19/07/2018

Bahia lidera encalhe de baleias jubarte no País, aponta projeto

 

Só este ano, 19 baleias jubarte foram encontradas encalhadas no Brasil, sendo que nove na Bahia, segundo dados do Projeto Baleia Jubarte. Os atuais números colocam o estado mais uma vez como líder de ocorrências, seguido por Rio Grande do Sul (3), Rio de Janeiro (2), Paraná (2), Espírito Santo (1), Alagoas (1) e São Paulo (1).

Além disso, o projeto aponta que, entre o período de 2002 a 2018, a Bahia se tornou o maior estado com casos desta categoria, liderando o encalhe por 13 anos.

A explicação para este acontecimento, de acordo com o veterinário Milton Marcondes, é o fato da Bahia possuir um dos maiores litorais do país.

Destes 19 casos, cinco eram filhotes, oito juvenis, três adultos e outras três – devido ao estado de decomposição –  não tiveram como ter a idade confirmada. Três encalharam com vida, sendo que duas não resistiram e outra voltou para o mar.

Temperatura da Antártida

Mais vistas no período entre junho e setembro, as jubartes retornam à Antártica - continente antártico - entre os meses de outubro e novembro em busca de alimentos, onde ficam por aproximadamente quatro meses.

"Passando esse tempo, elas migram para o Brasil para acasalar e ter seus filhotes. Elas não conseguem ter lá por causa da água, que é muito fria. Os filhotes não suportariam a temperatura da Antártida. Diferente do Brasil, que podem parir à vontade. Aqui, eles nascem magrinhos, mas bem protegidos das ondas e com água mais rasa", explicou Milton.

O Espirito Santo é o segundo estado escolhido pelas baleias para ter seus filhotes. Na região capixaba, as cidades que mais recebem esses animais são Linhares, Conceição da Barra e São Mateus. Já na Bahia, segundo o veterinário, os locais variam a depender da temporada.

Maior parte das baleias que encalha já chega sem vida por conta da alimentação e das fortes ondas. "Quase 90% que chegam na praia já estão mortas, principalmente se forem filhotes, que, por algum motivo, foram separados das mães. Eles se alimentam de leite e ainda não têm o sistema imunológico desenvolvido, além de estarem sujeitos a ataques de tubarões."

As baleias jubarte vivem em média de 50 a 60 anos e têm uma cria a cada gestação, que dura em torno de 11 meses.

Golfinho é encontrado morto em praia no sul da Bahia; espécie está ameaçada de extinção

Um golfinho foi encontrado morto na praia do Apaga Fogo, que fica no distrito de Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, no sul da Bahia.

O animal foi localizado na manhã desta quarta-feira (18) por banhistas. Ele pertence à espécie boto cinza, que está na última lista dos ameaçados de extinção, divulgadas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema).

O corpo do animal estava bastante machucado. De acordo com o Projeto Baleia Jubarte, a espécie é comum na região e vive em toda a costa do Brasil, desde o Amapá até Santa Catarina, sempre em águas costeiras.

Técnicos do projeto foram ao local coletar material que será usado para investigar as causas da morte do golfinho.

Baleias começam a chegar ao litoral baiano

Engana-se quem acredita que no inverno brasileiro o movimento nas praias do litoral baiano diminui. É notório que durante o verão, as praias do Litoral Norte são ocupadas por nativos e turistas vindos de várias partes do Brasil e do mundo com o intuito de aproveitar o sol e as belezas naturais do local. Porém, durante a estação mais fria do ano, os visitantes são outros.

Assim como acontece com algumas espécies de tartarugas, que utilizam a Praia do Forte para reprodução, as águas tropicais da praia localizada a 80 quilômetros de Salvador são santuário perfeito para as baleias jubarte nessa época do ano. Os grandes mamíferos migram das águas geladas da Antártica em busca de uma temperatura mais quente, para acasalar e dar à luz. Diante disso, a praia que já é famosa por suas paisagens ganha mais um atrativo para quem deseja visitar o local.

Com temporada aberta oficialmente hoje, a observação pode ser feita de julho até meados de novembro. Com isso, durante esse período, o whalewatching - termo utilizado para o ecoturismo com a observação das baleias, é prática comum entre as agências de turismo. As empresas promovem o encontro entre entusiastas e os mamíferos marinhos por vários pontos do litoral, entre eles, Salvador, Praia do Forte, Morro de São Paulo, Itacaré e Caravelas – na região de Abrolhos, considerado o maior berço reprodutivo da espécie no Atlântico Sul.

Passeio

Na busca de avistar as primeiras visitantes do período de reprodução, A TARDE foi até a Praia do Forte em busca de um encontro com nossos hóspedes do hemisfério sul. O passeio, que pode durar até três horas, é um bom momento de conhecer um pouco do comportamento desses animais. Para não irritar as baleias, só é possível ficar perto delas por um período máximo de 30 minutos.

A Tarde realizou o passeio pela agência Portomar, uma das operadoras no local. A bordo da embarcação e após alguns minutos por mar à dentro, a reportagem teve a oportunidade de acompanhar um passeio em família. Um casal de jubartes acompanhava atentamente um filhote, que aproveitou o olhar dos visitantes para se exibir.

Levantando a cauda várias vezes, como se fosse um aceno, o filhote fez a alegria de quem estava na embarcação. A passar embaixo do barco, o animal gerou adrenalina e gritos de entusiasmo entre os participantes do passeio. Cada emersão para a superfície marítima, assim como borrifadas promovidas pelas baleias, arrancava suspiros e admiração de quem estava no barco.

Após os 30 minutos de observação, realizada sempre respeitando a distância de 100 metros dos animais, A TARDE se despediu dos famosos visitantes marinhos. Apesar de toda exibição no período em que o barco esteve perto das baleias, o verdadeiro espetáculo ficou para o momento em que o grupo retornava para praia. Embora nem todos os 24 passageiros do passeio tenham visto, os mais atentos, aqueles que mesmo distantes continuaram olhando para o horizonte, puderam ver as famosas acrobacias realizadas pelas baleias jubarte.

Empolgação

Entre os passageiros, era possível observar a alegria de quem pôde presenciar um belo espetáculo da natureza. Um dos mais maravilhados era o pequeno Yorg Syde, 11 anos, que não esconde ser um entusiasta do mundo marinho e considera transformar essa paixão em profissão. "Gostei muito do passeio, pois eu nunca tinha visto uma baleia de perto e foi muito legal ver o filhote. Curti muito a excursão, valeu muito a pena. Quando crescer, uma das minhas opções é ser biólogo marinho", disse.

Preservação

Para a bióloga Tais Bemfica, que acompanha todos os passeios de avistamento de baleias da agência, o entusiasmo após a visita é comum, já que o contato direto com o meio ambiente favorece o entendimento e a preservação dos animais. "As pessoas ficam mais suscetíveis a receber as informações ambientais quando elas têm o contato com o animal em seu habitat natural. Quando não existe esse contato, é muito difícil ter interesse de preservar, já que você nunca viu".

O paulistano Claudio Luciano, 46, que estava com a esposa e a filha no passeio, relatou que a experiência foi uma ótima oportunidade de conhecer de perto as baleias. "É uma experiência sensacional, indiscutível. Conhecer o animal em seu habitat natural é uma experiência que recomendo para todos", afirmou.

 

Fonte: A Tarde/G1/Municipios Baianos

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