20/07/2018

Kennedy Alencar comenta busca de alianças políticas

 

Como o presidente da República não se elege com maioria no Congresso, ele precisa fazer alianças para governar. Nessa fase da campanha, Ciro Gomes (PDT) tem procurado modificar o seu programa de governo para atender a partidos mais conservadores, do chamado Centrão, como o DEM, por exemplo.

O pedetista está agindo dentro da regra do jogo. Na atual fase da campanha, Ciro e Geraldo Alckmin (PSDB) estão no papel deles ao buscar alianças para governar. Não se deve demonizar tais movimentos.

Mas é preciso colocar limites para que a composição política não se transforme em mera negociação cartorial, um “é dando que se recebe”. Há partidos conservadores que costumam sempre apoiar o governo de plantão. É errado que congressistas desses partidos condicionem tal suporte ao recebimento de benesses públicas, como cargos e verbas.

Também é negativo para o país negociações políticas com partidos cartoriais, controlados de forma centralizada, como o PR de Valdemar da Costa Neto e o PTB de Roberto Jefferson. Nesses casos, as articulações deixam de ser programáticas e se tornam mais fisiológicas.

O PR, por exemplo, discute dar apoio ao PT, a Ciro e Bolsonaro. Não há guia ideológico nenhum. Como conciliar as ideias de Bolsonaro com as de Ciro e de Lula, por exemplo?

Jair Bolsonaro já deu declarações racistas, homofóbicas e misóginas”. Ele defende a selvageria. Exemplo: a declaração de sexta no Pará quando ele disse que policiais que massacraram trabalhadores sem terra em Eldorado do Carajás estavam certos. Isso tá errado. Tem de ser criticado”. A defesa de um massacre é selvageria.

Por isso, é bom que haja debates programáticos para formação de alianças. Isso ajuda a civilizar a campanha. Contribui para a discussão de temas importantes, como destinar os recursos do Orçamento aos mais pobres e não a bancar privilégios de corporações e de lobbies privados.

Expressão histórica

Um ouvinte do “Jornal da CBN – 2ª Edição” enviou mensagem com crítica à menção a Costa Neto e Jefferson. O ouvinte disse que Lula comanda o PT de dentro da cadeia.

Ora, não dá para comparar Lula com Costa Neto e Jefferson.

Ainda não voltamos aos tempos da ditadura de 1964, quando havia cassações políticas. Há até gente com saudade daquele regime. A democracia é tão boa que permite a defesa do indefensável, como o regime dos generais-presidentes.

Tampouco há pena de morte física e política no Brasil. Lula está recorrendo na Justiça contra a condenação que recebeu do juiz Sergio Moro.

Tem gente que acha que Lula está condenado com base em provas, no mínimo, controversas e que Moro age como promoter e não como juiz imparcial. Essa é a minha opinião, já manifestada inúmeras vezes na rádio e no blog.

Lula é um líder político muito maior do que Jefferson e Costa Neto. Está no patamar de Getúlio e de JK, gostem ou não do petista. Deixou a Presidência com enorme índice de aprovação popular. Tem lugar na história independentemente do que venha a acontecer com ele daqui em diante.

Também não dá para comparar a vida partidária do PT com a do PR e PTB. O PSDB tem vida partidária mais relevante. A Rede de Marina Silva também. As bancadas do MDB na Câmara e no Senado influenciam os rumos do partido. O PSB está ouvindo governadores para decidir o que fazer, se, eventualmente, apoiará Ciro, Alckmin ou o PT ou se ficará neutro na disputa presidencial. O PR e o PTB têm um nível de controle centralizado que os deixa distante dessas legendas citadas.

Corrupção tucana

A teoria do Ministério Público é que Paulo Vieira de Souza teria movimentado uma quantia alta que se referia não só a uma fortuna pessoal, mas a dinheiro para políticos do PSDB de São Paulo. Essa é a tese dos investigadores para tentar rastrear R$ 113 milhões que teriam passado pelas Bahamas.

Jamais as coligações eleitorais foram tão importantes quanto na sucessão de 2018. Por Carlos Newton

Trata-se de uma sucessão muito peculiar, que mais parece uma eleição “solteira”, como aconteceu em 1989, quando Fernando Collor (PRN) venceu. As alianças eleitorais nunca foram tão importantes na sucessão presidencial, mas o fechamento das coalizões somente será feito na chamada undécima hora, já no início de agosto. E o resultado será uma maluquice total, com os partidos se coligando na eleição presidencial, mas dando liberdade a que se fechem alianças diferentes em cada estado, dependendo das circunstâncias políticas imortalizadas pelo mestre espanhol Ortega y Gasset.  

