11/07/2018

Safra baiana de algodão impulsiona a busca por novas tecnologias

 

Os agricultores do Oeste do Estado estão entusiasmados a manter o uso de tecnologia e manejo adequados no campo, graças à safra baiana de algodão que, pelo segundo ano consecutivo, vai atingir produtividade média acima de 300 arrobas/hectare. Diante da conjuntura favorável, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA), Fundação Bahia e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizaram sábado (7), em Luís Eduardo Magalhães (BA), o Dia de Campo do Algodão, considerado o principal evento técnico de algodão na Bahia.

Oportunidade de atualização das principais cultivares de algodão e de técnicas que visam melhores resultados, o evento apresentou cerca de 20 diferentes variedades de algodão disponíveis no mercado, a exemplo de cultivares transgênicas para as áreas de refúgio; os resistentes à pragas e doenças como nematoides; e os que focam na qualidade da fibra e em características ideais para a indústria têxtil. Participaram cotonicultores, consultores, profissionais e estudantes da área, que debateram temas voltados ao incremento da produtividade no campo e a busca de maior qualidade da fibra para o mercado consumidor.

Na abertura do evento, o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Celestino Zanella, citou as ações que vem sendo desenvolvidas pelas entidades agrícolas para garantir a competitividade e rentabilidade do produtor, a exemplo dos programas “Fitossanitário da soja e do algodão” e “Operação safra”, e a busca de soluções de logística junto ao Estado. Para o presidente da ABAPA, Júlio Cézar Busato, “é necessário unir forças para avançar nas questões que estão fora da fazenda, como logística, segurança física e jurídica das fazendas, além das questões fundiária, fitossanitária e ambiental”

Para o presidente da Fundação Bahia, Zirlene Zuttion, o Dia de Campo do Algodão é o momento em que são reunidas todas as tecnologias ligadas à produção da pluma. “É um dia de intercâmbio e troca de experiências entre os próprios cotonicultores e com as empresas que investem em novas tecnologias e avaliam os resultados destas variedades e formas de manejo para incrementar a produtividade na lavoura”.

A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do Brasil e prevê uma colheita de 1,2 mil toneladas na safra 2017/2018, sendo 481 mil toneladas em pluma, conforme dados da ABAPA. Com a previsão da regularidade do ciclo de chuvas e da cotação do mercado, a próxima safra de algodão já prevê um crescimento de área, saindo dos 263 para 300 mil hectares. “Aos poucos, será retomada a capacidade instalada de 400 mil hectares de produção no Oeste da Bahia, e vamos resgatar a riqueza perdida e os empregos que foram suspensos com a estiagem evidenciando a importância do algodão para a região. A atual safra de algodão da Bahia deve abastecer, principalmente, a indústria têxtil brasileira, sendo o restante dela, cerca de 40%, destinada para o mercado externo para os países asiáticos, de acordo com Júlio Cézar Busato.

Safra de grãos é a segunda maior da história no País

A colheita de grãos do país na safra 2017/2018 deve chegar a 228,5 milhões de toneladas, com redução de 3,9% em relação à safra passada (237,7 milhões de toneladas). Mesmo assim, será a segunda maior da história, segundo o 10º levantamento divulgado hoje (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em comparação ao último levantamento, feito em junho, a produção diminuiu 1,2 milhão de toneladas. Segundo a Conab, a queda se deve aos impactos climáticos que reduziram a produtividade do milho da segunda safra. A previsão para o cereal é de produção total de 82,9 milhões de toneladas. A estimativa para a primeira safra é 26,9 milhões de toneladas, com queda de 11,7% e a segunda, e 56 milhões de toneladas, com redução de 16,9%. “Reduções nas chuvas impactaram o potencial positivo na segunda safra”, disse o presidente da Conab, Francisco Marcelo Bezerra.

O destaque positivo foi a produção da soja, que pode chegar a 118,9 milhões de toneladas, com crescimento de 4,2% em relação à safra passada. O algodão de pluma registrou aumento de 28,5%, chegando a 1,9 milhão de toneladas. O feijão segunda safra e o trigo também registraram crescimento: 7,7% (1,3 milhão de tonelada) e 15% (4,9 milhões de toneladas).

Área cultivada

Entre as culturas avaliadas, a soja registrou o maior volume de área semeada, com aumento de 33,9 para 35,1 milhões de hectares. A área do algodão chegou a 1,2 milhão de hectares, com ganho de 236,9 mil hectares. O feijão segunda safra tem 1,5 milhão de hectares, com ganho de 108,3 mil hectares.

No caso do milho houve redução de 5,5 milhões para 5,1 milhões de hectares, na primeira safra, e de 12,1 milhões para 11,6 milhões de hectares, na segunda.

Agronegócio trava guerra contra orgânicos e alimentação saudável

Grandes proprietários de terra lutam no Congresso para fazer passar o “Pacote do Veneno” e desestruturar a agricultura familiar e orgânica brasileira.

O comentário é de Alexandre Guerra, economista e doutor em Administração Pública e Governo pela FGV, em artigo publicado por CartaCapital.

