12/07/2018

Malala patrocinará Projeto de educação indígenas na Bahia

 

Em sua primeira visita ao Brasil, a ativista Malala Yousafzai anunciou que irá patrocinar três projetos do país para a educação das mulheres. Entre eles, está o da professora Ana Paula Ferreira de Lima, coordenadora da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), com sede em Salvador. A iniciativa será umas das primeiras na América do Sul a integrar a Rede Gulmakai e aplicará a verba do fundo criado pela paquistanesa ganhadora do Nobel da Paz na formação de meninas indígenas na Bahia.

"Ela [Malala] transmite energia muito forte. Esse discurso dela, de que as meninas precisam levantar sua voz, precisam lutar pela educação, é muito importante para as meninas indígenas, porque elas se sentem mais motivadas em continuar estudando, em voltar para estudar, em voltar para a escola", contou a educadora da Anaí, em entrevista ao G1.

Além do projeto de Ana Paula, também serão patrocinados por Malala o Ação Educativa (SP) e o Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (PE). A Rede Gulmakai é uma iniciativa do Fundo Malala para patrocinar homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de garotas em todo o mundo.

Encontro

Ana Paula e Malala estiveram juntas durante vista da paquistanesa ao Centro Histórico de Salvador nesta terça-feira (10). Malala caminhou pelas ruas do Pelourinho, conheceu pontos turísticos e visitou as sedes do Olodum e da Anaí.

Ana Paula Ferreira atualmente trabalha com a promoção de alternativas de relacionamento entre a sociedade brasileira e os povos indígenas no país por meio da Anaí, organização que atua na causa há cerca de 40 anos.

De acordo com a educadora, a escolha da organização pelo Fundo Malala se deu a partir da indicação de gestores do Museu Nacional do Rio de Janeiro, uma das maiores instituições de história natural e de antropologia das Américas.

"O Fundo entrou em contato com o Museu comunicando que estava procurando algumas organizações para poder trabalhar junto. A antropóloga Daniela Alarcón, que trabalha com povos indígenas da Bahia, fez esta ponte entre a Anaí e o Fundo", disse.

Aos representantes da entidade fundada por Malala, Ana Paula apresentou um projeto de sua autoria para trabalhar com educação de meninas indígenas da Bahia. A ideia da educadora foi aprovada por representantes do Fundo Malala, e ela foi convidada oficialmente a fazer parte da Rede Gulmakai.

De acordo com a professora, além de patrocinar este projeto da Anaí, o Fundo vai permitir que demais integrantes da organização recebam treinamento de liderança e de ativismo para dar prosseguimento ao trabalho social voltado aos povos indígenas.

Ativistas

O projeto de São Paulo que também será patrocinado pelo Fundo Malala é de Denise Carreira, coordenadora-executiva da Ação Educativa, uma ONG fundada em 1994 e que tem como um dos pilares a luta pela igualdade de gênero e raça nas escolas.

Denise afirmou que mais importante que o recurso financeiro é o reconhecimento político da causa. "O recurso é sempre limitado, o importante é o reforço da agenda da igualdade de raça. O Fundo Malala reconhece e credita a causa a uma luta maior e o reconhecimento político é a grande conquista", diz Denise.

O terceiro projeto é de Pernambuco: o Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), com sede em Recife e coordenado por Sylvia Siqueira Campos, de 36 anos. Segundo ela, a organização foca no apoio a comunidades indígenas e da população negra, por entender que o racismo é um dos principais elementos que levam à desigualdade social.

Rede Gulmakai

A Rede Gulmakai foi batizada por uma inspiração antiga: Gulmakai era o pseudônimo que Malala usava quando tinha apenas 11 anos e escrevia um blog em Urdu para a BBC sobre os desafios que as garotas enfrentavam para conseguir estudar no Vale do Swat, sua terra natal no Paquistão, que caiu sob o domínio do Talebã.

Por causa do seu ativismo pela educação das mulheres, Malala sofreu um atentado em 9 de outubro de 2012. Então com 15 anos, ela foi baleada na cabeça por talibãs quando saída da escola. Ela sobreviveu e precisou se mudar para a Inglaterra com a família.

Em 2014, Malala se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz e, desde então, seu atuação para garantir que meninas possam frequentar a escola tem se expandido pelo mundo.

Atualmente, a rede de Malala financia o trabalho de 22 ativisitas em prol da educação de meninas no Afeganistão, Índia, Líbano, Nigéria, Paquistão e Turquia.

Fundo Malala e Anaí se unem em prol da educação de meninas

"Foi tudo muito emocionante, a ficha ainda não caiu", conta a historiadora mineira Ana Paula Lima, 40 anos, pouco depois de uma reunião com a paquistanesa Malala Yousafzai, 21 anos, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2014. O encontro aconteceu na Instituição Nacional de Ação Indigenista (Anaí), no Pelourinho, com o objetivo de firmar parceria com o Fundo Malala, que fomenta a educação de meninas em todo o mundo.

Três estudantes indígenas conversaram com a ativista. A Anaí está entre as instituições brasileiras escolhidas para trabalhar na parceria planejada para durar três anos. Ao fim desse período, a entidade deve dar continuidade aos projetos desenvolvidos com a fundação criada em 2013 – "e, também, começar novos", lembra Ana Paula, uma das coordenadoras da Anaí há quatro anos.