Jair Bolsonaro não é considerado da classe política. Desde sempre, tinha eleitorado militar cativo, colocou a família no negócio, sempre fez questão de não se misturar, digamos assim. Agora luta desesperadamente por uma coligação que não se concretiza, porque ele não se tornou político. Queria o PR que tem votos e espaço na TV, acabou se aliando ao PRP, sigla do antigo partido integralista de Plínio Salgado, que filiou o general Augusto Heleno, o vice de Bolsonaro.

TUDO NO AR

Aliás, Bolsonaro não é o único a se frustrar buscando apoio, pois tudo ainda está no ar e nenhuma coligação foi verdadeiramente concretizada. Parece brincadeira, mas tudo depende do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que é um falso pré-candidato à Presidência, mas pode ajudar a decidir a eleição.

Nos últimos anos, Rodrigo Maia revelou um talento enorme para operações nos bastidores da política. Sabe-se que não disputará a eleição à Presidência, será reeleito  deputado e continuará a presidir a Câmara, é imbatível no baixo clero.

Maia tem méritos. Conseguiu ressuscitar o DEM, que estava em extinção, e formou um bloco muito forte com o PP e o Solidariedade, atraindo também o PR e o PRB. Articulou a volta do velho Centrão criado na Constituinte pelo deputado Roberto Cardoso Alves (PFL-SP) , e agora ressurge em nova versão, sempre muito influente.

ALCKMIN E CIRO

O apoio do Centrão é disputado ferozmente por Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT). Se não conseguir fechar a aliança com o grupo de Maia, o tucano Alckmin sabe que estará fora do páreo.

Acontece que ninguém acredita que Alckmin possa vencer esta eleição, que está entre Bolsonaro e Ciro Gomes, porque Marina Silva (Rede) não tem jogo de cintura, sempre esnobou os partidos, pensa que é a Rainha Elizabeth de Xapuri, equanto Bolsonaro é considerado uma espécie de Napoleão de hospício. Lidera as pesquisas, no Centrão há quem o defenda, mas a maioria não acredita nem confia nele. Sua credibilidade junto aos partidos é rarefeita. Tem votos, mas não sabe dialogar politicamente.

SUSPENSE

A expectativa é enorme. A eleição ainda não começou, porque até agora quem está vencendo são os votos brancos, nulos e indecisos, que passam de 50% e formam maioria absoluta. Por isso, nunca antes, na história deste país, as coligações eleitorais foram tão importantes. Mas somente serão decididas na primeira semana de agosto.

A meu ver, o Centrão vai apoiar Ciro Gomes, por saber que Alckmin não tem chances e Bolsonaro é do tipo autocarburante, que pega fogo sozinho.

O maior cabo eleitoral de Ciro é o deputado Rodrigo Maia, que mandou fazer uma pesquisa e o resultado deu o candidato do PDT em viés de alta.

NOTA

No meio da confusão, não se pode desprezar a força política de Lula da Silva, que tenta enfraquecer Ciro Gomes. Uma expressiva parte do eleitorado está convencida de que Lula é um larápio, mas julga que os outros políticos são piores do que ele. É por isso que estamos diante de uma eleição verdadeiramente eletrizante.

Sujos e mal lavados do centrão montam o palco

Os partidos do centrão assumiram o comando das arrumações nos bastidores da sucessão de 2018. A cortina ainda está fechada. Mas já se ouve da plateia o ruído abafado da montagem do palco. Nesta quinta-feira, sujos e mal lavados da política se reúnem na casa funcional do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para refinar o processo de escolha de um protagonista para sua trama. Disputam o tempo de TV e o amor do centrão Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Ex-presidiário do mensalão, Valdemar Costa Neto, que no espetáculo faz o papel de dono do Partido da República, assumiu o papel de cupido.

Deve-se a Valdemar a perspectiva de reunificação do centrão. O personagem desgarrara-se do grupo para negociar uma aliança com Jair Bolsonaro. Fracassada a tentativa, comunicou aos velhos parceiros que está de volta. Como já foi alvejado pela língua de Ciro, Valdemar tem uma leve queda por Alckmin. Mas informou aos congêneres que topa qualquer negócio, desde que o empresário Josué Gomes da Silva, filiado ao PR, seja acomodado na posição de candidato a vice-presidente. Conforme já noticiado, Josué já havia se colocado à disposição do grupo.

