11/07/2018

Uma União Europeia insegura perante Donald Trump

 

O show de Donald Trump faz uma parada na Europa. Para o egomaníaco presidente dos Estados Unidos, já estão asseguradas as manchetes na próxima semana. Talvez ele vá dar um susto nos aliados europeus e no Canadá, na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que se inicia nesta quarta-feira (11/04), em Bruxelas.

No chá com a rainha da Inglaterra, deve cometer uma ou outra gafe. Depois de uma partida de golfe, em seu hotel escocês, pode ser que trave uma amizade entre homens com o presidente Vladimir Putin, em seu encontro histórico com o autocrata russo na Finlândia.

Em Bruxelas, sobretudo entre os parceiros da Otan, reina a insegurança sobre o que trará a turnê pela Europa do presidente "America First", atualmente em campanha eleitoral. Trump seguramente não hesitará em esnobar os aliados mais uma vez e reabrir suas absurdas contas de gastos de defesa. Como prometido, os europeus investem cada vez mais em suas respectivas Forças Armadas, mas isso não basta ao líder americano.

Quem quiser saber como Trump funciona, basta escutar seu discurso eleitoral da semana anterior, em Indiana, em que investiu direto contra a chanceler federal alemã, Angela Merkel, perguntando o que, enfim, recebe dos alemães em troca do dinheiro dele.

Os alemães preferem fazer negócios de energia com os russos, disse, e os americanos são os bobões que têm então que pagar a conta. O presidente, é claro, promete mudar isso, e indiretamente já fez uma ameaça profilática de retirar suas tropas, caso não veja em breve a cor do dinheiro dos governos europeus.

Nas piores fantasias dos diplomatas da Otan em Bruxelas, também seria pensável uma espécie de ordem tarifária transatlântica para as tropas americanas na Europa. Proteção em troca de dinheiro. Dinheiro de "proteção", como o exigido pelas gangues criminosas?

Até o momento nunca se pensara em tais categorias na organização, supostamente baseada em valores políticos. Trump, porém, que no fundo da alma é um comerciante, pensa assim. Ele procura a própria vantagem e para tal negocia com toda brutalidade, sem consideração pelos até então aliados próximos.

Depois de já ter praticado isso na cúpula do G7 no Canadá, seria de espantar se ele não aplicasse também na Otan esse método, que de seu ponto de vista é eficaz. Os europeus devem estar preparados para ver Trump misturar conflitos comerciais e política de segurança.

"Se vocês querem proteção nuclear contra os russos, deixem as mercadorias americanas entrarem na Europa livres de tarifas!": é uma equação fácil com que Donald Trump poderá vir a operar. O homem na Casa Branca prefere brilhar em cúpulas ao lado de ditadores e autocratas do que se ocupar dos velhos aliados, que não considera parasitas à sua altura.

A Otan provará a Trump que cada vez mais Estados se aproximam da meta de 2% do respectivo PIB em gastos de Defesa. A Alemanha, porém, se move muito lentamente nessa direção, o estado da Bundeswehr é deplorável, a operabilidade das tropas europeias, no total, é parca. É com esse flanco aberto que Angela Merkel se apresentará em Bruxelas, e o presidente americano terá todo o prazer em explorá-lo. Como dito: ele está em plena campanha presidencial para a eleição do Congresso em novembro.

O Ministério da Defesa da Polônia esboçou o futuro das relações na Otan: os poloneses ofereceram 2 bilhões de dólares por ano em troca do estacionamento de mais soldados americanos. Esse cálculo contabilista de dinheiro de proteção poderá agradar a Trump e servir de modelo.

Os Estados da Otan só podem torcer para que o presidente da principal potência militar siga comprometido com o dever de ação solidária, com cujo fim, em caso extremo, ele também poderá ameaçar, a fim de impor a própria vontade.

Não se deve descartar essa eventualidade, pois, apenas dois anos atrás, o então candidato presidencial declarava a Otan totalmente "obsoleta". Uma cooperação militar de impacto dentro da União Europeia, como alternativa à Aliança Atlântica, é coisa ainda incipiente, sua estruturação exigirá muitos anos e não substituirá as capacidades militares dos EUA.

Os diplomatas da Otan igualmente miram amedrontados a conferência de cúpula na capital finlandesa com o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, cujo reino russo é considerado por muitos governos da Aliança Atlântica como a ameaça mais grave da Europa. Há uma longa lista de pontos delicados que Trump pretende cobrir com Putin, em nome da Otan, e a intenção da cúpula em Bruxelas é expedir uma recomendação nesse sentido.

