23/06/2018

Democracia vive declínio no Brasil e em 23 países

 

Mais de 2,5 bilhões de pessoas - quase um terço da população mundial -- vivem em países onde a democracia está e declínio. A conclusão é de um estudo conduzido pela Universidade sueca de Gotemburgo que aponta que, que no ano passado, houve um declínio na democracia em 24 países, incluindo Brasil, Estados Unidos e Índia. A pesquisa, apoiada por três mil especialistas em 202 países, revela que, nos últimos seis anos, houve um retrocesso global de pelo menos 25 anos, voltando ao nível democrático registrado logo depois do fim da União Soviética, em 1991.

Além disso, o estudo identificou que as maiores ameaças são à autonomia dos meios de comunicação, à liberdade de expressão e ao estado de direito. Para a Universidade sueca, os resultados são "realmente inquietantes", e o declínio representa a redução de direitos e liberdades em países que estão entre os mais importantes e populosos do mundo.

Segundo os estudiosos, existe uma tendência à autocratização - perda de legitimidade da democracia com a violação dos critérios básicos como liberdade, transparência e rotatividade-, "que parece ocorrer principalmente nas regiões mais democráticas do mundo". "Mesmo que a maioria das pessoas viva em democracias em 2017, ela diminuiu nos países que abrigam cerca de um terço da população mundial", enfatizou o estudo.

A África subsaariana é a única região que vai na contramão dessa tendência e mostra um pequeno aumento da democracia em toda a região. Por outro lado, as análises indicam que, em alguns países que gozam de democracia em "boa saúde", certas parcelas da população, como mulheres e os mais pobres, estão em desvantagem quando se fala em acesso ao poder político. O acesso igualitário, em termos de gênero e status socioeconômico, verifica-se em países que hospedam apenas 15% da população mundial.

A Europa Ocidental e a América do Norte também retrocederam a níveis de 40 anos atrás, em termos de democracia liberal, no que tange a separação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Três potências emergentes entre as nações dos Brics também registram retrocessos significativos: Brasil, Rússia e Índia. Já entre os países da Europa do Leste, Polônia e Hungria apresentaram declínio.

Como conquistar o eleitor de direita sem defender as teses da direita? Por Apolo Silva

Por esses dias chama a atenção:

1. Como pode a mídia continuar nessa ladainha do candidato Geraldo Alckmin pretender representar um indeterminado CENTRO? Acontece que já deu para perceber que a candidatura de Jair Bolsonaro não é uma bolha. Embora todo dia alguém escreva que ela está prestes a ir para o espaço. Bolsonaro tem que ser enfrentado. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, recebeu de graça os votos da DIREITA política. Ela não tinha candidato representativo e fiel. Nestas eleições, essa corrente de pensamento tem candidato e para detoná-lo é preciso que Alckmin adote um discurso à DIREITA para tentar convencer estes eleitores que também pode ser uma alternativa. Até que essa questão esteja resolvida Alckmin não pode adotar um discurso de CENTRO, ele tem que falar com a DIREITA. Mas é claro que os estrategistas de sua campanha podem estar com outra realidade na cabeça. Parcela da mídia está. São muitos os homens que trabalham com a realidade dos seus sonhos.

2. O primeiro sintoma de que um candidato não tem propostas para o Brasil é quando ele se apresenta como um presidente que vai reformar o país. Vamos lá. Pensem bem. É possível levar a sério um candidato que diz que fará uma reforma política? A Câmara tem sete partidos com bancada superior a 38 deputados, sendo que o maior deles tem 61. A Casa tem 25 partidos. Esta será quase que certamente, a realidade da Câmara que tomará posse em 2019. Vocês acham possível que uma dezena de partidos nanicos diga: abro mão do meu dinheiro do Fundo Partidário? Ou diga que abre mão do Fundo Eleitoral? Ou que abre mão de seu tempo de propaganda na TV? Candidatos que se comprometem com a reforma política são POPULISTAS. Falam o que agrada a maioria da população.

