11/07/2018

Após pressão tucana, Ronaldo oferece vaga de vice ao PSC

 

O ex-prefeito de Feira de Santana e pré-candidato do DEM ao governo da Bahia, José Ronaldo, passou a adotar uma nova estratégia na formação da sua chapa majoritária, a principal do campo de oposição no Estado. Pressionado pelo PSDB baiano, que rejeita a presença do deputado federal Irmão Lázaro (PSC) como pré-candidato a senador na composição eleitoral, José Ronaldo voltou atrás da decisão de ter o parlamentar evangélico na disputa por uma cadeira no Senado e passou a oferecer a vaga de vice-governador ao PSC.

Sem acenos positivos do pré-candidato do DEM, o PSC prometeu começar, a partir desta segunda-feira, 9, uma série de conversas com outros pré-candidatos ao governo baiano, em busca de um acordo que viabilize a pré-candidatura de Lázaro ao Senado. O recuo, que cedeu às pressões dos tucanos, desagradou a direção estadual do PSC, que descarta qualquer possibilidade de aceitar a proposta do DEM.

Segundo o novo presidente do PSC na Bahia, o deputado estadual Heber Santana, a legenda "se sente livre" para negociar outras alianças. "Não dá mais para ficar aguardando", afirmou ao Estado.

Animado com convites insistentes do pré-candidato do MDB ao governo baiano, o ex-ministro da Integração Nacional João Santana, Heber também não descarta, contudo, a formação de uma coligação em torno de uma candidatura avulsa ao Senado.

Discussões sobre uma possível coligação estão acontecendo com partidos como Pros, PHS e PEN, segundo o presidente do PSC na Bahia e o pré-candidato da legenda ao Senado.

A decisão, explicou Lázaro, levará em conta principalmente o impacto nas eleições proporcionais. O PSC estima eleger três deputados estaduais e um deputado federal (o próprio Heber Santana) caso esteja coligado com José Ronaldo ou outro candidato a governador. Uma candidatura avulsa, no entanto, poderia inviabilizar a eleição de um representante para a Câmara dos Deputados. "Vamos ter que fazer conta para decidir", afirmou o parlamentar evangélico, terceiro deputado mais votado da Bahia em 2014, com 161 mil votos.

Encontro

José Ronaldo compareceu ao encontro estadual do PSC - na tarde do sábado, 7, em um hotel de Salvador - diante da possibilidade de perder o apoio da sigla. Ao lado do vice-prefeito da capital baiana, Bruno Reis (DEM), um dos principais articuladores políticos da oposição, e de outros correligionários, o pré-candidato ao governo fez acenos na direção de Heber e Irmão Lázaro.

Evasivo, porém, como de costume, José Ronaldo afirmou ao Estado que conseguirá "resolver essa questão em breve". Na sequência, discursou ao lado dos dirigentes estaduais do PSC, do presidente nacional do partido, o pastor Everaldo Dias, e do pré-candidato do Planalto Paulo Rabello de Castro. Em tom elogioso, José Ronaldo ressaltou insistentemente o compromisso em eleger Heber Santana deputado federal, mas só citou Irmão Lázaro no final de sua fala, convidando-o para sua chapa, mas sem dizer em qual posição. A plateia, lotada de fiéis da igreja Assembleia de Deus, curral eleitoral do PSC, aplaudiu discretamente.

O encontro também não animou interlocutores próximos ao pré-candidato do DEM, que admitem a complexidade da aliança, já que o PSDB só aceita a presença de Irmão Lázaro na coligação se ele aceitar a vaga de vice-governador. A cúpula do tucanato baiano teme que a força eleitoral do deputado evangélico oblitere a pré-candidatura ao Senado do atual deputado federal Jutahy Magalhães Jr. (PSDB).

O medo tem fundamento em pesquisas de consumo interno, que mostram Lázaro à frente de Jutahy em todos os cenários. Todas as simulações eleitorais para o Senado são lideradas pelo ex-governador e ex-ministro petista Jaques Wagner, que comporá a chapa do governador da Bahia e pré-candidato à reeleição Rui Costa (PT).

Após negar a vice, PSC estuda candidatura avulsa de Lázaro ao Senado

Após negar o convite para integrar a vice na chapa do pré-candidato ao governo do estado, José Ronaldo (DEM), o PSC ainda acredita que seus interlocutores possam mudar de ideia, mas também estuda a possibilidade de lançar o deputado federal Irmão Lázaro em candidatura avulsa ao Senado, apoiado por partidos que ainda não estejam totalmente definidos no jogo das eleições 2018 no estado.