Motivação

"A ideia é nos unir a algumas escolas em Salvador e incentivar as meninas indígenas a continuarem os estudos. Para as que, por alguma razão, precisaram parar por um período, vamos mostrar a importância de voltar a estudar", afirma Ana Paula, uma das três brasileiras que, pela trajetória na promoção da educação, passa a carregar o título 'Education Champion' (campeão da educação, em tradução livre) do Fundo Malala.

"Malala fala muito sobre a importância de apoiar iniciativas locais. Só assim alcançamos a verdadeira mudança. O champion passa por um treinamento em vários lugares do mundo, com o objetivo de fomentar a educação das meninas", explica.

A rápida e abarrotada agenda da ativista paquistanesa em Salvador – na segunda-feira, 16, ela estava em São Paulo e, nesta terça, 10, embarcou para o Rio de Janeiro – faz parte de uma iniciativa do Fundo chamada Rede Gulmakai, que hoje atua e reúne champions no Afeganistão, Índia, Nigéria, Paquistão, Síria e, agora, Brasil.

A visita ao Centro Histórico começou no fim da manhã – por volta das 10h30, ela caminhava pelas ruas do Pelourinho. Entre um aceno e outro para quem passava e gritava o seu nome, visitou a varanda onde foi gravado o clipe They Don't Care About Us, de Michael Jackson, a Escola Criativa do Olodum – a portas fechadas para o público e para a imprensa – e a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.

A pausa para o almoço durou pouco mais de duas horas. Tempo para que uma pequena aglomeração de fãs e curiosos se formasse na porta do restaurante do hotel Villa Bahia. Fãs crianças e adultos com livros da paquistanesa tentavam, em vão, algum contato. "É impossível falar com ela", decretou uma das assessoras que falava português.

Pela tarde, a visita à Anaí, por questões de segurança, também foi privada – mas apenas à imprensa local. Equipes do jornal americano The New York Times e do britânico The Times tiveram acesso aos eventos. Na instituição, Malala foi recebida por danças e cantos indígenas.

Ao fim da reunião, contrariando qualquer expectativa de quem esperava na rua, a ativista, sempre acompanhada pela equipe, seguranças e agentes da Polícia Federal, não entrou no carro que a aguardava. Foi direto para o Bar Zulu, onde passava o jogo França x Bélgica. A entrada foi tumultuada e aborreceu os turistas belgas que assistiam à partida – as portas foram fechadas e a concentração de pessoas atrapalhava quem via o jogo.

Enquanto Malala e sua equipe assistiam às semifinais da Copa do Mundo, a reportagem de A Tarde perguntou a um agente da Polícia Federal se havia esperanças de ela atender os admiradores e assinar os livros.

A resposta resume bem o que pensavam muitos dos que estavam ali: "Eu acho que não… Sei que não é culpa dela, mas essa comitiva está exagerando!". Pelo menos, antes de partirem para o Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, deu tempo de ver o gol da França.

Ensinar às meninas que elas têm direitos é 'crucial', diz Malala

Na semana em que completa 21 anos, Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz, conta, em entrevista exclusiva ao G1, que decidiu passar a data ao lado de jovens brasileiras ativistas dos direitos da população indígena e negra.

A comemoração acontecerá nesta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, diz ela, e a população não-branca do Brasil entrou no seu foco principal por ser justamente a que mais sofre com a falta de acesso à educação.

“Vemos que só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio. E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário”, afirma ela.

A conversa, que durou 15 minutos, ocorreu no pátio de um hotel no Centro Histórico de Salvador, depois de um almoço regado a guaraná e de ouvir a música “Parabéns a você” no batuque do Olodum.

Nesta terça, Malala anunciou que vai investir US$ 700 mil no trabalho realizado por três ativistas brasileiras, da Bahia, de Pernambuco e de São Paulo. Mas afirmou que ajudar na inclusão das 1,5 milhão de meninas do Brasil que atualmente estão fora da escola é só um passo em seu objetivo final: fazer isso com todas as 130 milhões de meninas nessa situação em todo o mundo.

Para cumprir a meta, ela afirma defender esforços em todas as áreas, inclusive a política, com leis que ajudem na evolução da igualdade de gênero. Para a jovem paquistanesa, oferecer informações a meninas sobre sua saúde sexual e sua educação sexual é "crucial", principalmente considerando as meninas que são vítimas de assédio.

“Esse ensino só as lembra [as meninas] de que elas têm direitos independentemente de sua origem, ou de seu gênero. Acho que isso é crucial, e se isso for proibido, vai ser um grande desafio para atingir nosso objetivo de igualdade.”

Malala se tornou conhecida no mundo todo em 2012, após ser baleada na cabeça por radicais do Talibã ao sair da escola. Ela seguia em um ônibus escolar e seu crime foi se destacar entre as mulheres e lutar pela educação das meninas e adolescentes no Paquistão. Os talibãs são contrários à educação das mulheres.

 

Fonte: G1/A Tarde/Municipios Baianos

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