06/07/2018

A maldição dos carrascos do Brasil nas Copas do Mundo

 

Eliminar o Brasil é um título à parte para qualquer equipe, sobretudo para quem empurra a bola para as redes e fica eternamente marcado por derrubar o país mais vitorioso do futebol. Porém, uma espécie de zica costuma acompanhar nossos algozes depois de saborearem seu momento de glória na Copa do Mundo. Pelo menos 11 casos indicam que ninguém achaca a seleção impunemente. Que sirva de alerta para a Bélgica, que, além de De Bruyne, Lukaku e Hazard, ainda tem no time um jogador chamado Carrasco.

Zúñiga

Não é bem um carrasco, mas ganhou fama na última Copa pela joelhada que tirou Neymar de combate nas quartas de final contra a Colômbia. Sem seu principal craque, o Brasil se tornaria presa fácil para a Alemanha no jogo seguinte. No entanto, o destino também não foi generoso com Zúñiga. Exatamente quatro anos depois de atrair o ódio de muitos brasileiros, o lateral anunciou o fim da carreira por causa de uma lesão crônica no joelho direito, o mesmo que fraturou a vértebra de Neymar. Em seu último jogo, pelo Atlético Nacional, virou vilão ao entrar no segundo tempo, ficar apenas dois minutos em campo e levar cartão vermelho por um carrinho violento. A expulsão foi determinante para que o clube verdolaga perdesse o título do Campeonato Colombiano.

Alemanha

Um massacre com sete gols em 2014 tem vários carrascos, premiando a força do conjunto alemão. Após impor ao Brasil a maior humilhação da história das Copas, os atuais campeões também protagonizaram um vexame ao cair na fase de grupos na Rússia. A Alemanha amargou o último lugar de sua chave após perder para México e Coreia do Sul, jogo em que Toni Kroos, eleito o melhor em campo no 7 a 1, entregou um gol de bandeja aos adversários.

Sneijder

O meia marcou os dois gols – o primeiro com a ajuda de Julio César e Felipe Melo – na vitória da Holanda sobre o Brasil pelas quartas de final em 2010. Apesar do vice para a Espanha, conseguiu chegar às semifinais quatro anos depois, mas perdeu uma das cobranças que decretou a derrota para a Argentina nos pênaltis. Para completar, ainda fracassou na tentativa de classificar a Holanda para o Mundial da Rússia.

Henry

Aproveitando cruzamento de Zidane, o atacante despachou a seleção brasileira da Copa de 2006. Três anos depois, acabou chamuscado pelo toque de mão no lance do polêmico gol que classificou os franceses contra a Irlanda nas Eliminatórias europeias. Já na África do Sul, foi destituído do posto de capitão pelo técnico Reymond Domenech e mandado para a reserva. Jogou poucos minutos e não marcou nenhum gol na fraca campanha da França, que, com apenas um ponto, voltou mais cedo para casa.

Zidane

Autor de dois gols na decisão de 98, o craque não teve a mesma sorte nos outros Mundiais que disputou. Viu a França cair na fase de grupos em 2002 e, na Copa seguinte, apesar de ter eliminado o Brasil nas quartas e marcado um gol de pênalti na final, foi expulso por dar uma cabeçada no zagueiro Materazzi. A França perdeu o título nos pênaltis para a Itália.

Caniggia

No clássico sul-americano, anotou o tento que tirou o Brasil nas oitavas de 1990. A Argentina avançou até a final, mas El Pájaro não pode atuar na derrota para a Alemanha por ter levado um cartão na semifinal. Em 94, depois de cumprir suspensão por uso de cocaína, fazia grande Copa até sofrer uma lesão. Sem Caniggia e Maradona, suspenso por doping, os argentinos foram eliminados pela Romênia. Após o suicídio da mãe, o atacante passou quase um ano sem jogar e ainda teve problemas com o técnico Daniel Passarella, que exigia que ele cortasse o cabelo para convocá-lo. Ficou fora de 98, mas recebeu nova chance de disputar um Mundial em 2002. Lesionado, não jogou as duas primeiras partidas. Quando estava finalmente em condição de atuar, alcançou a proeza de ser expulso no banco de reservas por reclamação. De forma melancólica, a Argentina empatou com a Suécia e foi eliminada na primeira fase.