Participam dos entendimentos, além de Rodrigo Maia e do notório Valdemar, o senador Ciro Nogueira (PP), réu na Lava Jato, Paulinho da Força (SD), alvo de inquérito criminal no Supremo, Marcos Pereira (PRB), também pendurado na Lava Jato e ACM Neto (DEM). Consolidou-se entre eles o desejo de que seus respectivos partidos negociem os dotes eletrônicos de maneira unificada.

Fala-se muito em coalizão partidária e programa de governo. Mas a ausência de ideias denuncia, por assim dizer, o embuste. Ganha trinta segundos no horário eleitoral quem for capaz de explicar o que une o centrão além do propósito de invadir cofres públicos. Se alguém não estiver ligando o nome à pessoa, basta recordar que o grosso do atual centrão fez as vezes de milícia parlamentar de Eduardo Cunha, esticando-lhe o mandato e acompanhando-o até a porta da cadeia.

Com poucas variações, esse mesmo condomínio parlamentar dá as cartas há muito mais tempo do que o Tesouro Nacional poderia suportar. Sob FHC, a convivência com a intelectualidade tucana proporcionou ao centrão um excelente merchandising. Sob Lula, o Planalto de fachada operária resultou em ótimos negócios. Sob Dilma, o centrão desistiu de terceirizar o poder ao petismo. Substituiu a preposta de Lula, sem talento para a administração do balcão, por Michel Temer, especialista na matéria.

Nem as almas mais ingênuas acreditariam que partidos identificados com o suborno, o acorbertamento, o compadrio, o patrimonialismo e o fisiologismo percorrem os bastidores das negociações presidenciais com a disposição de passar os próximos anos dedicando-se a outra atividade que não seja a perpetuação dos vícios. Pode demorar mais alguns dias para acomodar todos em suas marcas e decidir quem, afinal, vai levar o tempo de TV do bloco.

Quando a cortina finalmente for aberta, a primeira cena deve ser divertida. Alguém virá à boca do palco para anunciar: “Nós apoiaremos…” Ao fundo, a platéia enxergará os dois candidatos ajustando suas perucas e escolhendo o nariz que utilizarão na campanha.

Centrão decide caminhar unido na eleição e já escolheu até quem será o vice…

Os caciques dos cinco partidos que formam o bloco de centro – PP, DEM, PR, SD e PRB – reuniram-se na noite desta quarta-feira e decidiram que tomarão uma decisão conjunta sobre quem apoiar na corrida presidencial. Além de resolverem caminhar juntos, esses partidos já escolheram o nome que indicarão para ser o vice da chapa que decidirem apoiar. O empresário Josué Gomes, do PR,  filho do ex-vice-presidente José Alencar, é quem mais vinha sendo falado nos bastidores do grupo.

As conversas continuarão na manhã desta quinta-feira na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que abrirá mão de sua própria candidatura presidencial. O jantar foi na casa do presidente do PP, Ciro Nogueira. Segundo ele, o grupo ainda está dividido entre a possibilidade de apoiar o pedetista Ciro Gomes ou o tucano Geraldo Alckmim.

SEM DIVISÃO

“Vamos decidir, e iremos 100% para o mesmo lado, impossível haver divisão. A gente combinou que mesmo as pessoas que forem voto vencido vão acompanhar a maioria. Está meio a meio. Acredito que até meados da próxima semana a gente anuncia. O vice já está escolhido, isso a gente já chegou a uma decisão” — disse Ciro Nogueira.

Mais cedo, o presidente do PDT, Carlos Lupi, que está em Brasília preparando a convenção que selará na sexta-feira o nome de Ciro Gomes como candidato do partido, disse ao Globo acreditar que o bloco opte por apoiar o pedetista. Mas não deve contar com uma resposta a tempo do evento de oficialização da campanha de Ciro Gomes.

TEMPO DE TV

“Acho que vamos ter o blocão todo conosco. Com isso, o Ciro vai ficar com o maior tempo de TV. Essa aliança vai dar ao Ciro a perspectiva de vitória, viabiliza o Ciro de forma irreversível no segundo turno. E o povo gosta de votar em quem vai ganhar” — avalia Lupi.

Juntos, esses cinco partidos têm com cerca de 40% do tempo de TV. Na Câmara, somam quase 200 deputados. Participaram da reunião, além de Ciro Nogueira, o comandante do PR, Valdemar Costa Neto, o presidente do DEM, ACM Neto, o ex-ministro Marcos Pereira, do PRB, e Paulinho da Força, do SD.