O PSC quer emplacar Irmão Lázaro na vaga ao Senado. A outra vaga já está garantida para o deputado federal Jutahy Magalhães Jr (PSDB). Há conversas com PSC, PRB e PTB, principalmente. Com isso o PSC cria uma saia justa para José Ronaldo, que pretende definir o imbróglio até o final de semana.

"A decisão está com ele [José Ronaldo], não conosco. Mas se for necessário, primeiro criamos as condições para lançar a candidatura de Lázaro ao Senado, com apoios de partidos com os quais já estamos conversando. Em um segundo momento decidiríamos quem apoiar para governador e nada impede que seja o próprio José Ronaldo", disse o presidente estadual do PSC, deputado Heber Santana, para A TARDE.

O pré-candidato ao governo, José Ronaldo, disse que a decisão não parte apenas dele ou dos postulantes. E minimizou o fato de o PSC informar que conversa com outros grupos. "Essa é uma questão que não é definida somente por uma pessoa. Essa questão está sendo definida pelo grupo. Até o final de semana espero definir isso. Eu dei declaração pública dizendo que ele tem perfil para ocupar as duas cagas [vice e Senado]. Formação de chapa em qualquer eleição gera preocupação, isso é normal".

Conversas

De acordo com fontes dos democratas, oficialmente as conversas com o PSC versaram sobre a melhor forma de Lázaro transferir para a chapa os numerosos votos do eleitorado evangélico e agregados - fãs de sua carreira como cantor. O DEM acredita que Lázaro na vice seria a melhor equação, diferente do que entende os evangélicos, que têm a pretensão de ampliar a bancada do partido no Congresso.

Nos bastidores comenta-se, ainda, que o deputado federal Jutahy Magalhães estaria preocupado em disputar votos com Lázaro. No mundo político o comentário é o de que Jaques Wagner (PT) teria grandes chances de ser eleito e, por isso mesmo, apenas uma vaga ao Senado estaria sendo disputada de fato por Ângelo Coronel (PSD), Jutahy e o outro candidato da chapa do DEM.

Tradicionalmente, na Bahia, o governador eleito sempre alavanca junto os dois senadores. Mas, embora o cenário esteja favorável a Rui Costa (PT), para Heber, o eleitorado está buscando o novo e Lázaro reuniria essa qualidade. "Lázaro é o novo, que pode influenciar na quebra deste paradigma. Juntos, ele e Jutahy poderiam fazer diferença", diz uma fonte do PSC que prefere o anonimato.

PSC sinaliza conversas com MDB após 'convite' para chapa; Lúcio diz esperar posição oficial

O presidente do PSC na Bahia, Heber Santana, afirmou que pretende abrir conversas com outros pré-candidatos a governador da Bahia para encontrar uma chapa majoritária que possa abrigar a pré-candidatura avulsa do deputado federal Irmão Lázaro ao Senado. O MDB, que aposta no nome do ex-ministro João Santana para comandar o Executivo estadual, está entre as possibilidades da legenda.

A posição do partido em procurar outras legendas que possam viabilizar a participação do social-cristão na disputa foi formalizada em encontro estadual no último sábado (7) (leia aqui). Nele, a sigla rejeitou o convite do pré-candidato ao governo, Zé Ronaldo (DEM), para ter Lázaro na vice e manteve o pastor concorrendo à Câmara Alta. Apesar de ponderar que uma futura aliança com o democrata não está descartada, Heber disse que vai retomar as negociações com agremiações interessadas em apoiar o pastor.

“Nós vamos agora retomar as conversas com outros partidos, que estavam paradas porque nossa prioridade era estar com Zé Ronaldo. O MDB, por exemplo, já demonstrou publicamente que gostaria de ter Lázaro na chapa. Nós poderemos, eventualmente, evoluir para uma aliança com o partido para ter Lázaro como candidato ao Senado na chapa. Mas vamos conversar também com partidos que não têm pré-candidatos em disputas majoritárias. Como a decisão de manter Lázaro é recente, porque foi tomada no último sábado, vamos intensificando as negociações nos próximos dias”, explicou Heber, em entrevista ao Bahia Notícias na segunda-feira (8).

Procurado pelo portal, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB) confirmou o interesse em uma possível composição com o pastor. No entanto, ponderou que só vai começar as tratativas quando for comunicado oficialmente pelo PSC do fim das negociações com Zé Ronaldo. O parlamentar ainda aproveitou para alfinetar o grupo ligado ao ex-prefeito de Feira de Santana, que mantém os convites para colocar Lázaro na vice, mesmo com o pastor e o PSC não aceitando.