3. Este debate sobre FAKE NEWS é mais uma demonstração de como partidos, parlamentares e políticos abrem mão de seu poder. Foi assim, durante muito tempo, com a cláusula de barreira. Foi um tribunal que deu a palavra final sobre o financiamento eleitoral. No passado, um tribunal restringiu as possibilidades de coligações partidárias. Agora, o juiz Fux declara que o uso de FAKE NEWS pode anular uma eleição. Se sua fala for consequente, a próxima eleição já está anulada. Ou vocês acham que não haverá FAKE NEWS nas próximas eleições? Ate na maior democracia do mundo, a dos Estados Unidos, tem. Nos dias de hoje é assim: o povo enfrentará uma campanha, votará em seus candidatos e, depois, um juiz qualquer pode decidir anular a eleição. Isso é que é democracia, e assim é que são os que se declaram democratas. É preciso acrescentar que diante da qualidade das provas admitidas na Lava Jato haverá uma corrida para cassar os escolhidos pelo povo. Eles serão acusados de corrupção, uso de caixa dois e por aí vai.

4. Por recentes declarações e insinuações de autoridades, ministros, candidatos, já podemos ter uma certeza. A primeira reforma que será feita é para tentar mudar a regra do reajuste do teto dos gastos. Haverá um debate com o seguinte posicionamento: quem perder vai defender a manutenção do teto e quem ganhar o fim desta camisa de força. Não importa o que cada partido tenha defendido no passado. Haverá dois campos em luta, o dos que querem garantir a governabilidade para o presidente eleito e a daqueles que apostam na ingovernabilidade e numa firula contábil para pregar um impeachment. Se a mídia topar e os analistas políticos estiverem contrariados esse é o caminho provável.

5. Por fim, não acreditem em candidatos que dizem que vão acabar com a barganha política. Respondam, como um partido com 60 deputados, numa Câmara com oito partidos com bancada entre 40 e 60 deputados, vai construir maioria sem se submeter ao expediente do é dando que se recebe? Candidatos vão fazer tal proclamação. Acredite quem quiser!

Preparem-se. Tem muito mais.

Mulheres de menor renda podem definir eleição

A menos de quatro meses da disputa presidencial, um terço do eleitorado brasileiro não tem candidato. A atual rejeição aos nomes que tentam consolidar sua candidatura, porém, não é uniforme: a indefinição do voto feminino hoje é muito superior a do masculino, indicando que a escolha delas terá um peso importante para definir o quadro eleitoral daqui para frente.

As mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E a incerteza delas se intensifica ainda mais com a saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da disputa, cenário hoje mais provável devido à sua condenação em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo a última pesquisa do Instituto Datafolha, se a eleição presidencial tivesse ocorrido no início de junho com outro petista na disputa (Fernando Haddad ou Jaques Wagner), 41% das eleitoras brasileiras não teriam escolhido qualquer candidato. Essa é a soma das que responderam que não sabiam ainda em quem votar ou que votariam em branco ou nulo. Já no caso dos homens, esse percentual cai para 25%.

Quatro anos atrás, em junho de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) concorria à reeleição contra Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a indefinição entre os homens era parecida (24%), mas entre as mulheres menor do que agora (34%).

Cruzamentos das respostas de intenção voto disponibilizados pelo Datafolha a pedido da BBC News Brasil mostram que o percentual de indecisão das eleitoras é ainda maior entre as de menor renda (45% das que ganham até dois salário mínimos) e supera metade do eleitorado feminino no Nordeste (52% das moradoras daquele região estão sem candidato).

Em meio a essa indefinição, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) desponta como líder nas pesquisas com até 19% de intenção de voto, apoiado principalmente pelo eleitorado masculino, seguido dos outros pré-candidatos Marina Silva (Rede, com até 15%), Ciro Gomes (PDT, até 11%) e Geraldo Alckmin (PSDB, máximo de 7%).

