10/07/2018

Só duas chapas majoritárias na Bahia têm mulheres

 

Na contramão de uma das pautas que mais mobilizam a sociedade brasileira na atualidade, o do protagonismo das mulheres, somente duas das sete chapas majoritárias que devem disputar o governo da Bahia nas eleições de outubro têm, até agora, em sua composição, alguma mulher. Das chapas cujas cabeças estão com PT, DEM, MDB, PRTB, PSDC, PSOL e Rede, somente as duas últimas siglas compõem chapa com mulheres - pelo menos por enquanto, já que as convenções partidárias ocorrem até 5 de agosto.

O debate ganhou corpo após a senadora Lídice da Mata (PSB) não ser a escolhida do governador Rui Costa (PT) para ocupar uma das vagas ao Senado, que coube ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ângelo Coronel (PSD). O apelo pelo voto de opinião foi vencido pela aritimética partidária: o PSD tem mais musculatura eleitoral que o PSB, alegaram petistas e sociais-democráticos. O fato também deu combustível à oposição. A TARDE procurou o pré-candidato para comentar o tema, historicamente defendido pelas esquerdas, mas sua assessoria não retornou até a noite de sexta-feira.

O DEM, partido do principal adversário de Rui nas urnas este ano, o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, até buscou encaixar uma mulher na vice ou Senado. A ex-ministra do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, teria sido convidada, mas negou. Até a própria Lídice foi sondada. Agora, a briga entre os partidos evangélicos PSC e PRB pode emplacar uma mulher na chapa, a vereadora Ireuda Silva (PRB). O outro nome é do deputado federal Irmão Lázaro (PSC).

“As mulheres sempre ocuparam posição de destaque nas minhas administrações. Mas a escolha não passa só pela minha cabeça, por composição partidária, lideranças”, diz Zé Ronaldo.

Fenômeno

O fenômeno de resistência à mulherada na política ocorre em nível nacional: mesmo com os 30% do bolo de R$ 1,7 bi do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral, destinado às candidaturas de mulheres nas chapas majoritárias e proporcionais no país, ainda há resistência dentro dos partidos. O PSC entrou na Justiça, semana passada, contra a obrigatoriedade.

A lei das cotas que determina ao menos 30% das candidaturas para mulheres também não é cumprida. Os partidos, a maioria liderados por homens, costumam dizer que as mulheres não querem se candidatar, ou que não importa o gênero, mas sim a composição partidária.

Para a senadora Lídice da Mata, são desculpas: “São todos pretextos. Se o objetivo é colocar a mulher na política, os partidos vão colocar como prioridade”, opina Lídice. E vai além: “O meu caso [não sair ao Senado], por mais que tenha características baianas, é um exemplo universal. Se é um valor, tem que compor a chapa, não importa a questão partidária”.

A pré-candidata ao governo e ex-vice-prefeita de Salvador Célia Sacramento (Rede) crê que a presença feminina em uma majoritária atrai o voto. Ela se vale de pesquisas de sondagens junto aos eleitores. “O eleitor, hoje, tem três apelos: políticos não-corruptos; pessoas novas na política, sem os vícios da velha política e, terceiro, a participação feminina”, diz ela, que apoia Marina Silva nas eleições para presidência da República.

O psolista Marcos Mendes, que também disputará o Palácio de Ondina, concorda. E diz que, no PSOL, houve crescimento exponencial de mulheres se filiando ao partido após a morte da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março, no Rio de Janeiro. O PSOL terá como candidata a vice a líder do Movimento Sem-Teto da Bahia (MTSB), Dona Mira. O candidato ao Senado, Fábio Nogueira, terá como suplente a Ialorixá Bernadete de Souza.

“No PSOL é regra é: sempre tem que ter mulher na chapa. Com certeza tem peso a mulher na urna. Não como um jarro, um adorno, mas mesmo peso do homem”, diz ele.

O MDB, cujo pré-candidato é João Santana, ainda não definiu nomes para vice e a segunda vaga ao Senado. “A mulher é tão importante quanto o homem. Existe a possibilidade sim, de uma mulher integrar a nossa chapa. A formação ideal, segundo nossos pressupostos, é ter uma mulher”. Segundo ele, o MDB tem excelentes quadros femininos. Ele prefere não citar nomes de pretensas integrantes da chapa antes da definição.

Os outros pré-candidatos ao governo são João Henrique Carneiro (PRTB) e Marcus Maurício (PSDC) os quais, por enquanto, não compuseram majoritária com mulheres.

Mulheres são prefeitas em apenas 13% dos municípios baianos, aponta IBGE

Apenas 57 municípios da Bahia têm a prefeitura comandada por uma mulher. O número corresponde a aproximadamente 13% das 417 cidades presentes no estado. Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na quinta-feira (5), que analisa o Perfil dos Municípios Brasileiros.

Sobre o total de prefeitos, a pesquisa indica que a Bahia tem 360 homens no comando das prefeituras, quantidade que corresponde a aproximadamente 86% do total de cidades do estado. Sobre a faixa etária das prefeitas na Bahia, a pesquisa mostra que 12 delas possuem entre 26 a 40 anos, 37 têm 41 a 60 anos, e apenas 8 têm mais de 60 anos. No estado, não existem mulheres com faixa etária entre 18 e 25 anos comandando prefeituras.

Considerando todo o Brasil, o Nordeste é a região que tem a maior presença de prefeitas. São 293 mulheres governando e 1501 homens. A quantidade de mulheres corresponde a 16,3% dos municípios da região. O número diminuiu em comparação ao percentual de 2013, quando a quantidade de prefeitas representava 16,5%. As baianas representam 3% do total nordestino, enquanto os prefeitos do estado somam 20%.