“Se por um acaso alguma chapa não der o valor que o Irmão Lázaro tem, no MDB nós damos esse valor. Teremos o maior prazer em conversar com o PSC, com Heber, com Lázaro, para saber de que forma podemos fazer uma parceria. Se efetivamente o Irmão Lázaro ou PSC declarar que encerraram-se as conversas, sentaremos à mesa com o maior prazer. A gente não atrapalha namoro e nem casamento de ninguém. Espero oficialmente Irmão Lázaro dizer que não namora mais os democratas. A partir daí, começaremos a flertar, a namorar e quem sabe até casar”, declarou Lúcio.

Ainda segundo Heber, o partido espera que o impasse com Zé Ronaldo seja resolvido logo, antes do período das convenções partidárias, que termina no dia 5 de agosto. “Enquanto Zé Ronaldo não tem essa definição, seguiremos com a pré-candidatura de Lázaro. Não vamos esperar mais”, reiterou.

Com indefinição, nome de Bruno Reis ganha força na chapa de Ronaldo

Com a indefinição para a escolha dos nomes que ocuparão as vagas de vice e a restante ao Senado, o nome do vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), vem ganhando força para compor a chapa majoritária encabeçada pelo ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM).

Correligionários já falam abertamente que o grupo de Ronaldo ganharia a “cara do prefeito ACM Neto” com Bruno, o que seria um benefício e tanto, já que Neto tem alta popularidade na capital e o pré-candidato ao governo é praticamente desconhecido em Salvador.

As conversas em torno de Reis também ganharam corpo após o PSC recusar o convite para Irmão Lázaro assumir a vice de José Ronaldo.

“Com todo o respeito, declinamos do convite e deixamos o compasso de espera para integrar a chapa de José Ronaldo”, disse nesta segunda-feira (9) o presidente estadual do PSC Heber Santana ao bahia.ba.

Com o deputado fora da chapa, o vice-prefeito poderá ocupar a vice ou a vaga ao Senado, sendo que a segunda opção ainda depende das negociações com o PRB, do Bispo Márcio Marinho e da deputada Tia Eron.

Aliados também defendem que a presença de Bruno Reis na majoritária não traria nenhum tipo de prejuízo para o democrata, pelo contrário, o projetaria para as eleições de 2020, quando pretende disputar a Prefeitura de Salvador.

Presença do PRB na chapa é “questão de entendimento”

Presidente do Democratas na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia ressaltou que o PRB é um “partido importante”, mas a presença da sigla ligada à Igreja Universal do Reino de Deus na chapa do pré-governo da Bahia, José Ronaldo (DEM), ainda não está definida.“Estar na chapa ou não estar na chapa é uma questão de entendimento. Mas é um partido importante”, afirmou. Em entrevista exclusiva à Tribuna, que foi publicada ontem, a presidente do PRB no estado, a deputada federal Tia Eron, sinalizou que a sigla deve estar na composição por causa do “tamanho e do peso”. “Para aqueles que tentam apequenar o PRB, é importante que olhem as eleições de 2014, na qual nos fizemos quase 300 mil votos, e depois precisamos voltar  para  2016 que,  só  em  Salvador,  tivemos  uma  média  de  quase meio milhão  de  votos”, afirmou a parlamentar.

Aleluia discordou de Tia Eron sobre a decisão do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), de não ser candidato ao Palácio de Ondina na eleição deste ano. Para ela, a situação ainda “não foi superada” e “vai levar um tempo”. “Neto não desistiu [de ser postulante], porque ele nunca lançou a candidatura. E passada essa eleição será um novo cenário. Todo mundo vai pensar em governar e na eleição de 2020. Estive com o prefeito no interior e o mesmo carinho o povo demonstrava a ele. Ele foi muito bem recebido. Além disso, na medida em José Ronaldo for crescendo, as pessoas vão ver que a solução foi boa”, afirmou o democrata. Tia Eron destacou ainda que o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), “deve ser o rosto  jovem” que o prefeito ACM Neto procura para a chapa de José Ronaldo. “Não digo que é o rosto novo, mas é um bom rosto para a chapa. Mas não está nada decidido. É um nome bem aceito por todos”, pontuou Aleluia.

O presidente do Democratas avaliou que a aliada foi “muito gentil” nas críticas ao governo de Rui Costa (PT). Tia Eron afirmou que a administração petista tem uma “deficiência enorme” no interior e é só “levantar o tapete” para ver. “Ela foi até muito gentil. Não é deficiência. Vivemos é um momento de pânico e de terror. Não precisa nem tirar o tapete. O terror no interior está a olho nu”, afirmou. Aleluia negou que a estratégia adotada para eleição proporcional deste ano no grupo da oposição seja o chapão, como informou a parlamentar evangélica. “Tenho expectativa que sim. Trabalho neste sentido. Mas não tem nada decidido. Só se ela tiver mais informação”, salientou.

 

Fonte: Agencia Estado/A Tarde/Bahia.ba/Tribuna/Municipios Baianos

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