Doria, em São Paulo, terá uma campanha forte nos dois maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, ainda conta com o governador Márcio França (PSB). Creio que, sem um outsider, vai prevalecer nessa campanha quem tiver a melhor estrutura.”

Fonte: Folha/Tijolaço/ BlogdoJosias/BN/Tijolaço/Municipios Baianos

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