Rui foi o que mais cumpriu promessas de campanha, diz portal

Um levantamento atualizado das promessas de campanha feitas por todos os governadores em 2014, pelo portal G1, mostra que o governador da Bahia, Rui Costa, é o que mais cumpriu as promessas feitas. Dados divulgados pelo portal, na manhã desta segunda-feira (9), afirma que, em três anos e meio, Rui executou, total e parcialmente, 74 promessas.

A publicação se baseou no programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em sabatinas, entrevistas e debates. Ao analisar apenas as promessas totalmente cumpridas, segundo o G1, Rui Costa permanece na liderança em todo o país, com 54 ações completamente executadas.

Na sequência, aparece o governador de São Paulo (38 promessas cumpridas) e em terceiro o da Paraíba (31 promessas cumpridas).

•          Confira o ranking por números absolutos de promessas cumpridas:

1º Bahia – 54

2º São Paulo – 38

3º Paraíba - 31

4º Goiás – 28

5º Maranhão – 24

6º Sergipe – 21

7º Paraná – 17

8º Roraima – 15

9º Rondônia – 14

10º

Pará – 12

Amapá – 12

Espírito Santo – 12

Mato Grosso do Sul - 12

11º

Pernambuco – 11

Mato Grosso – 11

12º

Alagoas – 9

Minas Gerais - 9

13º  Ceará - 8

14º Rio Grande do Norte - 7

15º 

Rio Grande do Sul – 6

Distrito Federal – 6

Rio de Janeiro – 6

Amazonas - 6

16º

Piauí – 4

Santa Cataria – 4

17º Acre - 2

18º Tocantins – 40 promessas (nenhuma delas avaliadas)

Alice: PCdoB ainda espera definição de Rui sobre suplência

Garantida como pré-candidata à reeleição de deputada federal, Alice Portugal afirmou ao bahia.ba que o PCdoB ainda aguarda uma resposta do governador Rui Costa (PT) sobre a possibilidade do partido assumir uma das vagas de suplência para o Senado na chapa majoritária.

Os comunistas devem ficar com a suplência do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD), já que o PSB, de Lídice da Mata, tem prioridade para ocupar a suplência do ex-governador Jaques Wagner (PT), depois que a senadora foi excluída da chapa.

“O PCdoB tem suas aspirações desde a primeira hora, mas participa dessas conversações e aguarda palavra final do governador sobre isso. Mas quem tem tratado disso, efetivamente, é o presidente do partido, Davidson Magalhães”, disse.

No tradicional Cortejo do 2 de Julho, Rui Costa ressaltou ao bahia.ba que não tem pressa em definir os nomes que ocuparão as suplências. Na semana passada, o governador desconversou sobre o assunto.

Já o ex-presidente do PCdoB, o deputado federal Daniel Almeida disse que estranha a demora do petista para escolher o nome dos suplentes.

Na oportunidade, Alice ainda negou que haja um clima de “já ganhou” na base governista, devido à ampla vantagem de Rui Costa sobre José Ronaldo (DEM) nas pesquisas.

“Está todo mundo focado, um time entrosado e muito empenhado em fazer uma bancada forte para esse governador que é mesmo correria”, finalizou.

PSC diz não abrir mão de Irmão Lázaro para Senado

A indefinição sobre a candidatura de Irmão Lázaro ao Senado na chapa majoritária de Zé Ronaldo (DEM) deve chegar ao fim nos próximos dias. É o que garante o novo presidente do PSC, o deputado estadual Heber Santana.

Durante o encontro que empossou Heber como novo líder da legenda no estado, o socialista cristão afirmou que a definição da presença de Lázaro cabe agora, exclusivamente, ao pré-candidato ao governo. "Possuímos total interesse na manutenção da candidatura na chapa majoritária, mas não abrimos mão da permanência de Lázaro como senador, cabe agora ao pré-candidato Zé Ronaldo definir a presença de Lázaro”, disse.

Heber ainda afirmou que, caso o desejo do partido não seja atendido, a legenda estuda a possibilidade de lançar o candidato com outras alianças. “Enquanto essa definição não vem, vamos utilizar esse tempo para viabilizar essa candidatura, outros partidos já manifestaram interesse e não podemos mais ficar em condições de espera”, garantiu.

Entretanto, o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM) afirmou que conta com a força do nome de Lázaro no pleito de outubro. “Queremos Lázaro do nosso lado, o nome dele tem força, tanto para o Senado, quanto para vice-governador, estamos em detalhes para definir isso, só precisamos definir qual a melhor posição para ele”, disse.

PSC recusa vice de José Ronaldo para viabilizar Lázaro ao Senado

O PSC, que passou a ser comandado na Bahia pelo deputado estadual Heber Santana, já não foca apenas na chapa majoritária encabeçada pelo ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), para abrigar a pré-candidatura de Irmão Lázaro ao Senado. A sigla não aceitou o convite para assumir a vice na chapa do democrata e vai dialogar em busca de apoios.

“Com todo o respeito, declinamos do convite e deixamos o compasso de espera para integrar a chapa de José Ronaldo”, disse Santana ao bahia.ba

Segundo ele, durante seu discurso no encontro estadual do partido, que aconteceu no sábado (7), “a partir de agora estamos à vontade para buscar viabilizar com outras legendas a candidatura de Lázaro ao Senado”.

Já Lázaro ressaltou que “quer representar a Bahia no Senado, não apenas igrejas ou quaisquer instituições, como adversários tem maldosamente insinuado”.

O presidente nacional do partido, pastor Everaldo Dias, reafirmou que a pré-candidatura do deputado federal é prioritária para a legenda e que a Executiva estadual do PSC tem “toda liberdade para decidir o que for melhor”.

O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e José Ronaldo estiveram presentes no encontro.

 

Fonte: A Tarde/BNews/Municipios Baianos

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