Paolo Rossi

Mentor de uma das derrotas mais doloridas do futebol brasileiro, em 1982, chegou a escrever um livro que revela o tamanho do estrago que causou ao marcar os três gols da vitória italiana no Sarriá: “Fiz o Brasil chorar”. Depois do título na Copa, a Itália passou mais de um ano sem vencer – período em que Rossi viveu um jejum de gols pela seleção – e ainda ficou fora da Euro de 84. Dois anos depois, no Mundial do México, o atacante foi convocado, mas debilitado fisicamente, não entrou em nenhum jogo, e os italianos caíram para a França nas oitavas. Por problemas recorrentes nos joelhos, Rossi encerraria a carreira de forma precoce em 1987, aos 30 anos.

Peru

É considerado o algoz do Brasil na Copa de 78 devido a suspeita de ter entregado o jogo para a Argentina, que, com a vitória por 6 a 0, abocanhou a vaga na final pelo saldo de gols. Anos mais tarde, o goleiro Ramón Quiroga, que era argentino naturalizado peruano, admitiria que “coisas estranhas” teriam acontecido naquela partida. O Peru voltou a disputar o Mundial em 82, mesmo após uma crise que resultou até em agressão de jogadores pela torcida. Sob o comando do técnico brasileiro Tim, a equipe naufragou na primeira fase depois de sofrer uma goleada de 5 a 1 para a Polônia. Desde então, só voltaria a disputar a Copa este ano, na Rússia, onde foi novamente eliminada na fase de grupos.

Cruyff

Fez um gol e deu uma assistência na vitória da Laranja Mecânica sobre a seleção brasileira, em 74. Porém, abalado por um desentendimento com a esposa na véspera da final, sucumbiu à marcação dos alemães e ficou com o vice. Às vésperas da Copa de 78, sua família sofreu uma tentativa de sequestro que o traumatizou, fazendo com que desistisse de seguir com a delegação holandesa para o Mundial na Argentina.

Eusébio

Em seu duelo particular com Pelé, marcou duas vezes para Portugal no jogo que eliminou precocemente o Brasil na Copa de 66. Apesar da queda para a Inglaterra na semifinal, sagrou-se artilheiro da competição, com 9 gols, mas não conseguiria classificar os portugueses para o Mundial seguinte, no México, onde Pelé conduziu a seleção ao tricampeonato e mostrou quem era o verdadeiro rei do futebol.

Ghiggia

Entrou para a história com o gol que calou o Maracanã em 1950 e deu o segundo título mundial ao Uruguai. Depois disso, só jogou pela Celeste em mais cinco oportunidades. Foi comprado pela Roma, que se recusou a liberá-lo para disputar a Copa de 54. Com dupla cidadania, tentou ir ao Mundial de 58 com a Itália, mas, no jogo decisivo da Eliminatória europeia, acabou expulso. Os italianos perderam a vaga para a Irlanda do Norte.

MAU AGOURO À BRASILEIRA

Com exceção de Uruguai, semifinalista em 1954, e Holanda, vice em 1978 e terceiro lugar em 2014, nenhuma das seleções que eliminou ou tirou o título do Brasil conseguiu ir além das oitavas de final na Copa seguinte – Portugal (1970) e França (1990) nem se classificaram depois de desbancar a canarinho.

Maior carrasco da seleção brasileira, a França, consequentemente, é a maior vítima da maldição. Não conseguiu se classificar para a Copa de 1990 e foi eliminada na primeira fase tanto em 2002 quanto em 2010, sempre com a pior campanha de seu grupo.

Fora Uruguai (1950) e França (1998), que venceram na final, apenas Itália (1938 e 1982) e Alemanha (2014) faturaram o título mundial depois de eliminar o Brasil.

 

Fonte: El País/Municipios Baianos

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