Os ruralistas lutam pela aprovação de dois projetos nocivos à saúde e ao meio ambiente: o que visa a restringir a venda direta de orgânicos e o que pretende flexibilizar o uso de agrotóxicos.

Uma verdadeira batalha está sendo travada no Congresso Nacional em busca de privilegiar os grandes proprietários de terra e desestruturar a agricultura familiar e orgânica brasileira. Nesta batalha existem duas grandes vertentes relevantes na produção de alimentos no país.

A primeira vertente é marcada por grandes produtores que utilizam nos processos produtivos agrotóxicos sintéticos, fertilizantes químicos, irrigação intensiva e manejo inadequado do solo. Já a segunda vertente, formada majoritariamente por agricultores familiares e assentados da reforma agrária, utiliza em seu processo produtivo os princípios da agroecologia, ao produzir produtos orgânicos que convivem de forma sustentável com o meio ambiente, sem uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.

Ao representar os interesses do agronegócio, a bancada ruralista aposta em dois projetos de lei para evitar que os produtos orgânicos apresentem-se como alternativa de alimentação saudável para população brasileira. São eles o PL 4576/2016 (que visa a restringir a venda direta de produtos orgânicos) e PL 6299/2002 (que pretende flexibilizar o uso de agrotóxicos), ambos já aprovados em comissões da Câmara dos Deputados.

O PL 4576/2016 determina que os produtos orgânicos só poderão ser vendidos diretamente ao consumidor em feiras livres ou em propriedade particular, alterando a Lei 10.831/2003 que dispõe sobre a agricultura orgânica brasileira. Uma vez aprovado, o projeto representará um retrocesso para a política nacional de agricultura familiar, já que dificulta o acesso ao mercado consumidor.

A Lei da Agricultura Orgânica em vigor permite a comercialização de produtos sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos em qualquer estabelecimento, desde que possua o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, adquirido por auditoria ou fiscalização. O interesse da bancada ruralista do Congresso nesse projeto ocorre devido aos produtos orgânicos representarem uma alternativa à produção de alimentos com agrotóxicos.

Já o PL 6.229/2002, conhecido como “Pacote do Veneno”, tem como proposta alterar a legislação brasileira por meio de um conjunto de medidas que flexibiliza o uso de agrotóxicos no país, colocando em risco a saúde humana e o meio ambiente.

O projeto atende aos interesses das grandes corporações da indústria química vinculadas ao agronegócio e prevê a alteração da nomenclatura de “agrotóxico” para “pesticida” e visa que os mesmos possam ser liberados pelo Ministério da Agricultura sem o aval de órgãos reguladores.

Todos os órgãos científicos que versam sobre o tema foram contrários à aprovação do “Pacote do Veneno”, entre eles a Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ, o Instituto Nacional de Câncer, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Organizações da Nações Unidas (ONU).

Em suma, as propostas de alteração da legislação brasileira inserem os interesses econômicos do agronegócio em primeiro lugar, ao mesmo tempo em que colocam em risco a saúde humana e a sustentabilidade do meio ambiente.

Demanda e prêmio pago pela soja brasileira aumentam, diz secretário

A demanda e o prêmio pago pela soja brasileira estão aumentando com a guerra comercial entre os Estados Unidos (EUA) e a China, disse o secretário adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Sávio Pereira, ao apresentar o 10º levantamento da safra de grãos, elaborado pela pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O prêmio é uma remuneração extra para a exportação de soja. Na última sexta-feira (6), a China anunciou que iniciou “de forma imediata” medidas de represália contra importações de produtos americanos, após a entrada em vigor nos Estados Unidos de tarifas a mercadorias chinesas importadas, no valor de US$ 34 bilhões. Foi aplicado um conjunto de tarifas de 25% sobre produtos como a soja.

Com isso, houve queda nos preços da soja na Bolsa de Chicago. “Os preços são definidos pela Bolsa de Chicago, mas a bolsa reflete muito o mercado americano. Os mercados regionais, como do Brasil, da Argentina e do Paraguai se adaptam à Bolsa de Chicago por meio dos prêmios pagos nos portos. Como há essa queda na procura pela soja americana, os prêmios nos portos brasileiros pela soja brasileira sobem”, explicou Pereira.

O secretário adjunto acrescentou que o efeito para o mercado de soja brasileiro pode ser positivo. “Semana passada, já havia informações que foram canceladas compras de 500 mil toneladas de soja americana. Significa que a soja americana vai custar 25% a mais para os chineses. Evidentemente isso provocou queda na Bolsa de Chicago, que reflete muito o produto americano. Mas, em compensação, os prêmios nos portos brasileiros subiram. Então, a taxação americana, com a queda em Chicago, afetou o Brasil, eu diria, até positivamente. A procura é para o produto brasileiro agora”.

Segundo a Conab, a produção de soja no Brasil pode chegar a 118,9 milhões de toneladas, com crescimento de 4,2% em relação à safra passada. Entre as culturas avaliadas, a soja registrou o maior volume de área semeada, com aumento de 33,9 milhões para 35,1 milhões de hectares.

 

Fonte: A Tarde/O Expresso/IHU Online/Agencia Brasil/Municipios Baianos

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