Se considerado apenas o eleitorado feminino, a líder é Marina, com 17%, contra 12% de Bolsonaro, aponta o Datafolha - entre os homens, a situação se inverte, com os dois recebendo 12% e 26%, respectivamente. Quando analisada a renda, a ex-senadora é líder apenas entre as pessoas com até dois salários mínimos, enquanto o deputado aparece na ponta em todas as outras faixas. O mesmo acontece regionalmente: ela està à frente no Nordeste, e ele, em todas as outras regiões.

Diante do alto número de indecisas, o candidato que conseguir atrair o eleitorado feminino de menor renda, em boa parte órfão de Lula, terá mais chances de passar ao segundo turno, afirma Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendências.

"A definição do cenário deve vir mais da redução dos indecisos do que da mudança de quem já escolheu um candidato. Nesse sentido, a mulher da baixa renda do Nordeste é o primeiro eleitor que pode mudar a cara da campanha", avalia Cortez.

"Difícil saber como o eleitorado feminino vai se comportar, mas sem dúvida elas vão ser importantes para definir (a eleição) porque os votos brancos e nulos vão ser disputados a tapa", acredita também a cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, que estuda o eleitor de Bolsonaro ao lado da antropóloga Lúcia Scalco.

Por que muitas delas não têm candidato?

O cientista político Antonio Lavareda, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ressalta que programas sociais importantes criados no governo Lula são focados nas mulheres chefes de família - elas que em geral recebem o benefício do Bolsa Família ou ficam com a escritura do imóvel no Minha Casa, Minha Vida.

Na sua opinião, isso ajuda a explicar porque muitas gostariam de votar nele e ficam indecisas com sua retirada da disputa.

"Quanto a Bolsonaro, posturas francamente misóginas do candidato colidem com a aspiração das mulheres de reconhecimento e, ainda mais, de empoderamento. Vai ser difícil para ele diminuir o gap (buraco) de gênero revelado nas suas intenções de voto", opina ele.

Mas embora o índice de mulheres sem candidato recue para 26% no cenário do Datafolha em que Lula é apresentado na disputa, a taxa continua superior à dos homens (15%).

Para analistas ouvidas pela BBC News Brasil, a indefinição maior das eleitoras nos diversos cenários se explica pela exclusão das mulheres da política. Hoje elas somam apenas um décimo dos parlamentares no Congresso Nacional, e são só duas dos 27 governadores do país - Cida Boghetti (PP), no Paraná, e Suely Campos (PP), em Roraima.

Pinheiro-Machado, que pesquisa há um década a relação dos jovens com a política, conta que, ao fazer entrevistas no último ano em escolas de periferia no Paraná, tem observado um desinteresse das garotas em discutir os candidatos, enquanto os rapazes costumam mostrar um conhecimento sobre Lula e uma simpatia por Bolsonaro - atraídos por sua imagem de masculinidade, associada a temas como a defesa da posse de armas.

"É bastante natural que as mulheres tenham um ressentimento porque a política brasileira é muito patriarcal. O brasileiro médio não se vê representado pelas estruturas de poder político, e a mulher muito menos ainda", concorda a cientista política Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para Malu Gatto, professora de política latino-americana na Universidade College London, na Inglaterra, o contexto político conturbado do país hoje ajuda a explicar porque a indefinição neste ano é ainda maior do que na eleição passada.

Como as candidaturas ainda não estão fechadas e os presidenciáveis ainda não estão em campanha, o eleitorado não tem informação suficiente para definir o voto, observa.

Além disso, é evidente uma alta da desconfiança na política após sucessivos escândalos de corrupção e uma troca de governo - a entrada de Michel Temer (PMDB) no lugar de Dilma - que não devolveu o otimismo aos brasileiros.