NOTA

Tudo indica que o Centrão vai aceitar a coligação com o PDT e apoiar Ciro Gomes, que esteve com os dirigentes partidários no sábado e se saiu bem na reunião.  E o tucano Alckmin não foi convidado a participar. Depois disso, houve reuniões de economistas do Centrão com Mauro Benevides Filho, que atua como consultor econômico de Ciro.

Quadro político indica que a eleição será decidida entre Bolsonaro e Ciro. Por Carlos Newton

É impressionante o jogo de bastidores no mercado livre das alianças partidárias. Com o fim do patrocínio das empresas e a criação do Fundo Eleitoral, o quadro político mudou muito nesta eleição. A confusão ainda é geral, mas haverá hoje em Brasília uma reunião decisiva do Centrão (DEM, PP, SD, PRB e PR), com a participação do deputado Rodrigo Maia, que está de volta ao Brasil. Esta reunião deve decidir a questão, mas é provável que a oficialização das alianças só ocorra na semana que vem.

De toda forma, a imprensa vai comparecer em massa, para tentar cobrir a reunião do Centrão, que será a portas fechadas, como sempre ocorre, mas é claro que algum participante sempre acaba revelando o que aconteceu.

APOIO DECISIVO

A decisão a ser tomada pelo Centrão vai ser fundamental para os rumos da eleição presidencial. E a boataria na capital  indica que esses partidos vão fechar com o PDT de Ciro Gomes, embora  ninguém possa antecipar se haverá defecções entre os partidos do bloco.

Nesta hipótese de apoio a Ciro, aumentam as possibilidades de que o embate final no segundo turno seja entre ele e Bolsonaro (PSL). Um mata-mata da melhor qualidade, com dois candidatos que decididamente não medem suas palavras, o show está garantido.

Mas ainda existe a hipótese (remota, convenhamos) de apoio do Centrão ao tucano Geraldo Alckmin, circunstância que mudaria totalmente o quadro e iria aumentar a divisão de votos no primeiro turno, beneficiando Bolsonaro.

MENOS CHANCES

Entre os demais candidatos, correm com menos chances Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos) e Fernando Haddad (PT), mas não necessariamente nesta ordem, até porque o petista é herdeiro de Lula da Silva, o que significa muita coisa em termos eleitorais.

Aliás, dependendo da comoção nacional que haverá quando a candidatura de Lula for definitivamente rejeitada, os votos de Haddad podem aumentar substancialmente.

Os demais candidatos, como diria o padre Quevedo, “não eczistem”. estão apenas empenhados em garantir aqueles 15 minutos de fama celebrizados pelo artista plástico americano Andy Warhol, que se tornou famoso para sempre.

Isolado, Jair Bolsonaro radicaliza a pose de puro

Jair Bolsonaro chega à antessala da eleição numa situação paradoxal. Cavalgando o desalento do eleitorado, foi guindado ao topo das pesquisas. Mas não consegue compor uma coligação que lhe forneça estrutura de campanha e tempo na propaganda eleitoral do rádio e da TV. Tentou uma coligação suja com o PR do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto. Não prosperou. Projetou uma chapa verde-oliva, com o general Augusto Heleno na vice. O nanico PRP, partido do general, vetou o arranjo.

Submetido a um insolamento, Bolsonaro reage com esperteza. Ele faz pose de candidato puro e fala o que o eleitor quer ouvir. Diz coisas definitivas. Por exemplo: “Vou governar sem toma-lá-dá-cá.” Mas não define muito bem as coisas, abstendo-se de informar como faria para lidar com um Congresso onde não há inocentes, apenas culpados e cúmplices.

Mantido esse quadro, Bolsonaro terá menos de 10 segundos para vender seu peixe na propaganda do horário eleitoral. Ele avalia que derrotará estruturas partidárias tradicionais promovendo uma guerrilha eletrônica na internet. Não será fácil. Mas suponha que dê certo. Nessa hipótese, vai ao Planalto um filiado do nanico PSL. O Congresso será igual ao atual —se não for pior. De duas, uma: ou capitão bate continência ou será mais um presidente com a cabeça a prêmio.

No Brasil, os congressistas desenvolveram uma tecnologia para derrubar presidentes. Dos quatro que foram eleitos diretamente desde a redemocratização, caíram dois. A taxa de mortalidade é de 50%.

 

Fonte: O Cafezinho/ BlogdoJosias/Tribuna da InternetO Globo/Municipios Baianos

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