Se Trump ainda se lembrará dessa resolução em Helsinque é – como tantas outras coisas – imprevisível. Ele está preparado para tudo, no encontro com Putin, afirmou no comício em Indiana. Isso é bom ou ruim? Se a situação for bem, do ponto de vista da Otan, então o presidente americano poderá influenciar seu homólogo russo. Se for mal, os fronts poderão se endurecer.

Só uma coisa é certa: em sua própria interpretação, o show de Trump será garantidamente um sucesso. Já dá para ouvir o estridente autoelogio do chefe da Casa Branca, tagarelando sobre a própria magnificência. Otan, rainha Elizabeth, Putin? It's gonna be great!

Trump critica europeus na véspera de cúpula da Otan

O presidente Donald Trump voltou a criticar os parceiros europeus dos Estados Unidos nesta terça-feira (10/07), véspera de uma reunião de dois dias da Otan em Bruxelas.

Numa troca de farpas com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, Trump afirmou a repórteres que os EUA têm muitos aliados, "mas eles não podem se aproveitar de nós".

A declaração foi uma resposta a Tusk, que dissera via Twitter que o governo americano deveria valorizar seus parceiros porque "não tem e não terá um aliado melhor" que a União Europeia (UE).

Pouco depois, Trump afirmou que seu encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, poderá vir a ser a parte mais fácil de seu périplo pela Europa. "Quem diria?", comentou o presidente americano.

Trump foi muito crítico nas últimas semanas sobre o sistema de financiamento da Otan, no qual os EUA são o maior contribuinte. Ele afirmou que tal condição "não é justa nem aceitável" e exigiu que os demais países paguem mais, e os EUA, menos.

Segundo Trump, a União Europeia "está se aproveitando" dos Estados Unidos. "Perdemos 151 bilhões de dólares no ano passado em comércio e, além disso, cobrimos pelo menos 70% [do orçamento] da Otan", afirmou Trump antes de embarcar no avião presidencial Air Force One rumo a Bruxelas.

"Francamente, [a Otan] ajuda muito mais a eles do que a nós. Então vejamos o que acontece. Temos pela frente uma semana longa", acrescentou o presidente americano, que parece pouco se importar com eventuais danos que suas declarações possam causar à aliança militar, que já existe há quase sete décadas.

Trump chegará na noite desta terça-feira a Bruxelas, onde participará, nos dois dias seguintes, da cúpula de líderes da Otan. Depois viajará a Londres, onde se encontrará com a primeira-ministra britânica, Theresa May, e concluirá sua excursão europeia no dia 16 de julho em Helsinque, onde vai se reunir com Putin.

No encontro com o líder russo, as atenções vão se voltar para a postura de Trump em relação a Putin, que nega com veemência que tenha havido interferência da Rússia na eleição presidencial americana que elegeu o republicano. Antes de embarcar, Trump disse que "não pode dizer agora" se Putin é "amigo ou rival", mas o chamou de "concorrente".

Na cúpula da Otan, o principal tema será a exigência de Trump aos aliados europeus de destinar ao menos 2% do seu PIB ao setor de defesa até 2024, ponto que também gerou tensões pelo interesse de Trump em alcançar esse percentual o quanto antes. Por enquanto, a meta só e cumprida por oito dos 29 aliados.

Trump: países da OTAN devem compensar EUA por seus gastos em defesa

Presidente os EUA, Donald Trump, reclamou mais uma vez sobre os altos gastos de Washington para a manutenção da OTAN.

"Muitos países da OTAN que, segundo se espera, nós defendamos, não só descumprem os seus compromissos [de gastos em defesa] de 2% [do PIB], (que já são baixos), mas também atrasam suas contribuições [para aliança] durante anos. Será que eles vão reembolsar os EUA?", escreveu Trump em sua conta no Twitter, a caminho de Bruxelas, onde será realizada a cúpula da OTAN.

A cúpula da OTAN em Bruxelas será realizada nos dias 11 e 12 de julho, tendo como pano de fundo as discussões entre os EUA e os países europeus em torno da saída de Washington do acordo nuclear com o Irã, bem como das novas tarifas norte-americanas sobre aço e alumínio.

Trump, de forma recorrente, pressiona os seus aliados da OTAN a cumprir os acordos de 2014, segundo os quais os países se comprometem a dedicar pelo menos 2% do PIB aos gastos com defesa. Se esses compromissos não forem cumpridos, Trump ameaça reduzir a participação dos EUA em programas de defesa do bloco militar.

 

Fonte: Deutsche Welle/Sputinik News/Municipios Baianos

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