A pesquisa do Datafolha mostra que o aumento de eleitoras sem candidato agora em comparação com junho de 2014 se deve ao forte crescimento das que pensam em votar nulo ou branco (de 18% para 33%). As que respondem não saber em quem votar, por sua vez, votar caiu no período (de 16% para 8%).

"Estudos da psicologia comportamental mostram que mulheres tendem a tomar menos riscos. Então essa falta de informação sobre os candidatos, combinada a um contexto de grande desconfiança na classe política, pode estar levando as mulheres a estarem menos dispostas a declarar voto a um candidato especifico tão cedo", ressalta Gatto.

Clareza nas propostas

A BBC News Brasil conversou com três mulheres nordestinas sobre sua indecisão para o pleito presidencial - todas afirmaram que ainda esperam o quadro de candidatos se definir melhor para pesquisar sobre eles e decidir seu voto.

Além da indefinição, outro fator que une as três é uma rejeição a Bolsonaro. Os números do Datafolha mostram que o deputado tem apenas 4% de intenção de voto entre as nordestinas, enquanto entre os homens da região o índice chega a 19%.

"Tenho um grupo de WhatsApp com parte da família apenas para discussão de política. São quatro mulheres e cerca de quinze homens, a maioria deles vota no Bolsonaro", diz Priscila de Araújo Barbosa, 34 anos, assistente administrativa no Recife.

Antiga eleitora do Lula, ela diz, por outro lado, que também não teria intenção de votar nele dessa vez porque acredita ser momento de renovação. Para definir seu voto, está em busca de honestidade sobre a realidade do país e clareza nas propostas.

"O principal é ser extremamente honesto, que diga: 'a situação real da economia é essa, da política é essa, vamos trabalhar em cima disso'. Acho que acaba sendo uma utopia", afirma, desanimada, mas ressaltando que não quer "desperdiçar o direito ao voto" optando pelo branco ou nulo.

Já Elaine Cristina Gurgel, de 39 anos, professora e gestora de uma escola municipal em Janduís, no oeste do Rio Grande do Norte, faz parte da maioria de nordestinas que gostaria de votar em Lula - o petista aparece com 52% de intenção de voto entre as mulheres da região.

Ela acredita que a condenação do ex-presidente é fruto de perseguição política e atribui a ele a melhoria nas condições de vida dos mais pobres.

Ainda assim, decepcionada com Dilma, Gurgel diz que não sabe se votará de novo em um candidato apoiado por Lula e cogita anular seu voto pela primeira vez.

"A Dilma não atingiu as expectativas que esperávamos. Eu tenho medo que aconteça a mesma coisa ou até pior com esse nome que ele venha a apresentar. Poderei votar mas vou ter que fazer uma análise", afirmou.

Mas não são apenas as eleitoras mais fiéis ao PT que estão indecisas. A baiana Juliana Muniz Gonçalves, de 26 anos, que atualmente trabalha como vendedora de brigadeiros em Irecê, no interior do estado, foi favorável ao impeachment de Dilma.

Agora, porém, diz que prefere anular o voto a dá-lo a algum candidato apoiado pelo presidente Temer. Lésbica, rechaça Bolsonaro, que classifica de "homofóbico" - algo que o pré-candidato nega ser.

Dos principais nomes que hoje se apresentam para a disputa, ela diz que Ciro e Marina são nomes que está disposta a avaliar. Na última eleição, ela queria votar em Eduardo Campos (PSB), que acabou morto em um acidente de avião. Sem essa opção, não lembra qual número escolheu na urna.

Desconfiada dos políticos em geral, ela reconhece ter pouca "consciência política".

"Esse ano eu não consigo ver um candidato, até porque não foram lançados mesmo os candidatos a presidente. E eu tento fugir de qualquer discussão política no Facebook, ou qualquer outra coisa", disse.

 

Fonte: Ansa/Os Divergentes/BBC Brasil/Municipios Baianos

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